![]() Buffy, A Caça-Vampiros - 5ª Temporada
Original:Buffy, the Vampire Slayer - Season 5
Ano:2000/2001•País:EUA Direção:Joss Whedon, James A. Contner, David Solomon, David Grossman, Michael Gershman, Marti Noxon, Daniel Attias Roteiro:Joss Whedon, Rebecca Kirshner, Douglas Petrie, Jane Espenson, Marti Noxon, Tracey Forbes Produção:David Solomon, Jane Espenson, Gareth Davies Elenco:Sarah Michelle Gellar, Nicholas Brendon, Alyson Hannigan, Anthony Head, James Marsters, Emma Caulfield Ford, Michelle Trachtenberg, David Boreanaz, Kristine Sutherland, Amber Benson, Marc Blucas, Juliet Landau, Mercedes McNab, Charlie Weber, Clare Kramer, Bailey Chase, Julie Benz, Sharon Ferguson Harris Yulin |
Em 26 de setembro de 2000, a quinta temporada de Buffy, A Caça-Vampiros teve início. Era preciso corrigir muitas das falhas da anterior se quisesse pensar numa sobrevida, uma vez que a rotina de universitária de Buffy (Sarah Michelle Gellar) não se mostrou suficientemente interessante, assim como a introdução ao namorado militar insosso Riley Finn (Marc Blucas) e os conflitos que envolveram a Iniciativa, com seus experimentos na construção de um Monstro de Frankenstein. Houve, claro, alguns momentos marcantes, mas faltava resgatar o espírito de equipe, mesmo que precise deixar as metáforas e as crônicas sobrenaturais de lado. A nova temporada foi bem mais acertada, já em seu primeiro e surpreendente episódio, intitulado “Buffy vs. Dracula“.
Dirigido por David Solomon, a partir de um roteiro de Marti Noxon, é o episódio fan service da série, o sonho realizado dos fãs da personagem. Para alguns – e eu me incluo nesses -, Drácula podia até ser o vilão da temporada, algo que também seria bem interessante. Buffy é seduzida por Drácula (Rudolf Martin), enquanto Xander (Nicholas Brendon) assume o papel do Renfield com o olhar insano e a voracidade por insetos; Giles (Anthony Head) tem um encontro com as noivas, rendendo boas cenas que incluem a transformação de Drácula em morcego, algo inédito na série. Tudo funciona bem até mesmo o final bobo com a insistente volta de Drácula também contribui para torná-lo mais divertido. E termina com a primeira aparição de Dawn Summers (Michelle Trachtenberg), a nova irmã de Buffy.
Buffy: Então, deixe-me ver se entendi. Você é… Drácula… o cara, o conde.
Drácula: Eu sou.
Buffy: E você tem certeza de que isso não é apenas uma coisa de fan-boy? Porque eu lutei com mais do que alguns vampiros com espinhas e excesso de peso que se chamavam Lestat.
Drácula: Você sabe quem eu sou. Como eu saberia, sem dúvida, que você é Buffy Summers.
Buffy: Você já ouviu falar de mim?
Drácula: Naturalmente. Você é conhecida em todo o mundo.
“Real Me“, de David Grossman, apresenta oficialmente Dawn ao público. Causa um estranhamento inicial pelo fato de ninguém estranhar a caçula da família Summers, e ela mostrar o que pensa sobre os demais, incluindo seu interesse por Xander. Nesse episódio, o dono da Magic Box, loja de objetos de magia, é encontrado morto, e passará nos seguintes a ser o estabelecimento de Giles, usado para treinar a caçadora. A vampira fútil Harmony (Mercedes McNab) tenta liderar um grupo de vampiros, mas se sai bem mal na função, mesmo sequestrando Dawn. Bom episódio, com a participação de toda a gangue do Scooby e um aparente deslocamento de Riley (Marc Blucas).
Já o seguinte, “The Replacement“, de James A. Contner, tem dois Xanders, depois que um demônio o atinge com um feitiço. Uma boa oportunidade para a participação do irmão gêmeo do ator Nicholas Brendon, Kelly Donovan. Episódio razoável, tendo uma maior participação de Xander e sua dificuldade em fazer o simples: contar para os demais que existe um duplo dele. De Grossman, “Out of My Mind” traz a primeira expressão da doença que irá culminar com a morte de Joyce (Kristine Sutherland), já tendo dificuldade de perceber quem seria Dawn. Riley adoece, precisando de apoio médico, o que podia tirar sua condição mais forte, enquanto Spike (James Marsters) sequestra o Dr. Overheiser (Time Winters) para extrair o chip que o impede de atacar as pessoas. Ao final, ele tem um sonho em que está beijando Buffy e percebe que está apaixonado por ela. Episódio evolui bem, traz algumas ideias que serão exploradas na temporada, e conta com a participação efetiva de todos, incluindo Graham (Bailey Chase), soldado remanescente da Iniciativa.
A revelação do que seria Dawn acontece em “No Place Like Home“, de David Solomon. Ele começa dois meses antes, quando monges correm para realizar um ritual, resultando na ideia de proteger a chave contra a deusa Glory (Clare Kramer), que será a vilã estilosa da temporada. Para proteger a energia que Glory quer, os monges a transformaram na irmã da Buffy, incluindo lembranças, consciente de que ela seria bem protegida. Buffy percebe que Dawn não existia ao realizar um ritual de identificação de um feitiço que possa estar adoecendo Joyce, e ela percebe que a garota desaparece das fotos. Ótimo episódio, principalmente por introduzir uma das mais carismáticas inimigas da série.
O episódio “Family“, comandado por Joss Whedon, explora o passado de Tara (Amber Benson), quando sua família chega para levá-la, acreditando que pelas tradições ela irá se transformar em um demônio. Sentindo-se deslocada no grupo, ela quase aceita partir, tendo apoio dos demais para que ela fique com a turma. Destaque para a participação de Amy Adams, a Lois Lane de Zack Snyder, como a prima Beth, além de Ben (Charlie Weber), que terá grande importância em episódios futuros. Razoável mas vale por dar mais atenção à namorada de Willow (Alyson Hannigan).
Um dos grandes momentos da série – sim, não apenas da temporada – acontece em “Fool for Love“, de Nick Marck, que traz os retornos de Angel (David Boreanaz), Drusilla (Juliet Landau) e Darla (Julie Benz). Depois que Buffy se fere numa patrulha, ela questiona Spike sobre as outras duas caçadoras que ele matou, rendendo excelentes flashbacks, em Londres e Yorkshire, em 1880, e na China, durante a Rebelião dos Boxers, em 1900. Mostra Spike, ainda chamado de William, um poeta apaixonado e rejeitado até se transformar em vampiro e matar duas caçadoras em momentos distintos. E o mais interessante desse episódio, além de toda sua importância histórica para a série, é que ele faz um perfeito crossover com o “Darla“, que ocorre em Angel, inclusive com cenas se completando um em outro.
A queda brusca de qualidade com “Shadow“, de Daniel Attias, é absolutamente notada. Mesmo que tenha a importância pelo tumor mostrado na mãe de Buffy e Dawn, o episódio traz Glory evocando uma cobra gigante para descobrir onde está a chave, em efeitos bem ruins na movimentação do monstrinho pelas ruas até a sequência de combate com a criatura. Não sei porque essa fixação com cobra, já que vários monstros da série se mostram nessa concepção, incluindo o próprio prefeito em sua ascensão na terceira temporada. O nono episódio, “Listening to Fear“, de Solomon, é também horrendo, tendo uma barata alienígena seguindo a mãe de Buffy do hospital até em casa. Se vale por alguma coisa, ele mostra que Ben conhece os servos de Glory; e Joyce finalmente descobre que Dawn não é sua filha.
O razoável “Into the Woods“, na estreia na direção de Marti Noxon, serve como despedida da Riley ao acompanhar soldados em uma missão, depois que Buffy descobre que ele tem permitido que vampiras se alimentem de seu sangue, numa metáfora sobre envolvimento com drogas e traição. Christopher Hibler comanda o divertido décimo primeiro episódio “Triangle“, com o Troll Olaf (Abraham Benrubi), ex-namorado de Anya (Emma Caulfield Ford), causando estragos depois que Giles parte em uma viagem de encontro ao Conselho de Sentinelas para descobrir mais sobre Glory. O tal triângulo traz uma situação legal quando Xander precisa escolher quem irá viver, Willow ou Anya.
O Conselho de Sentinelas chega a Magic Box em “Checkpoint“, de Nick Marck, com a sugestão de que Buffy seja mais uma vez testada para ver se está apta a enfrentar Glory. Quentin Travers (Harris Yulin) leva uma entortada da Caçadora ao final, depois de encontrar Glory em casa com Dawn e ainda enfrentar Cavaleiros de Bizâncio, uma ordem que busca eliminar a chave para impedir que a “abominação” a pegue. Bom episódio, principalmente pela fala final da protagonista e de sua descoberta de que enfrenta uma deusa.
Buffy: Vocês são Sentinelas… Sem uma Caçadora, vocês estão praticamente apenas assistindo ao Masterpiece Theater… Vocês não podem parar a Glória. Vocês não podem fazer nada com as informações que possuem, exceto talvez publicá-las no “Everybody Thinks We’re Insane-Os Home Journal”. Então aqui está como vai funcionar. Vocês vão me contar tudo o que sabem. Então vocês vão embora. Entrarão em contato comigo se e quando tiver mais informações sobre Glory. A Magic Box permanecerá aberta. O Sr. Giles ficará aqui como minha Sentinela oficial, reintegrado com salário integral…
O décimo terceiro episódio, “Blood Ties“, de Michael Gershman, mostra mais um aniversário de Buffy e as consequências depois que Dawn descobre que é a Chave. Ela foge e busca ajuda de Spike e Ben, que se revela como Glory sem saber que está diante do que procura. Nesse episódio vemos que quem testemunha Glory virando Ben ou vice-versa não consegue se lembrar disso, e há um interessante confronto da equipe com a deusa no hospital, obrigando Willow à realização de um feitiço de teletransporte, ate a aceitação da adolescente sobre sua condição mágica. Outra descoberta curiosa acontece em “Crush“, de Daniel Attias, que marca a volta de Drusilla (Juliet Landau) a Sunnydale querendo resgatar o lado perverso de Spike.
Em um momento em que ele precisa decidir com quem ficar, Buffy acaba descobrindo sobre o interesse do vampiro nela. Ainda com asco pela descoberta, ela pede que a amiga faça um feitiço para impedir o acesso de Spike a sua casa. Episódio bom principalmente por trazer uma das maiores vampiras da série de volta à cidade, ainda que não tenha mais a insanidade de caracterização anterior. O fraquinho “I Was Made to Love You“, de James A. Contner, tem até uma certa importância por apresentar o nerd Warren Mears (Adam Busch), que será um dos “vilões” divertidos da próxima temporada. Ele cria um robô sexual e tenta fugir dela, colocando Buffy em confronto com a moça, rendendo situações levemente legais, servindo mais pelo propósito do final.
Ao chegar em casa, Buffy encontra a mãe morta no sofá, em um dos momentos mais chocantes da série inteira. O episódio “The Body“, de Joss Whedon, é excelente e se destaca entre os melhores que vi em qualquer produto para a TV. Sem trilha sonora, com algumas sequências em tomada única, ele mostra o quanto uma perda natural é sentida por todos os personagens. Buffy quebra a costela da mãe tentando fazê-la respirar; Xander soca a parede do dormitório; tendo ainda como destaque a sequência em que Dawn é avisada na escola. Intenso, mesmo envolto em drama, ainda reserva uma cena de confronto com um vampiro no necrotério, quando a adolescente tenta encontrar um jeito de ver o corpo da mãe. A câmera inteligentemente não a mostra nesse momento!
“Forever“, de Marti Noxon, traz as consequências da perda e uma fantástica referência A Pata do Macaco, quando Dawn tenta realizar um feitiço para trazer a mãe de volta à vida. Angel (David Boreanaz) aparece para o enterro; e o demônio Jinx (Troy Blendell) descobre que a Chave está em formato humano, revelando para Glory. Outro ótimo episódio, com um final aterrador como a história original, que serviu de inspiração não oficial. “Intervention“, comandado por Michael Gershman, leva Buffy a um novo encontro com a Primeira Caçadora (Sharon Ferguson), na companhia de Giles, enquanto a encomenda feita por Spike a Warren finalmente fica pronta: uma Buffy robô o atende sexualmente mas também traz grandes confusões com os demais. As sequências no deserto são chatinhas, valendo apenas pelas da robô Buffy.
Glory pensa que Tara, por ser nova no grupo, possa ser a Chave em “Tough Love“, de David Grossman. Quando percebe que não é, ela bagunça sua mente, o que faz Willow partir para uma vingança quase suicida na própria moradia da deusa. No momento final, numa investida da vilã, Tara revela que Dawn é a Chave. Muito bom pelos confrontos e o ataque surpresa final! Gosto bastante de “Spiral“, de Contner, que coloca a Gangue do Scooby numa road trip sendo perseguidos pelos Cavaleiros de Bizâncio. Foge do padrão da série por conter mais ação do que o normal, além de mostrar outros ambientes. A conclusão mais uma vez surpreende, quando Dawn é finalmente capturada por Glory e entra em um estado de catatonia.
Com a perspectiva em alta, “The Weight of the World“, de Solomon, acabou por ser decepcionante. Willow invade a mente de Buffy para tentar trazê-la de volta, passeando por alguns momentos de sua vida como na infância. Como as sequências são psicológicas, cansa ver elas se repetindo até que a amiga consiga encontrar um jeito de quebrar esse loop. Enquanto isso, Glory começa a preparar Dawn para o ritual de abertura do portal, que só pode ser fechado com o sangue de uma Summers. A temporada se encerra com o ótimo “The Gift“, Whedon, propondo uma batalha contra Glory numa estrutura com a participação de todos, incluindo a Buffy robô. Ao final, sem ter como fechar o portal já aberto, Buffy se joga nele para que sua morte consiga mais uma vez salvar o mundo.
Na época, como fã da série, eu não conseguia imaginar uma continuidade depois dos acontecimentos desta temporada. Para alguns, teria sido um final digno à série, sem a necessidade de mais duas, mas a série continuou e mostrou força e enredo para trazer de volta a Caçadora e propor grandes surpresas. Uma temporada bem acertada, com uma vilã poderosa, e episódios marcantes. Mesmo sem deixar as expectativas tão em alta quanto o final de Angel, Buffy achou um jeito de se reinventar depois da fase escolar, sem explorar a faculdade e repetir ideias!
Nota: Análise dedicada aos atores Nicholas Brendon, Michelle Trachtenberg e Anthony Head falecidos recentemente!
















