![]() Supergirl
Original:Supergirl
Ano:1984•País:EUA, UK, Países Baixos Direção:Jeannot Szwarc Roteiro:David Odell Produção:Timothy Burrill Elenco:Helen Slater, Faye Dunaway, Peter O'Toole, Mia Farrow, Brenda Vaccaro, Peter Cook, Simon Ward, Marc McClure, Hart Bochner, Maureen Teefy, David Healy |
Após a ótima aceitação de Superman – O Filme (1978) e da boa recepção a Superman II: A Aventura Continua (1980), houve a intenção de promover uma participação especial em Superman III (1983), a partir dos direitos adquiridos pelo herói e sua prima. Provavelmente faria o pavoroso longa de Richard Lester ter alguns méritos que poderiam amenizar a descaracterização do personagem de Christopher Reeve. Como o filme foi mal nas bilheterias, o filho do produtor Alexander Salkind, Ilya Salkind, imaginou que poderia iniciar uma nova franquia com Supergirl, mas tudo parecia indicar que seria um erro.
Tentar seguir a trajetória Kal-El requer alguns cuidados: tentaram contratar Richard Lester para comandar o filme, mas ele felizmente recusou. Depois da recusa de Robert Wise — e obviamente nem tentariam algo com Richard Donner —, a direção ficou a cargo do francês Jeannot Szwarc (de Tubarão 2, 1978), que entrou em contato com Donner em busca de dicas e conselhos. Como aconteceu com Reeve, a escolha da protagonista envolveria um rosto desconhecido, ignorando o interesse de Demi Moore e Brooke Shields, que até fizeram testes para o papel. Helen Slater foi contratada por US$75 mil dólares para estrelar três filmes, caso este primeiro fizesse sucesso. Copiaram até a ideia de trazer participações de astros como Mia Farrow, Peter O’Toole e Faye Dunaway, porém, a ausência de Reeve comprometeu o resultado, alterando o roteiro e prejudicando a bilheteria: apesar de estreiar em primeiro lugar, alcançou apenas US$14 milhões nos cinemas da América do Norte.
Será que o público já não tinha mais interesse por filmes de heróis? Até a trilha sonora trouxe acordes de Jerry Goldsmith que emularam a de John Williams, mas sem sucesso. A vilã Selena (Dunaway) não empolgou, assim como os efeitos ruins e a falta de carisma de Slater. Trazer Jimmy Olsen (mais uma vez interpretado por Marc McClure) e estabelecer outras conexões com a franquia original — um cartaz de Superman, as inúmeras menções, a presença de Lucy Lane (Maureen Teefy) como a irmã de Lois Lane — não funcionaram muito bem. Supergirl ficou parecendo uma paródia de Superman, longo e sem graça.
No enredo, de David Odell, Kara Zor-El (Slater) vive em Argo City, uma comunidade isolada que sobreviveu à destruição do planeta Krypton ao ser transportada para um bolsão de espaço transdimensional, chamado “Espaço Interior“. Ao observar o mago Zaltar (O’Toole) falando sobre árvores e apresentando o poderoso “Omegahedro“, que sustenta a cidade, Kara acidentalmente lança o objeto ao espaço, fazendo-a roubar uma nave para buscá-lo, seguindo-o até a Terra. Ao chegar, descobre que ali ela possui poderes iguais ao do Superman como força, capacidade de voar e enxergar através de paredes, um assopro intenso e calor oriundo de seus olhos.
Omegahedro cai próximo a bruxa Selena, que acampava com o apaixonado Nigel (Peter Cook). Ela logo percebe que o poder do objeto pode finalmente fazê-la se tornar uma feiticeira poderosa, enquanto a Supergirl resolve se disfarçar de Linda Lee, com os cabelos escuros, para esconder sua identidade — se ela soubesse que só óculos já seriam suficientes! Linda se matricula em uma escola só para meninas, usando a influência de Clark Kent, e conhece Lucy. O interesse amoroso da heroína será o zelador Ethan (Hart Bochner, de Lenda Urbana 2), que é enfeitiçado por Selena para que se “apaixone pela primeira pessoa em que ele encontrar pela frente” — sim, esse roteiro adolescente é o que permeia uma produção de herói, co-irmã do clássico Superman! Atordoado, ele andará pela cidade, será atacado por um veículo de construção e salvo pela Supergirl, ocasionando a tal paixão.
O que pode trazer um pouco de exploração da mitologia original é a apresentação da Zona Fantasma, ao qual Zoltar se exilou e depois a Supergirl será enviada para lá. Para quem não se lembra, foi a prisão do General Zod, Non e Ursa em Superman – O Filme, e depois eles encontraram uma fuga em Superman II. No local, Supergirl não terá poderes e terá que enfrentar uma passagem problemática — e efeitos ruins —, se quiser sair, salvar Lucy, Ethan e o desnecessário Jimmy Olsen, para enfrentar a bruxa e seus poderes. Tal confronto demora a acontecer e também não empolga, não deixando qualquer sensação de uma verdadeira ameaça, nem carisma pela vilã e seu humor forçado — que saudades de Gene Hackman!
Mesmo que se disfarce de superprodução, na verdade Supergirl parece tosco, uma prima pobre que envelheceu mal e parodia sem pudor o clássico de Richard Donner. A personagem merecia um roteiro melhor, uma ameaça mais intensa e sequências de ação que empolguem o espectador, sem a necessidade de copiar a trajetória de Superman. Se ainda fosse divertido como Superman II e tivesse uma pontinha de Reeve, talvez a heroína pudesse despontar em continuações, com tratos melhores. Ficou apenas na Zona Fantasma, distante de ser cult e de qualquer parentesco com Kal-El.






