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O Feiticeiro
Original:The Witchmaker
Ano:1969•País:EUA
Direção:William O. Brown
Roteiro:William O. Brown
Produção:William O. Brown
Elenco:Anthony Eisley, Thordis Brandt, Alvy Moore, Shelby Grant, Tony Benson, Robyn Millan, Warrene Ott, Helene Winston, Burt Mustin

Esse filme, O Feiticeiro, tem uma cena muito boa: dois conhecidos das antigas, não necessariamente amigos mas reconhecidamente poderosos dentro de suas habilidades, sentam para tomar uma. Ele quer pedir ajuda dela num “trabalho” para atrair mais uma pessoa para a sua ‘área de influência’. Parece que só ela sabe fazer determinada parte desse trabalho. Eles negociam o favor. Na cena, se desenrola um diálogo que poderia acontecer (e acontece) em qualquer bar do Benfica (bairro universitário aqui de Fortaleza, point da turma de humanas) – e de qualquer outro lugar, se olhar bem, não fossem esses conhecidos um bruxo e uma bruxa maduros e no auge do poder, o drink compartilhado ser uma taça de sangue e não um litrão de cerveja, e o trabalho em questão ser um poderoso feitiço. Mas é tudo mera terminologia, né?!

Esse diálogo, uma cena bonita, silenciosa e envolvente, teatral, tão natural quanto poderia ser, é um dos pontos altos desse filme, cujo título original, não por acaso, é “The Witchmaker” – o criador de bruxas, ou algo do gênero.

Lançado em 1969 com direção e roteiro de William O. Brown, a trama segue um grupo variado formado por um parapsicólogo, uma sensitiva, um jornalista, e alguns ajudantes, pelos pântanos da Louisiana a fim de realizar investigações sobre fenômenos paranormais. Escondido entre os motivos que levaram à escolha daquele local para a realização dessa pesquisa, uma série de assassinatos de garotas que houve na região. Seus corpos foram encontrados com todo o sangue drenado, e as comunidades locais associam os crimes a práticas de bruxaria.

Tão logo aportam na cabana onde as experiências serão realizadas, o grupo passa a ser acompanhado pelo olhar do sinistro Luther (John Lodge), líder do coven “regional”, e que vê na sensitiva iniciante Tasha (Thordis Brandt) uma aquisição adequada ao seu grupo. Para atrair a jovem, ele pede ajuda da velha Jessie de Coventry (Helene Winston), com quem barganha o favor.

O Feiticeiro é mais um filme sobre bruxaria e satanismo com a estética e a criatividade características da década de 1960. A primeira metade do filme é um primor, com as locações belíssimas dos pântanos da Louisiana encerrando a paisagem por todos os lados, uma atmosfera sinistra criada sem muitos elementos adicionais, e um roteiro que, ao passo que não vai ser levado a sério pelos céticos (justamente por se levar a sério, em partes), é bem elaborado ao construir passo a passo o que está sendo criado em cena.

A base de toda a trama é o discurso parapsicológico, bem esmiuçado para o espectador a partir do personagem jornalista, e se conecta bem com o núcleo “bruxo” da história – ainda que este seja tomado pela perspectiva do “mal” ao associar magia ao satanismo e assassinatos.

Os personagens de Luther e Jessie e o trabalho dos atores que os interpretam são um show à parte. Eles brilham em momentos isolados, mas principalmente na cena descrita no início desse texto, onde a química natural entre eles chega ao ápice.

Há alguns poréns, entretanto, como a caracterização pobre de alguns personagens, e a consideração de que o filme cai muito a partir do terceiro ato, se estabelecendo no lugar comum, mediano, dos filmes do mesmo estilo – mas nada que comprometa o resultado final. O Feiticeiro segue divertido e interessante de acompanhar, sendo mais uma joia do baú de curiosidades infinitas que é esse período “late 60s/early 70s”.

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1 comentário

  1. Ótimo filme. Ainda tem Thordis Brandt explodindo em sensualidade . Que mulher espetacular

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