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Buffy, A Caça-Vampiros - 4ª Temporada
Original:Buffy, the Vampire Slayer - Season 4
Ano:1999-2000•País:EUA
Direção:Joss Whedon, David Grossman, James A. Contner, Tucker Gates, David Solomon, James A. Contner, Michael Lange, Nick Marck, Michael Gershman
Roteiro:Joss Whedon, Douglas Petrie, Tracey Forbes, Marti Noxon, Jane Espenson, David Fury
Produção:Gareth Davies, David Fury
Elenco:Sarah Michelle Gellar, Nicholas Brendon, Alyson Hannigan, Seth Green, Anthony Head, Marc Blucas, Pedro Pascal, Lindsay Crouse, Emma Caulfield Ford, Mercedes McNab, James Marsters, Kristine Sutherland, Paige Moss, Adam Kaufman, Leonard Roberts, Bailey Chase, David Boreanaz, Elizabeth Anne Alle, Amber Benson, Doug Jones, Robin Sachs, George Hertzberg, Jack Stehlin, Eliza Dushku, Danny Strong, Conor O'Farrell, Sharon Ferguson

O interessante da série Buffy, A Caça-Vampiros é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento dos personagens em um processo de amadurecimento pela qual todas as pessoas passam, da juventude à vida adulta. Foi a intenção inicial de seu criador, Joss Whedon, transportar para a televisão metáforas da complicada evolução do ser humano, desde a época escolar, quando, basicamente, constroem-se caráter e traumas. Nas primeira e segunda temporadas, Buffy (Sarah Michelle Gellar) estava no segundo ano do ensino médio, tendo que encarar mudança de escola e a relação com novos amigos e desafios como a primeira relação sexual, as mentiras que contava para a mãe sendo descobertas e conflitos como o bullying e a sensação de não pertencimento. Na terceira, ela já era uma veterana em seu último ano em Sunnydale High, o que não a afastou de decepções como a de confrontar adultos, jovens problemáticas como ela e não saber para onde ir, qual futuro poderia ter na universidade.

A vida universitária não seria tão fácil quanto os anos anteriores. E a quarta temporada partiu para os primórdios da vida adulta, colocando-a em mais situações que envolvem os estudos profissionais, o afastamento do namorado e a independência cada vez mais necessária. Porém, apesar de todos os temas estarem ali à disposição para novos combates com demônios e inimigos sobrenaturais, a temporada se perdeu em episódios ruins e desnecessários e não trouxe os acréscimos que as anteriores foi capaz: não teve uma nova Faith, e as novidades não foram assim tão surpreendentes, faltando inclusive um final apoteótico como visto nas três primeiras. A primeira parte da temporada foi mais divertida, com alguns momentos hilários e dignos de nota.

Teve início em 5 de outubro de 1999, algumas semanas depois da exibição do episódio atrasado, “Earshot“, que foi retirado do cronograma pela trágica semelhança com a tragédia de Columbine. Em “The Freshman“, de Whedon, Buffy é uma caloura perdida na imensidão da universidade, distante dos amigos e tendo que enfrentar “a grosseria” de professores não acostumados a passar a mão na cabeça de alunos. Logo ela reencontra a empolgada Willow Rosenberg (Alyson Hannigan) em paz com o namorado Oz (Seth Green), um Giles (Anthony Head) deixando-a livre para resolver seus problemas com a affair Olivia (Phina Oruche) e Xander (Nicholas Brendon), que optou por não seguir a vida escolar e ficará alternando entre empregos. Das novidades, ela tem o primeiro contato com a professora Maggie Walsh (Lindsay Crouse) e seu estudante de cabeceira, Riley Finn (Marc Blucas), e conhece a sua companheira de dormitório, Kathy Newman (Dagney Kerr). Soldados são vistos discretamente pelo campus, e Buffy tem um contato rápido com outro perdido, Eddie (o astro Pedro Pascal em pontinha creditado ainda como Pedro Balmaceda). Um bom episódio, com uma Buffy desorientada e a ameaça poderosa da vampira veterana Sunday (Katharine Towne) e seu grupo de sequestradores de estudantes.

Living Conditions“, de David Grossman, mostra Buffy tendo problemas com o comportamento de Kathy, convencendo-se que ela é um demônio. Logo suas ideias se mostram certas quando ela se revela como parte da espécie Mok’tagar. A caçadora teve os primeiros contatos com o jovem Parker (Adam Kaufman), e Oz se sentirá brevemente atraído pela estudante Veruca (Paige Moss). O seguinte, “The Harsh Light of Day“, de James A. Contner, traz Harmony (Mercedes McNab), a amiga fútil de Cordélia, e que foi vampirizada na temporada anterior, agora como namorada de Spike (James Marsters), que passa a ser personagem regular da temporada, uma das boas ideias. Spike está atrás da Joia de Amara, um anel capaz de deixar os vampiros invencíveis e podendo andar à luz do dia. Harmony encontra a peça e Spike tem uma breve luta com Buffy numa tarde até tirar a joria e entregar para Oz, que irá fazer turnê em Los Angeles, e poderá deixar com Angel (David Boreanaz). Nesse episódio, Buffy tem relações com Parker e, como Angelus, é mais uma vez rejeitada, fazendo-a questionar sobre ter algum problema. Primeiro ótimo episódio da temporada, em momentos bem intensos de encontros e desencontros.

Exibido na proximidade do Halloween, “Fear Itself“, dirigido por Tucker Gates, coloca os jovens presos numa casa assombrada, tendo que experimentar seus medos. Xander se vê invisível, Oz sem controle sobre sua natureza licantropa, Willow se sente insegura com a magia…Anya (Emma Caulfield Ford) vestida de coelho, por achá-los assustadores, pede ajuda a Giles, e logo descobrem que os estudantes acidentalmente despertaram o demônio do medo, Gachnar (Adam Bitterman), até descobrirem que ele não é tão amedrontador quanto se imagina pelas fotos no livro em “tamanho real“. Divertido, seguindo a tradição de outros lançados no período. Diferente de “Beer Bad“, de David Solomon, um dos piores episódios de todas as temporadas de Buffy. Abalada pelo fora de Parker, Buffy bebe cerveja com veteranos sem saber que ela foi “batizada” e irá transformar o grupo todos em humanos das cavernas. Atuações ruins e muita semelhança com outros como o da matilha de hienas, este é um episódio que faria mais sentido na primeira temporada, quando a série ainda não sabia para onde ir. Por fim, nem o dono do bar, Jack (Steven M. Porter), onde o Xander trabalha, sofre alguma pena pela mistura realizada. E entre os veteranos há o rosto conhecido de Kal Penn (depois faria os filmes Madrugada Muito Louca e estrelaria séries como 24 Horas e Clarice).

Wild at Heart“, de Grossman, por outro lado, é interessante. Finalmente descobre-se que Veruca também é uma licantropa, o que justifica sua atração por Oz. Eles se aproximam e o rapaz acaba traindo Willow com a garota, que, diferente dele, não quer se ver presa. Em outras palavras, ela é uma Faith dos lobisomens! Bom episódio, não centrado em Buffy, e que marca basicamente a saída de Oz da série. Seth Green teria mais duas participações na temporada até se dedicar exclusivamente ao cinema, numa perda de personagem bastante sentida por Joss Whedon. A temporada começa a apresentar seus rumos com o importante episódio, “The Initiative“, comandado por Contner. Nele é revelado que Riley é um soldado desse grupo conhecido como Iniciativa, que sequestra demônios e vampiros para a realização de experimentos, sob o comando da professora Walsh. Dois outros soldados irão se destacar como colegas de faculdades e paramilitares: Forrest (Leonard Roberts) e Graham (Bailey Chase). A parte interessante é saber que Riley está começando a se interessar pela caçadora, sem saber quem ela é, e Spike é sequestrado e mantido em cativeiro, algo que mudará os rumos de seu personagem nas próximas temporadas.

Esse episódio também trouxe dois momentos divertidos: um é a luta entre Xander e Harmony em um confronto ridicularmente hilário com a trilha de combate normal como se fosse a Buffy combatendo vampiros; e o outro foi quando Spike tentou morder Willow e foi impossibilitado pelo chip que a Iniciativa colocou em seu cérebro. Toda a discussão faz alusão à impotência numa tentativa de relação sexual, quando as pessoas questionam quem seria o verdadeiro problema, conforme a reprodução integral abaixo:

Spike: Eu não entendo… Esse tipo de coisa nunca aconteceu comigo antes.
Willow: Talvez você estivesse nervoso.
Spike: Eu me senti bem quando comecei… Vamos tentar novamente.
Spike: Ai! Ah!
Spike: Ai…! Droga!
Willow: Talvez você esteja se esforçando demais… Isso não acontece com todos os vampiros?
Spike: Não para mim, não é.
Willow: Sou eu, não é?
Spike: Do que você está falando?
Willow: Bem, você veio procurar por Buffy, então se estabeleceu. Eu-eu… Você não queria me morder. Acontece que eu estava por perto.
Spike: Bobagem!
Willow: Eu sei que não sou o tipo de garota que os vampiros gostam de cravar os dentes… É sempre como, “Ooh, você é como uma irmã para mim” ou, “Oh, você é uma boa amiga”.
Spike: Não seja ridículo. Eu te morderia em um piscar de olhos.
Willow: Sério?
Spike: Pensei nisso.
Willow: Quando?
Spike: Lembra do ano passado, você tinha aquela roupa rosa difusa com o lilás embaixo?
Willow: Eu nunca teria imaginado.
Spike: Mmm. Eu odeio ser óbvio. Tira o mistério.
Willow: Mas se você pudesse…
Spike: *Se* eu pudesse, sim.
Willow: Você sabe, isso não o torna menos aterrorizante.
Spike: Não me console.

O oitavo episódio, “Pangs“, de Michael Lange, promove uma divertida comemoração do Dia de Ação de Graças. Quando Xander, trabalhando na obra de desenvolvimento do novo Centro Cultural da UC Sunnydale, abre um acesso a um local sagrado dos Chumash, e a entidade Hus (Tod Thawley) aparece para vingar o passado. A ameaça nem é tão importante quanto os diálogos, colocando todos os personagens em debate na casa de Giles sobre colonização, incluindo um Spike amarrado e a visita de Angel, sem que Buffy saiba. A conversa mistura a produção na cozinha com os conflitos pessoais, resultando em situações hilárias como a da doença contraída por Xander.

Spike: Eu simplesmente não aguento toda essa vaia sobre os malditos índios.
Willow: Uh, o termo preferido é …
Spike: Você ganhou. Está bem? Você entrou e os matou, e tomou suas terras. Isso é o que as nações conquistadoras fazem. É o que César fez, e ele não está saindo por aí dizendo: “Eu vim, conquistei, me senti muito mal com isso”. A história do mundo não é pessoas fazendo amigos. Você tinha armas melhores e os massacrava. Fim da história.
Buffy: Bem, acho que os espanhóis realmente fizeram muito…
Buffy: Não que eu não goste de espanhóis.
Spike: Ouça você. Como você vai lutar contra alguém com essa atitude?
Willow: Não queremos brigar com ninguém.
Buffy: Eu só quero ter o Dia de Ação de Graças.
Spike: Sim… Boa sorte.
Willow: Bem, se pudéssemos falar com ele…
Spike: Você exterminou a raça dele. O que você poderia dizer que o faria se sentir melhor? É matar ou ser morto aqui. Faça sua maldita escolha.
Xander: Talvez seja a sífilis falando, mas … parte disso faz sentido.

Something Blue“, de Nick Marck, também é calcado no humor. Quando Willow tenta realizar um feitiço para esquecer Oz, ela acaba alterando a realidade: Giles fica cego, Buffy e Spike se tornam noivos e Xander vira um imã de demônios. A tentativa de reverter traz em cena o demônio D’Hoffryn (Andy Umberger), querendo recrutar Willow para se tornar uma entidade vingativa, ocupando a vaga de Anya. Todas as situações trazem momentos engraçados entre os personagens na casa de Giles, com destaque para o noivado de Buffy, revelando seu casamento para Riley, cada vez mais próximo dela.

Spike: [para Buffy] O que você está olhando?
Buffy: [para Spike] O homem que eu amo.
[eles começam a se beijar]
Xander: Posso ficar cego também?

O décimo episódio, “Hush“, de Whedon, é um dos melhores episódios de todas as temporadas de Buffy. É aquele sempre lembrado pelos fãs pela apresentação de uma ameaça aterrorizante — muita gente guarda bonecos e referências aos seres que aparecem aqui — e pelas situações engraçadas e inovadoras. Conhecidos como “Cavaleiros“, esses serem chegam a Sunnydale e roubam a voz de todas as pessoas, que despertam em desespero. Carros são vistos abandonados, pessoas enlouquecidas pelo pesadelo de não poder se comunicar verbalmente, numa situação que persiste por 27 minutos. Bem antes da geração whatsapp, Willow e Buffy têm a ideia de colocar uma plaquinha no peito para se expressarem, e Giles os conduzem a uma sala de aula onde apresenta slides com desenhos toscos sobre os inimigos sobrenaturais, que se movem assustadoramente sem mover os pés e são acompanhados de criaturas bestiais, com relação a um conto de fadas. Um dos monstros foi interpretado pelo especialista Doug Jones, que depois atuaria como criaturas em Hellboy (2004) e O Labirinto do Fauno (2006) e tantos outros. Considerado um dos episódios favoritos de vários do elenco, “Hush” foi uma das primeiras amostras do quanto Whedon iria desenvolver na série Buffy, incluindo o musical. E também foi o que incluiu definitivamente Tara (Amber Benson, ainda limitada como atriz) como personagem regular, e permitiu a descoberta de Riley e Buffy sobre a identidade secreta um do outro, terminando literalmente sem palavras! Excelente!

Em “Doomed“, de Contner, demônios com uma marca triangular tentam reabrir a Boca do Inferno, causando tremor em Sunnydale e obrigando os personagens a retornarem às ruínas da antiga escola. Buffy conversa com Riley sobre sua condição como a a Escolhida, enquanto tentam encontrar meios de enfrentar as criaturas e evitar um novo apocalipse. Episódio razoável, com estrutura das antigas, com pesquisa e combate ao “monstro da semana“, sem que o tom apocalíptico faça alguma grande diferença. No seguinte, “A New Man“, de Michael Gershman, Giles conhece a professora Walsh e depois, ao beber com o vilão humano Ethan Rayne (Robin Sachs), em sua última participação na série, transforma-se em demônio, causando confusões e sendo ajudado por Spike, único que consegue entender a língua dos Fyarl. Episódio que marca o aniversário de 19 anos da Buffy e vale pela interpretação de Giles e pelas situações que metaforizam a crise de meia idade.

The I in Team“, de Contner, traz Buffy finalmente conhecendo a Iniciativa por dentro, e impressionada com a grandiosidade dos galpões e a estrutura. E o que a Professora Walsh esconde na sala 314, temida por demônios, finalmente é conhecido: ela está produzindo uma criatura híbrida de vários seres para fins militares, intitulado Adam (George Hertzberg), que será a grande ameaça da temporada. Episódio regular, encerrando a participação da professora após a criação de seu Monstro de Frankenstein. Curiosamente, Buffy tem relações com Riley e acorda assustada, achando mais uma vez que foi abandonada pelo parceiro, numa boa ideia do roteiro.

A morte de Walsh trará consequências em “Goodbye Iowa“, de David Solomon, quando Riley sofrerá pela abstinência das medicações que tomava até então. Buffy e Xander entrarão na Iniciativa e terão um breve encontro com Adam e o outro cientista que trabalhava no experimento, Dr. Angelman (Jack Stehlin). Nesse episódio, os soldados quase irão saber que Spike está escondido na casa de Giles, depois que o acertam com um rastreador. Mais um episódio razoável, que traz pouco avanço na trama, quase funcionando como o “monstro da semana“.

Faith (Eliza Dushku) desperta do coma no episódio “This Year’s Girl“, de Gershman, ainda sem saber sobre a morte do prefeito, vilão da temporada anterior. Terá alguns confrontos com a Gangue do Scooby, até ter a oportunidade de utilizar um presente recebido, um acessório que permite que ela troque de corpo com a Buffy. “Who Are You?“, de Whedon, trará exatamente esse conflito e várias confusões, enaltecendo a excelente capacidade interpretativa de Sarah Michelle Gellar, que copia trejeitos e até o modo de falar e olhar para as outras pessoas. Dois episódios fantásticos e que serão ampliados na série Angel, mostrando o quanto Faith é essencial para a série.

Superstar“, de Grossman, é divertidinho. O coadjuvante Jonathan (Danny Strong), participativo nas outras temporadas da série, realizou um feitiço que o tornou uma celebridade mundial. Entre seus feitos estão a criação da internet, ter atuado em Matrix, além de esportista, músico, treinador de futebol e autor de best-sellers. Essa realidade alternativa faz com que outros personagens sejam afetados pelo reconhecimento da importância do rapaz até na morte de grandes vilões das temporadas anteriores, à exceção de Adam, que percebe sua condição artificial.

Mais um dos piores exemplares de toda a série, “Where the Wild Things Are“, de Solomon, coloca crianças fantasmas numa festa universitária cuja força é alimentada pela energia sexual de Buffy e Riley. Ambos passam o episódio inteiro na cama, enquanto Xander tenta se resolver com Anya e pede ajuda dos demais. Episódio péssimo na condução, na ameaça e em tudo mais. No décimo nono, “New Moon Rising“, de Contner, Oz retorna a Sunnydale após dominar seus instintos animalescos após um tempo com monges do Tibet, no exato momento em que Willow se aproxima de Tara como namoradas. A raiva o transforma em lobisomem e ele é capturado pela Iniciativa, obrigando o grupo a salvá-lo. Os lobisomens que atacaram os soldados nem foram investigados, por fim, e a atuação de Amber Benson nas cenas dramáticas e de fazer chorar. Episódio bonzinho, destacando uma Willow em conflito.

Grossman comanda o interessante “The Yoko Factor“, mostrando a união de Spike a Adam em um esforço para corromper os grupos e facilitar as ações do vilão. Spike havia dito na segunda temporada que Buffy se mostra uma caçadora melhor por ter amigos, o que justifica sua tentativa de destruição da equipe. Em troca, Adam promete remover seu chip para permitir que ele volte a atacar as pessoas. Tem uma participação pequena mas boa de Angel, lutando com Riley por ciúmes! Há também boas brigas entre os integrantes da Gangue do Scooby, em um conflito que trará frutos no episódio seguinte, “Primeval“, de Contner.

Nele a turma contorna as diferenças para invadir a Iniciativa e enfrentar Adam e seus ciborgues como a professora Walsh e Forrest, em caracterizações de produções de sci-fi, atuando como zumbis. Em um combate bem orquestrado, os demais, Giles, Xander e Willow participam de um feitiço que os une e dá a Buffy uma força maior de resistência contra o poderoso vilão, cujo ponto fraco em um núcleo de urânio localizado em seu corpo. Buffy representa a “mão” (ou força), Giles seria o cérebro (ou sábio), Xander, o coração (ou coragem) e Willow, o espírito (ou poder). Bem intenso o episódio traz uma caçadora como Neo de Matrix, conseguindo conter balas e transformando um foguete em pássaros.

Apesar de interessante não foi o último episódio. Ainda teria tempo para “Restless“, de Whedon, um episódio antológico, dividido em quatro segmentos em que cada um dos personagens principais se envolve em um sonho com a primeira caçadora, Sineya (Sharon Ferguson). Amplamente simbólico com diversas metáforas que atendem a momentos da série, o episódio traz aparições do diretor Snyder (Armin Shimerman), numa referência a Apocalypse Now, e Oz em sua última participação na série. O próprio vilão Adam surge em sua forma “normal“, e ainda há outros nunca vistos como o pai de Xander (Michael Harney) e o sem sentido homem do queijo. Apesar de interessante, o episódio não serve como fim de temporada, sem o impacto que envolveu as outras, sendo até meio cansativo. Pelo menos antecipa a falsa-irmã de Buffy, Dawn, entre as falas enigmáticas.

Entre bons e momentos fraquinhos, a quarta temporada foi um balde de água fria na série. Se Buffy fosse produto da atualidade de uma plataforma de streaming, dificilmente sobreviveria para uma quinta. A introdução de Riley não serviu muito a série, assim como a Iniciativa e as relações com a vida universitária. Há, sem dúvida, o excelente episódio “Hush” como principal destaque, e a vinda de Tara, com algumas limitações interpretativas, algo que se resolveria já no próximo ano, quando a faculdade perderá importância e Joss Whedon tentará resgatar o clima das três primeiras.

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