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Brooklyn 45
Original:Brooklyn 45
Ano:2023•País:EUA, Canadá
Direção:Ted Geoghegan
Roteiro:Ted Geoghegan
Produção:Seth Caplan, Emily Gotto, Michael Paszt, Pasha Patriki, Sarah Sharp
Elenco:Anne Ramsay, Ron E. Rains, Jeremy Holm, Larry Fessenden, Ezra Buzzington, Kristina Klebe, Lucy Carapetyan

Dizer que um filme de guerra é de terror pode soar até um pouco redundante. Afinal, poucas coisas são mais assustadoras do que a capacidade humana de transformar o mundo em um enorme campo de pesadelos. Mas Brooklyn 45 faz algo ainda mais interessante: consegue falar dos horrores da guerra sem exibir muitas batalhas épicas, explosões ou soldados correndo em câmera lenta. Em apenas 1h32min, o filme nos mostra que algumas das piores feridas são aquelas que ninguém consegue enxergar.

A história nos leva para 1945, quando a Segunda Guerra Mundial dava indícios de seus últimos suspiros. As notícias chegavam aos pedaços, os rumores corriam soltos e muitas das atrocidades cometidas durante o conflito ainda estavam longe de vir à tona.

É nesse cenário que cinco velhos amigos se encontram na casa do TenenteCoronel Hock (interpretado por Larry Fessenden, rosto bastante conhecido dos fãs de terror por trabalhos como No Telling, Habit, Wendigo, The Last Winter e, mais recentemente, Bom Menino, de 2025).

 

O grupo é formado por quatro amigos e uma amiga, quase todos militares: o Tenente-Coronel Hock (anfitrião), o Major Paul Difranco (Ezra Buzzington, Mohawk, 2017), o Major Archibald Stanton (Jeremy Holm, The Ranger, 2018), Marla Sheridan (Anne Ramsay, A Possessão de Deborah Logan, 2014) e o marido dela, Bob Sheridan (Ron E. Rains, The Onion’s Film Standard, 2013/2025) — um alto funcionário do Pentágono que passa boa parte do filme servindo de chacota para os veteranos. O pobre sujeito só não é expulso da sala porque é casado com a queridinha do grupo.

Durante boa parte da exibição, tudo parece um encontro de ex-colegas que decidiram misturar terapia em grupo com lavação de roupa suja. As conversas giram em torno das lembranças da guerra, traumas, ressentimentos e segredos que ninguém estava muito interessado em compartilhar. O ritmo inicial é lento, é verdade, mas as atuações são tão boas que você aceita continuar naquela sala junto com eles.

Até que o Tenente-Coronel Hock resolve jogar uma granada no meio da conversa… A suposta reunião de apoio emocional tinha, na verdade, outro objetivo: realizar uma sessão espírita para entrar em contato com sua esposa Susan, que havia cometido suicídio.

E aí, infernautas, o filme tira o freio de mão da cautela. O que parecia um drama sobre veteranos traumatizados rapidamente se transforma em uma experiência tensa, claustrofóbica e imprevisível.

Visualmente, Brooklyn 45 é um espetáculo de atmosfera. A fotografia fria e a estética vintage fazem parecer que estamos folheando um álbum de memórias. O diretor de fotografia Robert Patrick Stern (A Cabeleireira, 2020) acerta em cheio ao contrastar a nostalgia do passado com a escuridão emocional que consome os personagens.

Outro ponto que merece aplausos é a decisão do diretor Ted Geoghegan (Ainda Estamos Aqui, 2015) de apostar com tudo nos efeitos práticos. Em tempos em que qualquer gota de sangue vira CGI, é um prazer ver ferimentos e fenômenos sobrenaturais criados com maquiagem, próteses e truques mecânicos. Tudo parece mais palpável, mais real e, consequentemente, muito mais perturbador.

As manifestações sobrenaturais também seguem a cartilha do terror clássico. Velas piscam, portas batem sozinhas, mesas balançam e objetos se movem utilizando efeitos físicos, sempre que possível. O computador entra apenas para dar um retoque aqui e ali, sem transformar os fantasmas em personagens que parecem ter sido retirados de um jogo de videogame.

A pós-produção, comandada por Nicholas Ashe Bateman (The Wanting Mare, 2020) e pelo estúdio canadense Purple Dog (The Sound, 2017), soube exatamente quando intervir e quando sair de cena. O resultado é um sobrenatural convincente, elegante e perfeitamente integrado ao clima teatral do longa.

Mas não se engane: embora boa parte do horror venha dos traumas da guerra e dos fantasmas que assombram a consciência dos personagens, Brooklyn 45 também entrega muito gore. Entre aparições inquietantes e revelações perturbadoras, o filme tem momentos de violência gráfica impactantes, sem cair na armadilha do exagero. Há sangue, há ferimentos grotescos e há cenas capazes de fazer espectadores mais sensíveis se remexerem na cadeira.

No fim das contas, o filme Brooklyn 45, com a sua mistura dos horrores da guerra com fantasmas bastante reais, constrói uma experiência sufocante, violenta e emocionalmente devastadora. Quando os mortos começam a falar, fica claro que algumas histórias não podem ser enterradas — e que certos fantasmas, sejam eles sobrenaturais ou psicológicos, sempre encontram um jeito de voltar para terminar o que começaram.

O filme está disponível no Prime Vídeo.

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