Cortabundas – O Maníaco do José Walter (2012)

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Cortabundas - O Maníaco do José Walter
Original:Cortabundas - O Maníaco do José Walter
Ano:2012•País:Brasil
Autor:Jansen Viana•Editora: Banco do Nordeste

Quem assistiu o bonzão O Agente Secreto, do Kléber Mendonça Filho, deve ter se divertido com as imagens da “perna cabeluda” atacando os casais de namorados no Recife da década de 1970. Pulando um trajeto imaginário, a tal Perna conseguiu deixar Recife, onde, supostamente, servia de bode expiatório para as agressões policiais contra grupos minoritários durante a ditadura militar, para chegar no Ceará, já na década de 1980, mais violenta, tornando-se assassina, e criando um verdadeiro cenário de horror no imaginário das crianças daquela época .

Os relatos das aparições da Perna Cabeluda em Fortaleza se concentravam nos bairros de periferia Mondubim e José Walter, este último, onde curiosamente surgiu uma das figuras mais míticas do folclore fortalezense, muito singular, diga-se de passagem: o Cortabundas. Só que o Cortabundas não tem nada de mítico. Ele foi um maníaco sexual real que aterrorizou os moradores do bairro José Walter durante aproximadamente quatro anos – entre 1985 e 1988, ano em que foi assassinado na prisão.

Seu modus operandi era dos mais curiosos – e bizarros: ele não matava ou assaltava sexualmente nenhuma de suas vítimas. Ele invadia as casas do bairro, geralmente de mulheres ou meninas que sabia estarem sozinhas no momento, e as atacava cortando suas nádegas com uma navalha. Após o ataque, aproveitava o susto da vítima e fugia sem ser visto, e sem levar nenhum dos pertences das vítimas.

Quem conta essa história para as novas gerações é o administrador e escritor Jansen Viana, no seu livro Cortabunda – O Maníaco do Zé Walter, lançado em 2012 pela editora Banco do Nordeste. A ideia do livro, conforme o autor declarou em entrevistas, surgiu quando percebeu que a “persona” do Cortabundas havia ultrapassado os noticiários e se tornado parte da mítica local. Ao contrário da Perna Cabeluda ou da Loira do Banheiro, que também aportaram por terras cearenses, mas não “nativas”, o Cortabunda é um fenômeno genuinamente fortalezense.

A narrativa de Jansen, no entanto, não vai a ferro e fogo na investigação policial que levou à prisão do psicopata. Durante seis meses, Jansen entrevistou moradores do José Walter, familiares e vítimas, médicos que as atenderam em hospitais na época dos ataques policiais e jornalistas que escreveram sobre o caso, além de vasculhar arquivos de jornais e emissoras de televisão para criar uma narrativa parcialmente fictícia em cima da realidade.

Essa narrativa, por sua vez, é leve e aposta numa certa comicidade que, acredito, não existia enquanto o caso estava em aberto. Tudo é narrado com humor e muitos toques de nostalgia e termos extraídos do “cearês” cotidiano, e apesar de não ser fã dessa nostalgia imposta quase a cada página, a estratégia serve para deixar o texto bem leve e original.

Além desse lado ficcional, a edição ainda presenteia aqueles que tem a curiosidade sobre o fato com o clipping de todas as matérias jornalísticas publicadas sobre o maníaco desde seu primeiro ataque, em 1985, até o dia de sua morte na prisão, em 1988 – essa sim uma narrativa densa e curiosa de conhecer.

Jansen Viana nasceu em Fortaleza, e é bacharel em Administração de Empresas e Teologia. Atualmente, possui mais de 10 livros publicados, entre poesias, contos, crônicas, romances e roteiros de cinema e teatro. Obteve o 1º lugar em vários concursos literários (FLI7, CAPEF e BNB Clube).

O infernauta curioso pode achar o livro Cortabunda – O Maníaco do Zé Walter de forma gratuita no formato Kindle, pela Amazon, e nas livrarias e sebos virtuais. Eu, como já tenho minha edição, fico por aqui esperando o Karim Ainouz inserir o personagem em alguma nova produção, talvez de forma menos cômica e mais crítica que a inserção da Perna Cabeluda n’O Agente Secreto.

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