![]() O Sétimo Dia
Original:The Seventh Day
Ano:2021•País:EUA Direção:Justin P. Lange Roteiro:Justin P. Lange Produção:Chelsea Davenport, Kimberly Hwang Elenco:Guy Pearce, Stephen Lang, Vadhir Derbez, Brady Jenness, Robin Bartlett, Keith David, Chris Galust, Acoryé White, Tristan Riggs, Heath Freeman |
O subgênero do terror focado em possessões demoníacas e exorcismos carrega um fardo pesado: a sombra eterna de O Exorcista (1973). Desde o clássico de William Friedkin, praticamente todas as produções tentam redefinir a fórmula, quase sempre sem sucesso, como no caso de O Sétimo Dia.
Justin P. Lange tenta seguir outro caminho ao propor uma abordagem mais moderna. O resultado, contudo, fica muito aquém de suas ambições, assemelhando-se mais a um episódio genérico de uma série policial procedural do que a um pesadelo teológico. Passei quase toda a exibição com a impressão de já ter visto algo semelhante em outra produção. Na verdade, essa sensação vem da dinâmica escolhida para a dupla de padres em campo.
A premissa promete originalidade ao cruzar o terror religioso com a dinâmica dos filmes de buddy cop (duplas policiais). Conhecemos o Padre Peter (Guy Pearce, Amnésia, 2000), um exorcista veterano, rebelde e traumatizado por um fracasso no passado. Para seu novo caso, ele recebe o Padre Daniel (Vadhir Derbez, Vingança e Redenção, 2022), um jovem idealista recém-saído do curso de formação de exorcistas.
A analogia com o cinema policial é literal: Peter leva o novato para a “rua“, força-o a testemunhar a miséria humana e lhe ensina que o Mal não se esconde apenas em quartos escuros, mas caminha entre nós. O cenário urbano e a abordagem burocrática da Igreja Católica como uma corporação que gerencia crises oferecem um vislumbre de renovação que não se perpetua.
O problema de O Sétimo Dia reside na execução. Guy Pearce, um ator de calibre inquestionável, faz o que pode com um roteiro raso, entregando um carisma cínico que quase sustenta a narrativa. Infelizmente, a química com Vadhir Derbez é inexistente. O jovem padre falha em transmitir o peso dramático de sua jornada de perda da inocência.
Quando o filme precisa assustar, Lange recorre aos truques mais batidos do cinema de terror contemporâneo: jump scares previsíveis, acompanhados por picos de som ensurdecedores e vozes distorcidas digitalmente que já não impressionam nenhum fã do gênero.
A maquiagem dos possuídos oscila entre o aceitável e o exagerado, retirando qualquer impacto do que deveria parecer real. A fotografia acinzentada tenta emular uma atmosfera opressiva, mas acaba parecendo apenas sem vida.
O roteiro desmorona por completo no terceiro ato. A investigação de um homicídio familiar cometido por um rapaz possuído acelera em direção a uma reviravolta que, embora mude o rumo dos personagens, é apresentada cedo demais para quem está minimamente atento. A resolução é abrupta e desprovida do clímax épico que a batalha pelo destino de uma alma exigiria.
O Sétimo Dia tinha potencial para ser uma espécie de Training Day (Dia de Treinamento) dos exorcismos, algo genuinamente interessante. No entanto, Justin P. Lange entrega uma obra morna, que tem medo de arriscar tanto no terror visceral quanto na discussão teológica. Para os leitores do Boca do Inferno, habituados ao horror que desafia e incomoda, este filme não passa de uma prece esquecível em uma segunda-feira de folga.





