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Homem-Aranha: Um Novo Dia
Original:Spider-Man: Brand New Day
Ano:2026•País:EUA, Canadá, UK, Alemanha
Direção:Destin Daniel Cretton
Roteiro:Chris McKenna, Erik Sommers
Produção:Kevin Feige, Amy Pascal, Avi Arad, Rachel O'Connor
Elenco:Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal, Florence Pugh, Tramell Tillman, Marisa Tomei, Mark Ruffalo, Naomi Watts

Nas minhas recentes críticas sobre Mestres do Universo (Masters of the Universe, 2026) e Supergirl (2026), falei sobre a crise pela qual os filmes de super-heróis vêm passando, com sucessivos e astronômicos fracassos de bilheteria. E, então, chega Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day, 2026) e faz tudo isso parecer história antiga: a nova aventura do Cabeça de Teia é um dos maiores fenômenos de arrecadação de todos os tempos, gerando quase um bilhão de dólares no fim de semana de estreia. Por um lado, o que poderia sinalizar um renascimento do subgênero muito provavelmente está mais para aquele caso da exceção que comprova a regra, mostrando mais uma vez que o Homem-Aranha é um personagem totalmente fora da curva quando se trata de super-heróis. Por outro, prova que ainda é possível realizar um bom filme desse tipo sem ter que apelar à nostalgia tal como fizeram os últimos grandes hits, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home, 2021) e Deadpool & Wolverine (2024), e como fará Vingadores: Doutor Destino (Avengers: Doomsday, 2026) em dezembro.

Outra coisa que ele também mostra é como o subgênero se encontra de cabeça para baixo. Enquanto personagens que sempre foram mais sérios, como Thor, Flash e Aquaman, acabaram reduzidos a paspalhos tentando desesperadamente arrancar alguma risada do público com um humor desmedido, o novo filme do Homem-Aranha – personagem que sempre teve um apelo cômico – utiliza o humor com muito mais precisão e significado, ao menos na maior parte do tempo.

Homem-Aranha: Um Novo Dia traz uma história que trata de amadurecimento. Peter Parker (Tom Holland) está aprendendo a viver com as consequências do feitiço que apagou sua existência da memória das pessoas que ele ama, como a namorada, MJ (Zendaya), e o melhor amigo, Ned (Jacob Batalon). O estresse provocado por isso e pela rotina vertiginosa de combate ao crime acarreta alterações assustadoras em seu DNA e no seu comportamento. Ao mesmo tempo, surge uma nova e misteriosa ameaça capaz de controlar mentes alheias (e, se você ainda não tomou um spoiler da identidade dessa ameaça, tente se manter assim até a hora do filme. Vai valer a pena).

Esse é, com larga vantagem, o melhor filme de Holland como Homem-Aranha/Peter Parker. É também o filme mais Homem-Aranha do MCU. A correção de rumo implementada no desfecho do filme anterior fez muito bem para o personagem, que agora precisa se virar sem os recursos oferecidos por Tony Stark. Ele ainda conta com a inteligência artificial E.V. (com voz de Naomi Watts), o que facilita muita coisa, mas, em tempos onde as pessoas usam a IA até para saber como limpar o traseiro, até que faz sentido. Dá para se dizer até que é o melhor filme do Venom sem o Venom, já que a maneira como as mudanças físicas e mentais afetam Peter lembra bastante a “possessão” que o simbionte exercia sobre o herói nos quadrinhos.

E, por fim, é o filme live-action com mais cara de gibi que o personagem recebe em muito tempo, o que é uma delícia. As composições visuais de alguns frames poderiam muito bem ser páginas de um Steve Ditko, John Romita (tanto o pai quanto o filho), Sal Buscema ou outro desenhista clássico das revistas do Aranha. O recurso da câmera como ponto de vista do herói enquanto ele se balança por Nova York atinge um novo nível de imersão. As lutas contra os ninjas do Tentáculo adicionam à estética quadrinística a influência do estilo wire fu dos filmes da produtora Shaw Brothers, que o diretor Destin Daniel Cretton já havia arriscado em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, 2021). É como um grande arco da revista Marvel Team-Up, que traz aventuras do Aranha sempre em parceria com outros personagens famosos. Aqui temos participações do Justiceiro (Jon Bernthal) – numa versão family-friendly -, da Viúva Negra (Florence Pugh) e – melhor de todas – do Hulk (Mark Ruffalo), selvagem como há muito não o víamos em tela grande. E, assim como em Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps, 2025), de vários supervilões que aparecem por apenas alguns segundos, sem ter que ficar explicando quem são e como surgiram.

Sofrendo de algumas “barrigas”, o filme se beneficiaria de uma duração menor, ou ao menos de uma montagem ligeiramente diferente, pois existem momentos importantes para o andamento da trama que parecem ter ficado no chão da ilha de edição.

No final das contas, o saldo é extremamente positivo. Apoiado em uma história bem construída, em efeitos visuais que realmente fazem jus ao orçamento gigantesco e em uma direção que foge do genérico, Homem-Aranha: Um Novo Dia é aquele tipo de obra que nos faz lembrar por que gostamos tanto dessa coisa chamada super-heróis.

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