Superman III (1983)

4.1
(8)

Superman III
Original:Superman III
Ano:1983•País:EUA, UK
Direção:Richard Lester
Roteiro:David Newman, Leslie Newman
Produção:Pierre Spengler
Elenco:Christopher Reeve, Richard Pryor, Margot Kidder, Jackie Cooper, Marc McClure, Annette O'Toole, Annie Ross, Pamela Stephenson, Robert Vaughn, Gavan O'Herlihy, Graham Stark

Toda a confusão dos bastidores de Superman II: A Aventura Continua refletiu na produção de Superman III (1983). Richard Donner, que inicialmente pensava em conduzir novas continuações depois da parte 2 – inclusive iria incluir o vilão Brainiac como ameaça à Metrópolis e ao herói -, foi demitido antes que pudesse terminar as filmagens do segundo filme, sendo substituído por Richard Lester, permitindo assim duas versões da mesma produção. Assim, o novo diretor, com o aval dos produtores Alexander e Ilya Salkind, sentiu-se à vontade para rodar um terceiro filme, ao seu estilo.

Esse “seu estilo“, mais leve e bobo, transformou Superman III em uma comédia pastelão, destoando do que fora feito nos dois primeiros. Se Superman – O Filme e Superman II, o trato com o humor envolvia apenas o comparsa de Lex Luthor (Gene Hackman), Otis (Ned Beatty), e o próprio Clark Kent (Christopher Reeve), aqui todos os cidadãos de Metrópolis são atrapalhados e caracterizados ridiculamente. A cena inicial, na cidade, é completamente dispensável ao mostrar cabines telefônicas sendo derrubadas, um brinquedo de pinguim se incendiando, um cego se perdendo, pessoas caindo em bueiros e até baldes de tinta caindo sobre alguém. O diretor havia mostrado um pouco desse tom em seus trabalhos anteriores e fez o mesmo com o herói de Krypton. Porém, curiosamente, Clark Kent não está bobo como nos dois primeiros filmes, quando ele esbarrava em tudo no serviço, deixando seu terno e chapéu caírem o tempo todo, além de sua gagueira característica.

Além dessa mudança de estilo, o afastamento de Donner fez Gene Hackman não ter interesse em reprisar seu papel. Embora tal afirmação tenha sido negada e o ator alegado estar ocupado com outros papéis, ele chegou a dizer na época que sua volta seria algo como um serial killer de filme de terror, provavelmente em comparação a Jason Voorhees. Já a eterna Lois Lane, Margot Kidder, até queria participar do filme, mas por ter criticado publicamente os produtores, há quem diga – outra informação negada posteriormente – que seria uma espécie de vingança terem reduzido seu papel a duas aparições de menos de um minuto.

Sem Hackman, o supervilão da vez é o empresário Ross Webster (Robert Vaughn), com o apoio de sua irmã (Annie Ross) e da namorada Lorelei (Pamela Stephenson). Depois que descobrem o desvio de dinheiro do programador Gus Gorman (o bom ator de comédia Richard Pryor), resolvem chantageá-lo para que ele os ajudem em um plano de domínio mundial, na construção de um imenso computador com inteligência artificial ou, como dizem, capaz de “se defender sozinho“. Enquanto isso, no Planeta Diário, Lois Lane ganha uma viagem de férias para Bermudas, e Clark convence seu chefe, Perry White (Jackie Cooper), a deixá-lo partir com o fotógrafo Jimmy Olsen (Marc McClure) para uma reunião de ex-estudantes em Smallville.

Lá, Clark ajuda a salvar uma empresa de produtos químicos de um incêndio, ferindo Jimmy, e reencontra uma colega, Lana Lang (Annette O’Toole), divorciada do bebum Brad (Gavan O’Herlihy) e mãe do pequeno Ricky (Paul Kaethler). É claro que ela irá substituir Lois como interesse amoroso de Clark, sem a mesma performance e química de Kidder. Como dificuldade para Superman, Webster vai provocar um tornado de grandes proporções na Colômbia, e depois pedirá a Gus para criar kryptonita, sem identificação de um dos componentes, substituindo-o por alcatrão.

Mesmo não perdendo força com o toque na pedra, Superman será afetado de tal modo que terá uma grande mudança de personalidade, passando a agir com frieza, malícia e egoísmo. Ele então desentorta a Torre de Pisa, apaga a Chama Olímpica e permite o vazamento de óleo de um petroleiro, além de pouco se importar com acidentes e outros desastres. Tal condição o fará confrontar seu lado humano, representado pelo Clark Kent, em um ferro-velho, em um longo embate que quase fez o longa se chamar Superman vs Superman. Depois ainda terá tempo para um combate com Webster, o super computador e Vera, transformada em um ciborgue.

A proposta original, caso Donner continuasse à frente da produção, envolveria, além de Brainiac, a presença da Supergirl. O futuro diretor de O Feitiço de Áquila (1985), Os Goonies (1985), da franquia A Máquina Mortífera e Os Fantasmas Contra Atacam (1988) talvez tornasse a narrativa mais interessante do que o que fora feito pelo roteiro de David e Leslie Newman. Superman III é muito problemático, longo e desinteressante, descaracterizando Clark Kent, afastando Lois Lane e o carismático Gene Hackman.

Há alguns bons efeitos especiais ali, como a batalha entre Superman e Clark Kent e a sequência de destruição de uma igreja na Colômbia. Também deve-se enaltecer mais uma vez a atuação de Christopher Reeve, que chega a mudar de aparência em suas atitudes maldosas e até na bebedeira em um boteco. É uma pena que seu talento seja desperdiçado em um filme tão ruim.

Com avaliações medianas, tendo nota 5,0 no IMDB, Superman III é, para mim, pior do que o quarto filme, que teve uma menor aceitação do público. Com um orçamento estimado em U$39 milhões, o terceiro arrecadou U$80, o que se mostrou rentável e permitiu o desenvolvimento de mais uma sequência. Havia a preocupação, claro, que não houvesse fôlego para uma nova aventura, e realmente não houve. Superman voltaria para novos confrontos, desta vez enfrentando um inimigo nuclear, mas com um imenso ponto fraco.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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