The Cellar (2022)

4.4
(10)

The Cellar
Original:The Cellar
Ano:2022•País:Irlanda
Direção:Brendan Muldowney
Roteiro:Brendan Muldowney
Produção:Conor Barry, Richard Bolger, Benoit Roland
Elenco:Elisha Cuthbert, Eoin Macken, Dylan Fitzmaurice Brady, Abby Fitz, Tara Lee, Michael-David McKernan, Aaron Monaghan

Faz muito tempo desde o passeio de Elisha Cuthbert pela cidade de cera ou de quando tinha preocupações com terroristas por ser filha de Jack Bauer. Desde então a atriz fez algumas séries, principalmente Happy Endings, onde esteve de 2011 a 2020, até estrelar o terror satanista The Cellar. Para quem só a conhecia da primeira década dos anos 2000, vê-la como mãe de uma criança adolescente irritante anos depois é bastante estranho. Não pelo envelhecimento, mas pelo fato de saber que se trata de uma ótima atriz e que deveria ter tido mais oportunidades no cinema para evitar esse longo período de uma quase ausência. Mas ela está lá, com os cabelos mais escuros, com a mesma voz doce, e o ímpeto curioso em tentar desvendar mistérios em sua nova morada.

Ela, o marido Brian (Eoin Macken, de Hole in the Ground), e os filhos Steven (Dylan Fitzmaurice Brady) e Ellie (Abby Fitz), mudam-se para um casarão, adquirido a um bom preço em um leilão. Sem investigar o passado – qual família de filme de terror faz isso? -, logo se mudam para o novo endereço a contragosto da mais velha, constantemente emburrada. Antes da primeira noite, quando seus pais precisam se ausentar para trabalhar, o terror já se estabelece no local, quando Steven encontra uma máscara com chifres e as luzes se apagam. Por telefone, Ellie é convencida pela mãe a descer ao porão para ativar os disjuntores, acompanhando-a no processo dos dez passos, algo que se estende por mais alguns degraus além dos existentes no local.

Ellie desaparece como o garoto de A Casa do Espanto. A busca na região e contato com amigos não levam a lugar algum, com a polícia acreditando que a jovem mais uma vez fugira. Eis então que finalmente Keira resolve investigar os estranhos símbolos encontrados nas portas, a mensagem em latim na entrada e uma estranha equação marcada no porão – típica falta de curiosidade dos personagens de filmes de terror. O som de uma gravação pelo gramofone leva a uma pesquisa sobre o antigo morador, John Fetherston, que parece ter construído a morada para fins de acesso a uma outra dimensão. Mas há muito mais por trás, com associação a Leviatã e Baphomet, e as verdadeiras intenções na construção da “The Xaos House“.

The Cellar se desenvolve em um terreno conhecido. Todos os clichês de terror se abraçam pela narrativa, não faltando o gênio excêntrico especialista no assunto e a velha catatônica no hospício, que escreve no caderninho alguma informação relevante. E coloque no balaio o descrédito do marido, que acredita que a esposa está alucinada com teorias absurdas, a polícia inútil e o menino que terá seus apagões, influenciados pelas tentativas de sua mãe em encontrar uma resposta.

Se você já conhece os cômodos, não quer dizer que não possa se surpreender. Mesmos móveis, mas em posições bem mais intrigantes e para fins mais ousados. O diretor e roteirista Brendan Muldowney já esteve lá, quando idealizou o curta The Ten Steps, de 2004, e que condicionou seu potencial na sequência de sumiço da garota: a diferença é que no anterior, a garota tinha ouvido histórias sobre a aparição do diabo no porão e foi ajudada pelo pai na contagem de passos. Nesta nova versão, as intenções diabólicas se ampliaram para simbologias e uma proposta apocalíptica ao estilo The Gate.

A máxima que envolve as intenções pavimentarem o inferno ocorre de maneira literal aqui. E o percurso até que resulta em um terror enigmático e com potencial aterrorizante.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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