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Olho por Olho
Original:Eye for an Eye
Ano:2025•País:EUA
Direção:Colin Tilley
Roteiro:Michael Tully, Elisa Victoria
Produção:Rachael Fung, Nate Kamiya, Theresa Steele Page, Tim Headington
Elenco: Whitney Peak, Laken Giles, Finn Bennett, S. Epatha Merkerson, Golda Rosheuvel, Carson Minniear, Ben Bladon, Wynn Reichert, Oliver J Green

Disponível para o público brasileiro desde fevereiro de 2026 no catálogo da HBO Max, Olho por Olho (não confundir com meia dúzia de produções homônimas, entre elas o suspense de 1996 estrelado por Sally Field e Kiefer Sutherland) é um longa-metragem de horror dirigido pelo cineasta americano Colin Tilley, baseado na graphic novel Mr. Sandman, escrita e publicada de forma independente por Elisa Victoria em 2025. O filme é primeiro trabalho de Tilley, experientíssimo diretor de vídeos musicais que traz no currículo trabalhos para artistas como Yungblud, Justin Bieber e Shawn Mendes. O roteiro adaptado é de autoria de Michael Tully, o mesmo responsável por outro horror, Não Saia de Casa (Don’t Leave Home, 2018 – disponível para aluguel no Prime Video enquanto esta crítica é escrita).

Olho por Olho é uma produção de baixo orçamento que, apesar das limitações, consegue explorar com alguma eficiência temas humanos como culpa e traumas não resolvidos. Esses sentimentos ganham forma em eventos e manifestações sobrenaturais ligados à lenda do Homem de Areia (Sandman), uma entidade vingativa que pune suas vítimas em um ritual macabro em que os olhos são removidos.

Na trama, Anna (interpretada por Whitney Peak, da série Home Before Dark, da Apple TV e do sharksploitation da Netflix, Ataque Brutal, 2025), é uma jovem que depois de perder os pais, deixa Nova York para ir viver com a avó cega em uma pequena cidade da Flórida, onde tenta reconstruir sua vida.

Ela até acredita ter retornado à normalidade, quando conhece alguns jovens locais. No entanto, tudo desmorona quando presencia – e acaba envolvida em – um ato de violência brutal. A partir desse momento, uma entidade conhecida como Sandman, um justiceiro vingativo que pune agressores arrancando seus olhos, passa a persegui‑la implacavelmente.

Conforme a presença sobrenatural se intensifica, Anna mergulha em uma espiral de pesadelos, alucinações e paranoia. Para escapar da maldição, ela precisa não apenas desvendar a origem da criatura, ligada a histórias antigas de bullying e vingança na cidade, mas também provar sua inocência; evitando assim que o terror se espalhe. Tarefa difícil, considerando que a cidade parece ter sido construída sobre um terreno fértil para tragédias.

Olho por Olho tenta combinar horror psicológico com componentes clássicos do gênero; além de abordar os temas mais dramáticos e complexos já mencionados, como o bullying e a culpa. Essa mistura funciona em alguns momentos, quando a produção até consegue, com razoável eficácia, emular uma atmosfera mais tensa e sombria, especialmente ao explorar os cenários naturais e pantanosos da Geórgia, onde foi rodada.

O elenco de Eye for an Eye entrega um desempenho irregular que compromete boa parte da tensão que tenta construir. Embora Whitney Peak até sustente a narrativa com uma presença emocional convincente, o restante do grupo oscila entre atuações artificiais e apáticas, criando uma desconexão completa entre os personagens e a trama. Até mesmo nomes com um pouco mais de experiência, como S. Epatha Merkerson (da série Law and Order, 1991) e Golda Rosheuvel (de Bridgerton, 2020) não conseguem compensar a falta de naturalidade do núcleo jovem.

Outro ponto que deve incomodar é o fato do filme se passar quase todo durante o dia, o que acaba evidenciando a fotografia pobre (apesar dos bons cenários citados anteriormente). São raras as vezes em que o chamado terror diurno funciona, como em Midsommar – O Mal Não Espera a Noite (2019). O excesso de iluminação, como esperado, revela todo tipo de limitação técnica.

O visual da criatura não é ruim e um ou outro efeito prático chega a ser interessante, como um em que uma tesoura é cravada nos olhos de uma vítima. Mas é latente a falta de recursos. Em tempo, o orçamento da produção foi inferior a US$ 10 milhões.

Apesar de tudo – e “tudo” inclui uma bilheteria global de cerca de US$ 200 milOlho por Olho ganhou certo reconhecimento nas plataformas digitais. Ao estrear na HBO Max, alcançou a primeira posição em uma dezena de países, especialmente na América Latina.

Infelizmente, a sensação que permanece é semelhante àquela que muitos infernautas vão reconhecer do tempo das gloriosas videolocadoras: a decepção ao alugar um VHS com uma capa incrível e descobrir no final que havia levado pra casa uma produção cinematográfica cuja qualidade é pra lá de duvidosa.  Aqui, a impressão é similar, como se estivéssemos assistindo a uma versão pobre e pouco inspirada de A Hora do Pesadelo. Fica também aquela frustração por causa de algumas boas ideias que foram mal aproveitadas.

Contudo, ao reconhecer que Olho por Olho é uma produção independente e a estreia de um cineasta, o infernauta pode, caso adote uma perspectiva mais generosa diante desse contexto, perceber que o longa oferece certo grau de entretenimento, mesmo que reduzido.

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