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Ataque Brutal
Original:Thrash
Ano:2025•País:Austrália
Direção:Tommy Wirkola
Roteiro:Tommy Wirkola
Produção:Adam McKay, Kevin J. Messick, Tommy Wirkola
Elenco:Phoebe Dynevor, Whitney Peak, Djimon Hounsou, Alyla Browne, Stacy Clausen, Dante Ubaldi, Sami Afuni, Tyler Coppin, Adam Dunn, Chai Hansen, Annabel Mullion, Bert LaBonté, Sian Luxford

Primeiro ponto a se destacar: esperava-se bem mais de um filme dirigido pelo cineasta norueguês Tommy Wirkola, o responsável pelos ótimos Zumbis na Neve (2009) e The Trip (2021).

Wirkola escreve e dirige Thrash (lançado no Brasil pela Netflix como Ataque Brutal), uma curiosa (e não necessariamente inédita) mistura de filme catástrofe (um furacão que causa uma enorme inundação) e animal assassino (tubarões-touro famintos, que segundo explica determinado diálogo, são capazes de nadar em água doce e até mesmo matar um hipopótamo).

Na trama, durante a passagem de um devastador furacão nível 5, uma pequena cidade litorânea na Carolina do Sul vive um pesadelo quando suas ruas são inundadas após o rompimento de um dique. Junto com a água e os ventos fortíssimos, um cardume de tubarões passa a aterrorizar os poucos habitantes que não conseguiram abandonar o local a tempo. Entre eles estão três crianças adotadas por um casal de oportunistas, uma grávida prestes a dar à luz e uma jovem tentando superar o luto pela perda dos pais.

O plot principal remete a outro longa que junta animais assassinos clássicos (no caso, crocodilos) e inundações, o bem mais eficiente Predadores Assassinos (2019), produção de Sam Raimi (de A Morte do Demônio, 1982) dirigida pelo francês Alexandre Aja (de Alta Tensão, 2003).

Ataque Brutal chega com o selo de exclusividade da Netflix e traz algumas das características negativas frequentemente associadas às produções recentes da plataforma, como os diálogos superficiais e repetitivos, a fotografia muito iluminada (mesmo em meio a uma tempestade avassaladora) e atuações pouco ou nada inspiradas. E talvez esta última fragilidade seja o que torna o filme particularmente enfadonho. Apesar da presença da atriz Phoebe Dynevor, da série Bridgertown (2020), de Whitney Peak (Olho por Olho, 2025) e de Djimon Hounsou (Um Lugar Silencioso: Dia Um, 2023), seus personagens são tão rasos e desinteressantes que estarem vivos ou não pouco importa para o espectador.

Soma-se a isso a completa ausência de tensão ou suspense, agravada por uma fotografia sem identidade (e clara demais, como já citado), por tubarões digitais que não assustam ninguém e por um furacão que, na prática, nunca chega a dar as caras no filme.

E para que não haja dúvidas, na opinião deste que vos escreve: não, Ataque Brutal não é divertido. Poderia até ser, apesar das limitações do provável baixo orçamento e dos personagens descartáveis. Mas falta também à produção qualquer traço que seja de ousadia, além daquela atenção mínima dos realizadores que poderia, quem sabe, garantir o “ruim divertido” e evitar o “ruim que só cansa”.

Apesar de tudo, o longa ganha algum fôlego no último ato, quando, mesmo abusando das soluções fáceis, os personagens finalmente precisam enfrentar seus predadores.

Obviamente outro fato que merece alguma reflexão é por que produções tão medianas costumam ficar entre os mais exibidos da plataforma Netflix. E o longa dirigido por Wirkola não foi exceção: Ataque Brutal ocupou o primeiro lugar no pódio em seu final de semana de estreia no canal, em abril de 2026. O sucesso deve garantir uma continuação, aproveitando o próprio gancho deixado pelo filme, que mostra uma outra tempestade se formando, ainda mais forte, chamada Jon.

Para nós, fãs do gênero, talvez o filme fosse mais divertido se abraçasse o espírito sugerido pelo título original e assumisse de vez o lado trash. No fim das contas, para quem busca furacões e tubarões em CGI sem compromisso, ainda é mais honesto recorrer ao famigerado (e orgulhosamente absurdo e tosco) Sharknado (2013).

E, claro, se o infernauta estiver procurando um filme de tubarão de verdade, daqueles que lembram por que o gênero existe, sempre dá para revisitar aquele clássico desconhecido, tão pouco comentado, raramente citado: Tubarão, dirigido por Spielberg em 1975.

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