Oxigênio (2021)

4.3
(7)

Oxigênio
Original:Oxygène
Ano:2021•País:França, EUA
Direção:Alexandre Aja
Roteiro:hristie LeBlanc
Produção:Alexandre Aja, Brahim Chioua, Noémie Devide, Grégory Levasseur, Vincent Maraval
Elenco:Mélanie Laurent, Mathieu Amalric, Malik Zidi, Laura Boujenah, Eric Herson-Macarel, Anie Balestra, Marc Saez, Cathy Cerda

É bastante difícil não encontrar semelhanças entre Oxigênio e o espetacular Enterrado Vivo, de Rodrigo Cortés. Ainda que o novo trabalho de Alexandre Aja tenha seus méritos claustrofóbicos e consiga transmitir sensações de desconforto e insegurança, a obra espanhola foi mais eficiente ao construir sua dinâmica em um verdadeiro ambiente único, imobilizando o espectador como testemunha próxima do desespero do protagonista. O novo filme, disponibilizado na Netflix a partir de 12 de maio, trabalha mais o cronômetro e a tecnologia e afasta qualquer expectativa pessimista pelo leque de opções que surgem no apoio a Liz Hansen (Mélanie Laurent). Em nenhum momento, ela se sente realmente sozinha.

Consequência de um mau funcionamento, Liz desperta em uma cápsula de sono criogênico como Neo em Matrix. Sem saber porque, como chegou ali e onde realmente está, ela recebe o contato do sistema de inteligência artificial do local, M.I.L.O (Mathieu Amalric), que lhe apresenta dados, imagens e lhe permite comunicação externa. Enquanto alguns informes a auxiliam a desvendar o mistério de sua estadia ali, ao mesmo tempo ele constantemente lhe fornece um sufocante cronômetro com indicação do quanto lhe resta de oxigênio. Inicia-se uma corrida angustiante para que Liz consiga encontrar meios de identificação, entenda sua presença naquele leito tecnológico e encontre uma forma de sair desse local, que se mostra ameaçador em suas tentativas de sedá-la ou até provocar uma eutanásia.

O ponto de partida relembra os bons momentos da filmografia de Aja, quando a protagonista sente na pele a necessidade de se soltar dos tubos intravenosos, e a câmera focaliza bem o temor de Liz, com sua expressão de dor e desespero através de tomadas fechadas de seus olhos arregalados – esse agito acelera a diminuição do oxigênio no ambiente. O bom roteiro de Christie LeBlanc traz possibilidades interessantes ao expor a consciência da personagem sobre sua mente estar lhe pregando peças, pela condição orgânica desfavorável, ao ponto dessa cegueira influenciar o próprio espectador, que se questiona sobre alguns de seus contatos externos. As pistas são dadas aos poucos em uma dinâmica interessante de Liz com o sistema tecnológico e seu sistema de defesa, em braços mecânicos que lembram a cobra que perturbou Ryan Reynolds em 2010.

Contudo, o ambiente é limpo, moderno e com ampla possibilidade de comunicação, o que difere do terror de Paul Conroy, que está em um caixão sujo, com um telefone que apresenta falhas constantes, além de uma baixa iluminação. Com as ferramentas expostas, você tem mais chances de acreditar no sucesso de Liz do que na descoberta do paradeiro de Paul, e isso, ampliado pela tafofobia, é a verdadeira tradução de um horror verdadeiro. Na segunda metade, Oxigênio tenta se desvencilhar das comparações óbvias ao abraçar de vez o mundo futuro, e traz à personagem uma importância ainda maior, mas deixa evidências que ele também pode ser desolador.

Muito mais superestimado que merecia – algo que também aconteceu com O Poço da mesma Netlix -, Oxigênio é um bom thriller de ficção científica, em ambiente reduzido, com um final que parece que o roteirista quis acarinhar a protagonista pelo pesadelo vivido. E ainda deixa a sensação de que tudo podia ser resolver com apenas um pedido de Liz na cena inicial, uma decisão que lhe foi proposta, mas que ela optou pelos caminhos mais complicados para justificar a existência do filme.

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Média da classificação 4.3 / 5. Número de votos: 7

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “Oxigênio (2021)

  • 24/08/2021 em 16:11
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    numa epoca de tanta porcaria, este filme traz um certo frescor aos assinantes da Netflix. Bom filme, bem conduzido e interpretado.merece ser visto.nota 7,5

    Resposta

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