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A Porta do Inferno
Original:Hellgate
Ano:1989•País:África do Sul
Direção:William A. Levey
Roteiro:Michael S. O'Rourke
Produção:Anant Singh
Elenco:Ron Palillo, Abigail Wolcott, Carel Trichardt, Petrea Curran, Evan J. Klisser, Joanne Warde, Frank Notaro, Lance Vaughan

No mesmo ano em que Mary Lambert despertava os mortos de um cemitério indígena, William A. Levey dava a sua contribuição ao subgênero, misturando lendas, com assombrações e uma cidade fantasma. A Porta do Inferno (Hellgate, 1989) — não confundir com A Terceira Porta do Inferno, de Claudio Fragasso, lançado no mesmo ano com diversos títulos incluindo Zombie 4 — é uma bagaceira de horror sul-africana que teve seu lançamento em VHS no Brasil pela Paris Video Filmes com a tagline:Além da escuridão, o terror vive para sempre“. Trata-se de uma produção de efeitos ruins e diálogos pavorosos e que deve interessar aos fãs de tranqueiras dos anos 80 com raios azulados e maquiagem tosca.

No enredo, a cargo de Michael S. O’Rourke (Moonstalker – Um Demônio Está Solto, 1989), três amigos estão contando histórias de terror numa cabana isolada nas montanhas da Sierra Nevada, durante uma forte tempestade, enquanto aguardam a chegada do último membro, Matt (Ron Palillo, que embora queira se passar por um jovem universitário já tinha quase quarenta anos na época. Ele atuou também no começo de Sexta-Feira 13 – Parte 6: Jason Vive, de 1986, tendo o coração arrancado por Jason). O mais bobo do trio, Chuck (Evan J. Klisser), está apelando para um conto de “ossos distorcidos e lodo verde“, incomodando sua namorada Bobby (Joanne Warde), que diz que “as únicas histórias realmente assustadoras são as que aconteceram de verdade.

A garota então conta a lenda dos “mochileiros de Hellgate“, a respeito de uma entidade fantasmagórica, Josie Carlyle (Abigail Wolcott), filha do magnata da mineração, Lucas (Carel Trichardt), que foi sequestrada por uma gangue de motoqueiros em 1959. Ao tentar salvá-la, seu pai atira um machado em um dos motoqueiros, que perde o controle da moto e atropela a garota, matando-a. A partir de então, Lucas passou a detestar qualquer forasteiro que chegue à cidade de Hellgate, onde ele atuava como prefeito. Seu capataz, Jonas (Victor Melleney), descobriu, em uma das minas, cristais capazes de trazer os mortos à vida, acidentalmente testando com um morcego de borracha que o incomodava no local.

Ao levar o artefato para Lucas, ele conseguiu usar os cristais para disparar um raio azulado sobre um peixe, fazendo o crescer descomunalmente até explodir e em Jonas, deformando-o. Mesmo com resultados não muito bons, o magnata achou que deveria trazer de volta Josie (o mesmo erro de Louis Creed), criando a lenda da caroneira que fica nas estradas arrastando pessoas para a cidade fantasma para serem mortas. E é Matt, que, no presente, perdido na estrada com a placa de seu veículo já com o spoiler “The Hero“, exatamente faz ao encontrá-la na estrada, sendo seduzido pela moça até seu casarão. Lucas utiliza os cristais como arma de laser para afastar o rapaz, mesmo que Josie já tenha manifestado seu interesse em ficar com ele.

Depois de reencontrar os amigos, incluindo a namorada Pam (Petrea Curran), Matt passa ser atraído pela cidade, curioso por um recorte de jornal sobre o desaparecimento do líder dos motoqueiros. Hellgate está quase deserta, somente tendo as almas de seus habitantes circulando pelas ruas ou revivendo suas tarefas de quando estavam vivos, como apresentação de piano ou em um espetáculo de dança. Quando Lucas percebe a aproximação dos forasteiros curiosos, utiliza os cristais para despertar os mortos e proteger mais uma vez sua filha. E, então, os jovens precisam encontrar uma forma de sair da cidade-fantasma de Hellgate, agora habitada por mortos-vivos.

No papel, a ideia parece até interessante: é sempre curioso acompanhar produções ambientadas em cidades mortas, com suas próprias lendas, ver os personagens confrontando entidades errantes e zumbis azulados. Mas A Porta do Inferno peca na dinâmica de sua narrativa, alternando momentos mais agitados com episódios em que nada acontece, além de diálogos horríveis e piadinhas de quinta série dos personagens. “Qual é a diferença entre uma garota de Paris e a Torre Eiffel? Nem todo mundo já subiu na Torre Eiffel!“. O’Rourke deve ter achado engraçado encher de conversas em que os jovens brincam com suas falas ou fazer a garota entortar os olhos ao receber um sexo oral, como se fosse uma comédia erótica.

Por falar em erotismo, A Porta do Inferno explora bastante a nudez da modelo Abigail Wolcott, que, sem experiência como atriz, por acaso estava na África do Sul e topou participar do filme. Há outros corpos nus na produção, comuns nos slashers do período, e pode divertir os marmanjos que buscam algo além de uma produção de horror. Os efeitos de maquiagem são risíveis, como a de Jonas se deformando antes de explodir, destacando apenas a caveirinha em animatrônico, que aparece em um carro e que lembra o Guardião da Cripta. Até as cenas de mortes são mal realizadas, sem contar as atuações banais e pouco convincentes de todo o elenco.

Já fora de catálogo, A Porta do Inferno é mais umas das pérolas oitentistas que podem atrair curiosos do período. E só. Sem dúvida, Hellgate não vale sua visita.

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