![]() Águas Mortais
Original:Deep Water
Ano:2026•País:Espanha, Nova Zelândia, EUA, China Direção:Renny Harlin Roteiro:Pete Bridges, Shayne Armstrong, S.P. Krause, Damien Power, John Kim Produção:Gene Simmons, Gary Hamilton, Volodymyr Aremenko, Grant Bradley, Dale G. Bradley, Neal Kingston, Robert Van Norden, Ryan Hamilton, Ying Ye, Adrián Guerra, Bob Yari Elenco:Aaron Eckhart, Angus Sampson, Ben Kingsley, Lucy Barrett, Molly Belle Wright, Rose Zhao, Lakota Johnson, Mark Hadlow, Rarmian Newton, Madeleine West, Kelly Gale |
Quando um avião faz um pouso forçado em alto-mar, os passageiros e a tripulação, liderados pelo copiloto Ben (Aaron Eckhart), precisam sobreviver a um oceano repleto de tubarões famintos.
Filmes de tubarão são um subgênero que parece nunca sair do radar dos estúdios e do público. Da cereja no bolo que é Tubarão (Jaws, 1975), passando por boas surpresas como Águas Rasas (The Shallows, 2016), até a farofa assumida da franquia Sharknado (2013 – 2018), tem para todos os gostos se você aprecia minimamente sentir pavor (ou rir) de nossos amigos cartilaginosos. Por que então não reunir em um único filme esse medo tão natural do ser humano a outro também muito recorrente, o medo de avião? E por que não chamar para dirigir esse filme um sujeito que já explorou problemas com aviões em longas como Duro de Matar 2 (Die Hard 2, 1990) e Risco Total (Cliffhanger, 1993) e encrencas com tubarões em Do Fundo do Mar (Deep Blue Sea, 1999)? À primeira vista, Renny Harlin era a pessoa certa para a função – exceto pelo fato de que o auge do diretor, tanto nos filmes de ação quanto nos de terror, já passou faz tempo.
Assim, a mistura de Águas Mortais (Deep Water, 2026) até prometia alguma diversão, mas o resultado é uma obra que raramente atinge seu potencial, pois é comum demais como filme-catástrofe e como filme de tubarão, e a mera junção desses dois elementos não faz milagre. Simplesmente parece faltar imaginação aos cinco (!!) roteiristas para criar situações mais surpreendentes e elaboradas a partir da premissa.
Por outro lado, algo que merece parabéns é a sequência da queda do avião. Gasta-se um tempo para mostrar com detalhes o efeito dominó de avarias e toda a tensão ali dentro enquanto a aeronave se desfaz. Efeitos visuais convincentes e um bom design sonoro elevam a experiência. Esse, no entanto, é o ápice do filme, e não estamos nem na metade dele. Dá a impressão de que usaram quase todo o orçamento nessa sequência e no cachê de sir Ben Kingsley, que parece ter gravado toda a sua participação em um ou dois dias de filmagem, prática que se tornou recorrente entre astros veteranos como Bruce Willis e Sylvester Stallone. Aaron Eckhart deve ter abocanhado mais uma fatia considerável do dinheiro da produção, e ele nem está tão inspirado.
O que se segue à queda do avião são cenas na água com uma aparência artificial, com uma linha do horizonte estilo céu dos Teletubbies. Os tubarões são feios, magricelas e não impõem o respeito que deveriam. A única vantagem é que tudo isso até combina com a cara de filme do Supercine que Águas Mortais vai ganhando ao longo de sua duração.
Como em todo filme-catástrofe, temos aqui uma série de personagens arquetípicos: o cara mala, o nerd heroico, o bully, a velhinha maternal… Mas, quando se força o arquétipo além do limite, ele se torna uma caricatura, e é o que acontece com alguns aqui. Tanto que a morte de um deles desperta em nós o mesmo que nos outros personagens: apatia. Tais caricaturas até seriam mais aceitáveis se possuíssem maior função narrativa, porém, com exceção daquela que provoca o acidente aéreo, suas atitudes não acarretam verdadeiros desafios a serem superados. E tudo isso culmina em um clímax anticlimático, verdadeiramente chocho.
Águas Mortais vale pela sequência do desastre de avião e pelo carisma-relâmpago de Ben Kingsley. É um filme que decola bem, tem na queda o seu auge e depois murcha igual a um bote salva-vidas furado.





