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Suspeito Zero
Original:Suspect Zero
Ano:2004•País:UK, Alemanha, EUA
Direção:E. Elias Merhige
Roteiro:Billy Ray, Zak Penn
Produção:Gaye Hirsch, E. Elias Merhige, Paula Wagner
Elenco:Aaron Eckhart, Ben Kingsley, Carrie-Anne Moss, Harry Lennix, Kevin Chamberlin, Julian Reyes, Keith Campbell, Chloe Ibanez

Depois de assistir Águas Mortais (Deep Water, 2026), resolvi rever uma outra produção estrelada por Aaron Eckhart e Ben Kingsley, o thriller Suspeito Zero (Suspect Zero, 2004), que emula descaradamente o cult Seven, Os Sete Crimes Capitais (Seven, 1995). Quando o Boca do Inferno ainda dava os primeiros passos, o longa de E. Elias Merhige era constantemente lembrado entre as notícias divulgadas da época até seu lançamento. Não empolgou como o longa de David Fincher, sendo inferior também a Ressurreição: Retalhos de um Crime (Resurrection, 1999), ainda mais quando os thrillers de investigação começavam a apresentar desgaste.

Quando Zak Penn apresentou os rascunhos do roteiro, a temática atraiu o interesse de Tom Cruise e Paula Wagner, através da Cruise/Wagner Productions, e instigou Steven Spielberg, que chegou a conferir se seus filhos tinham o dedo médio alongados, característica comum em serial killers. Até Ben Affleck se interessou em escrever o roteiro, mas acabou desistindo em 1999, por divergências criativas. Antes de fechar com o diretor Merhige (de A Sombra do Vampiro, 2000), o roteiro passou por reescritas quando Billy Ray assumiu o enredo, trazendo mudanças de cenário e na construção do protagonista. O resultado não foi bem aceito: Suspeito Zero custou US$27 milhões e não arrecadou nem metade disso em sua passagem pelos cinemas mundiais.

No enredo, o agente do FBI Thomas Mackelway (Eckhart), de temperamento explosivo, une-se a agente mal humorada Fran Kulok (Carrie-Anne Moss) para rastrear um terrível assassino em série conhecido como Suspeito Zero. Recebendo informações por um tal Sr.Blue, como faxes com imagens do numeral zero, eles também seguem uma trilha de corpos como o de Harold Speck (Kevin Chamberlin), um vendedor ambulante encontrado morto, sem as pálpebras. Quando descobrem que Speck também é um assassino, outro corpo em um porta-malas faz com que desconfiem que exista um Dexter à solta, um serial killer de serial killers. As pistas conduzem os agentes a um tal Benjamin O’Ryan (Kingsley), que foi do FBI e fez parte do Projeto Ícaro, um programa experimental voltado para desenvolver e aproveitar habilidades telepáticas em indivíduos para fins militares — alguém disse Minority Report?

O tal projeto tem fins de identificação do que seria o Suspeito Zero, um assassino que não traz repetição de comportamento, não há padrão, ele simplesmente mata pessoas aleatórias em lugares diferentes. O argumento básico é realmente interessante pela ideia de quebrar a estrutura do FBI de traçar perfis psicológicos, sendo preciso uma habilidade extraordinária para chegar ao assassino antes que faça uma outra vítima. O problema é que a construção da narrativa é confusa, não permitindo que o infernauta saiba se O´Ryan deve ser visto como um vilão ou herói. E ainda deixa dúvidas: havia a necessidade de tudo isso? Não bastava escrever uma carta ao FBI em vez de mandar mensagens enigmáticas?

Além de subaproveitar Carrie-Anne Moss, aparentemente escalada pela sua participação na trilogia Matrix, o longa ainda parece uma versão pouco inspirada de Seven até mesmo na cena final, quando uma pessoa se ajoelha para ser executada no deserto. Eckhart também não convence como um agente que anteriormente espancou um assassino e é visto com desconfiança no FBI, além de não ter a menor química com a personagem de Moss, não estabelecendo a conexão necessária. Por outro lado, Kingsley é suficientemente carismático para valer uma espiada, e a produção é bem feitinha, com bons posicionamentos de câmera e fotografia — e não poderia ser diferente pelo orçamento e envolvimento da produtora de Tom Cruise.

Suspeito Zero até o momento não se tornou cult, e provavelmente não se tornará. Está bem distante de se destacar como thriller, valendo apenas como curiosidade pelo elenco.

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