O Feitiço de Áquila (1985)

4.9
(7)

O Feitiço de Áquila
Original:Ladyhawke
Ano:1985•País:EUA, Itália
Direção:Richard Donner
Roteiro:Edward Khmara, Michael Thomas, Tom Mankiewicz, David Webb Peoples
Produção:Richard Donner, Lauren Shuler Donner
Elenco:Matthew Broderick, Rutger Hauer, Michelle Pfeiffer, Leo McKern, John Wood, Alfred Molina, Loris LoddiGiancarlo Prete, Ken Hutchison, Alex Serra, Charles Borromel, Massimo Sarchielli

Uma fotografia vermelha ardia sob a vista daqueles que ousavam rever O Feitiço de Áquila, exibido à exaustão na Sessão da Tarde dos anos 90. E valia a pena acompanhar novamente essa leve aventura medieval que abrigava um romance platônico e mágico, na inspiração das mais intensas fantasias. E também tinha no elenco a beleza estonteante de Michelle Pfeiffer, aquela por quem “todos acabam se apaixonando de maneira diferente“, o talentoso Rutger Hauer (que no ano seguinte faria A Morte pede Carona) e o carismático Matthew Broderick, o eterno Ferris Bueller. Isso sem falar na direção do requisitado Richard Donner, de obras reconhecidas como A Profecia (1976), Superman – O Filme (1978), Superman II (1980) e depois continuaria produzindo clássicos como Os Goonies (1986), Máquina Mortífera (1987), Os Fantasmas Contra Atacam (1988)…Tantos bons nomes envolvidos só poderiam resultar em uma produção inesquecível, com cenas memoráveis e diálogos sempre lembrados na história do cinema.

O enredo é de uma simplicidade absurda. Ambientado na Itália medieval, o longa começa com a improvável fuga de um prisioneiro da prisão de Áquila, bem quando seria levado à morte. Apelidado de Rato, justificado pela sua capacidade de esgueirar por lugares apertados, o ladrão Phillipe Gaston (Broderick) consegue a liberdade pelos esgotos do castelo até encontrar problemas com soldados ao se gabar pela destreza conquistada. Contudo, ele é salvo por um cavaleiro, Etienne Navarre (Hauer), que busca meios de encontrar uma entrada para o castelo para se vingar do Bispo (John Wood), que o amaldiçoou. Usando roupas escuras, cavalgando o cavalo Golias e armado com uma espada que acompanha por várias gerações, o que chama a atenção em Navarre são suas características peculiares: ele sempre leva consigo uma águia, e à noite desaparece para dar lugar a um lobo negro.

Bispo: “Uma linda mulher com pele de alabastro e olhos de pomba. Ela viaja à noite, apenas à noite. Seu sol é a lua. E o nome dela é … Isabeau. Encontre-a e você encontrará o lobo. O lobo que eu quero. O lobo que … a ama.”

A ave na verdade é Isabeau (Pfeiffer), condenada a viver nessa condição a cada nascer do sol, assim como acontece com Navarre, em sua versão licantropo, a cada pôr. Sem poder se tocar como humanos e sem lembranças enquanto assumem suas formas como animais, Isabeau e Navarre protagonizam uma bela lenda romântica, vivendo a amargura de estarem juntos, mas separados. Phillipe, que até então era acostumado a viver de roubos, sem um rumo certo, inicialmente não sabe sobre a maldição, mas aos poucos percebe o que acontece e passa a ajudar o casal, principalmente quando Isabeau é gravemente ferida por um flecha e ele é incumbido de levá-la ao padre Imperius (Leo McKern), que tem uma dívida com eles por ter sido um dos responsáveis pelo fardo. Talvez a solução não seja simplesmente matar o Bispo, mas encontrar um meio de encerrar a maldição, algo que necessite da ajuda de um fenômeno.

Um dos grandes trunfos de O Feitiço de Áquila é, sem sombra de dúvida, a química que envolve todo o elenco. Com boas atuações, como a de Broderick, cujo personagem mantém um diálogo constante com Deus, algo que talvez tenha inspirado a quebra da quarta parede de Ferris Bueller, ainda é possível perceber a rápida participação de Alfred Molina como o gigantesco Cezar, um dos mais conceituados capatazes e caçadores de lobo do Bispo e que protagoniza umas das cenas mais tensas ao mostrar a Isabeau a carcaça de um animal, fazendo-a acreditar que Navarre possa ter partido. O veterano John Wood (que também estrelou Jogos de Guerra com Broderick) faz um dos vilões mais incômodos do cinema dos anos 80, daqueles cuja presença já permite o asco do espectador.

Com o falecimento de Rutger Hauer em 2019, O Feitiço de Áquila voltou a ser exibido na TV, principalmente em canais como o Telecine Cult. Uma clássica aventura, com toques de humor e fantasia, e que ainda se mantém divertida mesmo com o passar dos anos. É sempre muito bom revê-la!

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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