
![]() Heresy / Witte Wieven
Original:Heresy / Witte Wieven
Ano:2024•País:Países Baixos Direção:Didier Konings Roteiro:Marc S. Nollkaemper Produção:Pita de Leeuw, Monique van Kessel Elenco:Anneke Sluiters, Len Leo Vincent, Reinout Bussemaker, Nola Elvis Kemper, Marc Eikelenboom, Nina Fokker, Sam Post, Nikita van der Linden, Joy Verberk |
De acordo com o wikipedia, Witte Wieven, na mitologia baixo-saxãs holandesas, são espíritos de “mulheres sábias” que habitam regiões dos Países Baixos, Bélgica e partes da França. Também conhecidos como “Wittewijven“, “Juffers” ou “Joffers” (damas), ou como “Dames Blanches” (Damas Brancas) em francês, as lendas remontam a era pré-cristã (século VII) e apresentavam entidades curandeiras ou seres élficos que inicialmente ajudavam ou poderiam até atrapalhar, dependendo da seu intento. Com o tempo, a literatura medieval ampliou sua condição para um ser vingativo, brincalhão até associá-la à bruxaria. O média-metragem Witte Wieven, também lançado como Heresy, é um exemplar que bebe muito da fonte do cult A Bruxa (The Witch, 2015).
Ela faz parte de uma série de filmes para a TV, apresentados pelo cineasta holandês Martin Koolhoven: Koolhoven presenteert traz em cada episódio uma trama curta envolvendo narrativas sobre um míssil nuclear em Amsterdã, uma lavagem cerebral coletiva e o sofrimento como receita para o sucesso. Witte Wieven é o sexto episódio da temporada, e tem a direção de Didier Konings, mais conhecido pelo trabalho no Departamento de Arte em blockbusters como Thor: Amor e Trovão (2022) e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022). Por essa sua especialidade, pode-se perceber que, mesmo com orçamento para uma produção para a TV, o longa é visualmente belíssimo, beirando uma fotografia onírica que lhe dá uma condição de conto de horror.
O enredo de Marc S. Nollkaemper traz o protagonismo de Anneke Sluiters, atuando como Frieda, uma mulher disposta a não aceitar as condições do patriarcado religioso de seu vilarejo, envolto por uma floresta intensa. Como A Vila (The Village, 2004), de M. Night Shyamalan, existem limites que não podem ser cruzados, além de crenças que mais atrapalham do que permitem o bom convívio. Frieda é cobrada por não conseguir engravidar, uma das condições para uma mulher ser bem aceita na sociedade, além de nunca denunciar agressores ou sequer supor que a dificuldade em ter filhos pode ser devido a incapacidade masculina. Aqueles que não são considerados hereges ou que não seguem as regras são mantidos temporariamente numa prisão de madeira.
Quando o agressor a persegue, obrigando-a a fugir para a mata, ela é salva pela entidade, que ainda reserva um destino cruel ao vilão. Desacreditada por todos, incluindo o padre e o próprio marido, Frieda começa a perceber que seu lugar de direito não é com aquela comunidade, mas talvez na floresta, buscando uma proximidade com o ser místico que reside no local.
Witte Wieven é uma produção simples, com uma boa atmosfera de horror envolvendo bruxaria e vingança. Perde pontos pela própria experiência do diretor em ter conduzido anteriormente um videoclipes, permitindo uma sequência lenta e extremamente psicodélica que parece “Sledgehammer“, do Peter Gabriel, misturando imagens experimentais associado à trilha. A sequência quebra o ritmo aterrorizante, ainda que sua intenção de transformação seja compreensível para a proposta. A tal “mulher sábia” é, na verdade, a própria Frieda, não disposta a aceitar as condições que lhe são impostas.
Não tão slow burn quanto A Bruxa e dinâmico pelo tempo de duração, Witte Wieven é um bom episódio para fãs de folk horror e de tramas de bruxaria.




