A Fúria (1978)

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A Fúria
Original:The Fury
Ano:1978•País:EUA
Direção:Brian De Palma
Roteiro:John Farris
Produção:Frank Yablans
Elenco:Amy Irving, Kirk Douglas, John Cassavetes, Andrew Stevens, Charles Durning, Carrie Snodgress, Fiona Lewis, Carol Eve Rossen, Rutanya Alda

Em 1978, Brian de Palma vivia seu melhor momento como realizador até então. Já havia dado mostras de sua maestria em Irmãs Diabólicas (1972), experimentado o gostinho das premiações com as muitas indicações por O Fantasma do Paraíso (1974), além de ter escancarado suas influências hitchcockianas em Trágica Obsessão (1976) e realizado seu primeiro grande clássico, Carrie (1976), baseado na obra homônima de Stephen King.

Em A Fúria, trabalho lançado em 1978 e inspirado no romance The Fury, de John Farris, De Palma mais uma vez abordou as perturbações psíquicas, tema que já vinha sendo bastante explorado pelo diretor em seus filmes anteriores, mas desta vez sob um novo viés.

A narrativa conta a história de Gillian Bellaver (Amy Irving), adolescente em fase de descoberta da sua poderosa telecinesia. Para aprender a controlar seus poderes, ela se matricula numa escola para jovens especiais (uma versão mais palpável do Instituto Xavier para Jovens Superdotados, dos X-Men), mas de repente se vê envolvida numa trama de mistério e assassinato ao se conectar telepaticamente com um jovem que desapareceu da escola semanas antes.

Diferente de Carrie, que utilizava sua vontade poderosa de forma reativa e descontrolada e nada se explica sobre isso, em A Fúria, De Palma tenta dar uma abordagem mais séria acerca do uso das habilidades psíquicas em meio a uma história de espionagem onde telepatas são controlados e usados pelos altos escalões do governo. Gillian, tal qual uma jovem X-Men, enfrenta diversos problemas pessoais por não conseguir controlar seus poderes, e se torna alvo de uma perigosa conspiração.

De todos os personagens elaborados por John Farris, também roteirista do longa, talvez Gillian seja a mais convincente. Os atores Kirk Douglas e John Cassavetes, nos papéis de herói e vilão, respectivamente, parecem ter sido caracterizados para o público juvenil de histórias em quadrinhos ou desenhos animados. Apesar disso, o roteiro é bem amarrado e “resolve”. A trilha de John Williams também ajuda a elevar a produção em muitos momentos.

E mesmo contando com muitas cenas legais (o encerramento é uma maravilha), os set-pieces característicos do diretor (que é a melhor parte de seus trabalhos), infelizmente, não têm a mesma força e exuberância que atingiram em Carrie e até mesmo Irmãs Diabólicas, um de seus primeiros passos mais firmes nessa direção.

Em suma, A Fúria é um bom  thriller de ficção-científica e suspense com elementos de terror, sendo que estes partem principalmente da direção minuciosa de De Palma e de alguns exageros gráficos que volta e meia acontecem.  O tom “mainstream” que perpassa o trabalho talvez tenha enfraquecido seu potencial, mas A Fúria continua sendo uma ótima pedida para quem quer curtir uma aventura leve e algo intrigante.

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Pedro Emmanuel

Cearense, jornalista, quase geógrafo (ainda cursando), meio praieiro e ligeiramente antissocial. Minha viagem é aprender o máximo possível sobre a vida e sobre a morte, e assim ir assimilando alguns mistérios da existência. Vivo como se fosse um detetive, mas minha mente vagueia muito. Sou fã de Star Trek, Jefferson Airplane, e do Massacre da Serra Elétrica original.

One thought on “A Fúria (1978)

  • 27/04/2022 em 17:46
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    Achei Muito Bom,Vi no Supercne em 85

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