Terror no Pântano 2 (2010)

4
(10)

Terror no Pântano 2
Original:Hatchet 2
Ano:2010•País:EUA
Direção:Adam Green
Roteiro:Adam Green
Produção:Badie Ali, Hamza Ali, Malik B. Ali, Derek Curl, Sarah Elbert, Adam Green, Andrew Mysko, Cory Neal, Greg Newman, Mark Ward
Elenco:Danielle Harris, Tony Todd, Kane Hodder, Parry Shen, Tom Holland, R.A. Mihailoff, AJ Bowen

Sobrevivente de um ataque do carniceiro Victor Crowley, a jovem Marybeth reúne um grupo de mercenários para vingar a morte do pai e do irmão. Juntos, eles regressam ao amaldiçoado pântano de Nova Orleans decididos a enfrentar pela última vez o impiedoso e violento assassino. Será que armas de fogo bastam para interromper uma série de atrocidades iniciada há tanto tempo?

Terror no Pântano 2 (Hatchet 2, 2010) começa exatamente onde terminou o primeiro filme, revelando finalmente que Marybeth sobreviveu (e como) ao ataque de Victor Crowley. Curioso o fato de que a atriz que interpreta a final girl seja outra: Amara Zaragoza foi substituída pela veterana Danielle Harris (que participou de Halloween 4 e 5, além do reboot Halloween: O Início e de sua continuação H2: Halloween 2). Passado o desconforto causado pela troca da protagonista, esta sequência segue fiel à abordagem nada sutil da produção anterior, ou seja, sangue em profusão, mortes exageradamente violentas e nudez gratuita – aliás, algumas cenas elevam o gore a um novo patamar – podemos destacar, entre um desmembramento aqui e uma decapitação ali, um incomum assassinato que ocorre durante um ato sexual que, digamos, continua mesmo após a morte de um dos participantes. Os efeitos e maquiagem mantêm a mesma qualidade e estilo oitentista, sem o uso da computação gráfica – o que certamente é um afago aos fãs do gênero. Segundo a equipe encarregada, foram dezenas de pedaços de corpos em látex e mais de 136 galões de sangue cenográfico utilizados. Obviamente, todo este excesso torna a trama e o visual menos realista, impedindo que o longa seja levado a sério e assuste de verdade. Em teoria, esta não é uma característica negativa, visto que a proposta dos realizadores é exatamente emular as produções de terror dos saudosos e descomedidos anos 80, onde os limites do bom gosto eram testados com pouco dinheiro e muito bom humor.

A direção e o roteiro são do americano Adam Green (de Pânico na Neve, 2011), o mesmo cineasta responsável pelo filme anterior. Junto com ele retorna grande parte da equipe técnica, o que assegura a continuidade não apenas da trama iniciada 4 anos antes, mas também do estilo e estética totalmente despretensiosos.

As filmagens aconteceram em 2009 e duraram em torno de 3 semanas, no entanto, desta vez em um grande estúdio fechado, na Califórnia. Esta mudança tem pouco impacto, visto que a artificialidade do cenário é pequena e quase imperceptível. Porém, qualquer limitação imposta pelo orçamento baixo é compensada pelo gore característico da franquia; atributo que garantiu, se não uma legião de seguidores, algum destaque entre os fãs – o que viabilizou duas continuações. São elas: Terror no Pântano 3 (lançada em 2013 e dirigida por BJ McDonnell, de Terror no Estúdio 666) e Terror no Pântano 4 aka Victor Crowley (resgatando Adam Green como diretor em 2017 numa comemoração aos 10 anos da série).

O longa estreou em agosto de 2010 no festival londrino de fantasia e horror FrightFest. Em outubro do mesmo ano, foi distribuído nos cinemas americanos, contudo sem a classificação indicativa da MPAA, o que causou uma grande controvérsia e fez a exibição ser suspensa poucos dias depois. Somente em 2011, Terror no Pântano 2 chega aos canais de streams e outras mídias, pela Archor Bay. A crítica, em geral, recebeu o filme com pouca empolgação; entretanto, a produção agradou ao público que havia apreciado o primeiro filme na época de seu lançamento.

Um dos acertos desta continuação é a volta do experiente Tony Todd (de O Mistério de Candyman, 1992, e Premonição, 2000), agora com uma participação mais relevante que no original. Sua atuação, imponente e teatral, confere ao longa um estranhamento favorável à construção de uma atmosfera predominantemente trash. Ainda em relação ao elenco, além da já comentada protagonista (Danielle Harris), Terror no Pântano 2 traz o grandalhão Kane Hodder (ator que viveu Jason nos capítulos 7 a 10 de Sexta-Feira 13) como o vilão Victor Crowley. Outras presenças especiais funcionam como pequenas homenagens ao gênero, como R.A. Mihailoff (que interpretou Leatherface em O Massacre da Serra Elétrica 3, 1990), John Carl Buechler, veterano dos efeitos de maquiagem, que trabalhou em obras menores, mas cultuadas, como Hard Rock Zombies (1985) e Ghoulies (1985); além do respeitado diretor Tom Holland (de A Hora do Espanto e Brinquedo Assassino) e Lloyd Kaufman (o lendário fundador da Troma).

Como ponto negativo podemos apontar alguma irregularidade com que a ação ocorre, principalmente na primeira metade, dedicada a apresentar os personagens e narrar o plano de vingança de Marybeth contra Victor Crowley. Esta introdução é preguiçosa e não funciona tão bem quanto a metade final, quando a carnificina acontece num ritmo desenfreado.

Apesar da suposta pouca pretensão, Terror no Pântano retoma e desenvolve a mitologia em torno do vilão Victor Crowley. Anteriormente havia sido explicado que Victor, ainda criança, era portador de uma doença incomum que lhe causava enormes deformidades no rosto e que cresceu sendo perseguido por outros meninos. Para protegê-lo, seu pai o trancava dentro da cabana em que viviam no pântano. Determinado dia, alguns adolescentes soltaram fogos de artifício em direção ao local, causando um incêndio. Tentando salvar o filho, o pai arromba a porta da casa com uma machadinha e acaba acertando o jovem. Em Terror no Pântano 2, novos detalhes macabros sobre a origem do personagem são revelados: muito tempo antes, Thomas Crowley vivia com a esposa Shyann em Nova Orleans. Eles viviam felizes e sozinhos, até que a esposa adoeceu gravemente. Durante o tempo em que Shyann definhava, Thomas se envolveu com a enfermeira contratada para auxiliar nos cuidados médicos. Já em seus últimos segundos de vida, a esposa amaldiçoa o marido e a amante, então grávida. Quando o pequeno Crowley nasceu, diversos animais selvagens teriam misteriosamente morrido, alertando que uma força cruel e demoníaca acabava de despertar.

É interessante ressaltar que, novamente, Adam Green nos apresenta um desfecho inconclusivo, com um corte seco que serve como um gancho monumental para a próxima continuação. Hoje, como a terceira parte está disponível, o artifício parece válido. Todavia vale lembrar que em 2010 não havia garantias de um novo filme, então esta inconclusão deve ter frustrado uma fatia da audiência.

Em resumo, se o espectador admitir o roteiro propositalmente repleto de clichês dos anos 80 e sobreviver aos primeiros morosos 30 minutos, poderá saborear um bom slasher old school, que abusa dos efeitos práticos em uma sucessão caótica e alucinada de mortes regadas a muito, muito sangue.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4 / 5. Número de votos: 10

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

João Pires Neto

Apenas mais um rapaz latino americano vindo do interior. Ateu não praticante, vegetariano, viciado em Literatura, Rock and Roll e Cinema. Antifascista, antiespecista, feminista e pai de uma menina linda, de 3 cachorros e 1 gata preta. Formado em Letras e Literatura. Colaborador desde 2005.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.