The Innocents (2021)

4.8
(14)

The Innocents
Original:De uskyldige
Ano:2021•País:Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia, França, UK
Direção:Eskil Vogt
Roteiro:Eskil Vogt
Produção:Maria Ekerhovd
Elenco:Rakel Lenora Fløttum, Alva Brynsmo Ramstad, Sam Ashraf, Mina Yasmin Bremseth Asheim, Ellen Dorrit Petersen, Morten Svartveit, Kadra Yusuf, Lisa Tønne

Imagine se a terrível e talentosa menina do clássico Tara Maldita (The Bad Seed), de Mervyn LeRoy, fosse capaz também de mover objetos com a força do pensamento ou saber o que os outros estão pensando? Se Rhoda já era hábil em manipular adultos, o que mais ela poderia fazer para alcançar seus intentos? Enquanto observava as ações da “carinha de anjoIda (Rakel Lenora Fløttum), colocando cacos de vidro no tênis da irmã autista Anna (Alva Brynsmo Ramstad), esmagando uma minhoca ou atirando um gato de uma grande altura, fiquei imaginando em seu lugar outras crianças terríveis que o cinema de horror nos apresentou. E ela não é a pior delas no longa The Innocents, de Eskil Vogt, considerado um dos grandes destaques de 2021.

Ida se afeiçoa ao “monstrinhoBen (Sam Ashraf), um garoto que descobriu ter a capacidade de movimentar pedras com a mente – e outros poderes que serão revelados com o tempo. Os dois e Anna também terão o apoio da fofíssima Aisha (Mina Yasmin Bremseth Asheim), que ouve vozes – no caso, o pensamento alheio -, na composição de um quase Quarteto Fantástico da Traquinagem, seja pela capacidade de induzir adultos a esfaquear crianças ou simplesmente quebrar a perna de um desafeto. Cada ação feita com a mesma sintonia de uma descoberta comum da idade, como a de acessar filmes pela internet ou pedir pizza pelo telefone.

As crianças de The Innocents incomodam, mas não porque fazem birra no parque ou pedem para ir ao McDonald´s em horários impróprios, mas porque podem saber seus segredos mais obscuros ao mesmo tempo em que cospem de um lugar alto. E o reflexo de suas atitudes simbolicamente são expressas no comportamento de Anna – muitos estudos neurológicos acreditam que o autismo seja o próximo passo da evolução da mente humana, como uma espécie de habilidade realmente, até porque há crianças nessa condição que, apesar da tenra idade, também possuem uma inteligência fora do comum. Aparentemente alheia à realidade, como se estivesse presa em um aquário psicológico, a garota tem uma habilidade que assombra até os mais poderosos dentre o grupo de especiais: a capacidade de proteger quem ela gosta ou simplesmente impedir que outras pessoas se machuquem.

E essas “mágicas“, desenvolvidas pelos personagens do norueguês Eskil Vogt, são carregadas de ingenuidade e deslumbramento. Fazer um objeto desviar seu curso impressiona tanto quanto um deles conseguir inverter os ossos do braço. Mas são crianças. Possuem horário para voltar para casa, não podem sair sem a permissão de um adulto e devem obedecer limites dentro do condomínio onde moram. Só precisam entender que certas brincadeiras podem machucar, e jamais utilizar seu dom para se vingar de seus desafetos, mesmo que estejam praticando bullying – a experiência de Carrie poderia ensinar mais do que o cantinho da disciplina.

Vogt se mostra eficiente na condução do elenco mirim, nunca permitindo qualquer sensação de artificialidade em seus sorrisos ou até mesmo nos gestos de curiosidade e medo. Ele é ajudado por crianças talentosas, com ações espontâneas e muito carisma, com destaque para Rakel Lenora Fløttum e, principalmente, Alva Brynsmo Ramstad. Ao final, com o retrato de uma falsa inocência ou de uma verdadeira maldade, o filme leva o espectador a um olhar mais atento ao universo das descobertas dos pequenos e ao modo como lidam com o diferente, seja ele um poder ou uma condição especial.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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