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O Sorveteiro
Original:Ice Cream Man
Ano:2026•País:EUA, Canadá, UK, Japão, França
Direção:Eli Roth
Roteiro:Eli Roth, Noah Belson
Produção:Kate Harrison Karman, Eli Roth, Raj Brinder Singh, Christopher Woodrow
Elenco:Kiori Mirza Waldman, Carina Battrick, Charlie Zeltzer, Ivano DiCaro, Jordan Poole, Matias Tafilica, Eli Massillon, Lorenzo Antonucci, Luke Dietz, Ari Millen, Michèle Kaye, Kole Parks, Valentina Capetola, Lerato Tafa, Sarah Abbott

Uma mistura indigesta de A Coisa (The Stuff, 1985) e Colheita Maldita (Children of the Corn, 1984), referenciando o sarcasmo de A Hora do Mal (Weapons, 2025). A intenção de Eli Roth, como parte do selo The Horror Section, é apresentar produções do gênero, com apoios financeiros e parcerias, tendo em O Sorveteiro sua primeira direção no projeto. Custou US$5 milhões e meio de dólares, contou com um elenco modesto e alguns efeitos gerados por inteligência artificial — assumidos pelo diretor, o que já despertou alguns cancelamentos do filme no processo de lançamento —, conquistando pouco mais de US$7 milhões em suas estreias pelo mundo. Foi absolutamente detonado pela crítica e público, mesmo com seus excessos sangrentos, pelo gore desenfreado e altas doses de humor ácido. Talvez pelo fato de Roth não saber controlar o que é exposto, e esquece que vísceras por vísceras não se justificam se o roteiro não é bem desenvolvido.

É um filme realmente sem conteúdo, sem sabor, um sorvete barato comprado em um carrinho de praia em uma tarde fria. Ambientado na colorida cidade de Bayleen Bay, um local tranquilo, idílico, com baixos indíces de violência, muito bullying, em que as crianças podem correr pelos campos sem preocupações que não sejam agradar o técnico, o roteiro de Roth e Noah Belson destaca o garoto educado Jared Mayfair (Charlie Zeltzer), que tem intolerância a lactose, o que o impede de se interessar pelas guloseimas oferecidas pelo Homem do Sorvete (Ari Millen), risonho e plástico como uma propaganda viva dos anos 50.

Mas a popularidade e os sabores de nomes curiosos como Locust Lick e Serpent Swirl atraem praticamente todas as crianças da cidade à exceção de Tommy (Shiloh O’Reilly) e Mia (Kiori Mirza Waldman), pouco apresentados pelo enredo, mais preocupado em sangrar a tela. Durante a noite, na “hora do mal“, todas os pequenos despertam para uma condição agressiva, afetados pelos ingredientes satânicos, dispostos a eliminarem seus pais e todos os adultos da cidade. Quando alguém maior consome o sorvete, sofre uma paralisação parcial do corpo, sendo necessária uma indução ao vômito, como acontece com a irmã de Jared, a adolescente Lizzie (Sarah Abbott), precisando da ajuda do ex, Chris (Dylan Hawco), ainda com boas lembranças dos momentos juntos.

O pandemônio toma conta de todos os lugares, com a garotada, com a boca manchada de sorvete, cometendo intensas atrocidades. Um espetáculo grotesco de sangue e horror consome Bayleen Bay, com pessoas sendo mutiladas, queimadas vivas, esmagadas e desmembradas, serradas ao meio, com as vísceras expostas para delírio da garota enraivecida. Jared precisa fugir da escola, esquivando-se do cerco dos contaminados, com a câmera de Roth mostrando professores sendo repartidos e torturados. A praça anteriormente vista como um espaço de recreação saudável agora desperta para um espetáculo de cabeças sendo usadas em brincadeiras, filhos martelando a cabeça de suas mães, bombeiros caindo em golpes e policiais fortões sendo facilmente dominados pelas crianças, que rasgam corpos facilmente, sempre mantendo o sorriso infantil no rosto.

É como ver os filmes da franquia de horror extremo Guinea Pig em que as sequências splatter e agressivas substituem uma narrativa lógica. Há em meio à falta de sabor algumas boas ideias como a da garotinha, andando pelas ruas carregando a cabeça da mãe, com algum lampejo de semelhança com Karen, a pequena de A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968). Contudo, tudo segue de maneira artificial como a conversa da família de Jared em um jantar, com Eli Roth atuando como o patriarca; ou o Padre (Benjamin Byron Davis), que está ali no local de abrigo dos pequenos, esperando para contar a história do Homem do Sorvete, revelando que tudo que está acontecendo é sua culpa.

Eli Roth quer ousar, destruir corpos e tradições familiares, expor crianças e criar polêmicas como fez em toda sua trajetória cinematógrafica. Houve acertos como Cabana do Inferno (Cabin Fever, 2002), O Albergue (Hostel, 2005) e o slasher Feriado Sangrento (Thanksgiving, 2023), mas muitos equívocos como Canibais (The Green Inferno, 2013), Bata Antes de Entrar (Knock Knock, 2015) e Borderlands: O Destino do Universo Está em Jogo (Borderlands, 2024). O Sorveteiro (Ice Cream Man, 2026), sem relação com o longa homônimo de 1995, está entre seus trabalhos frios e sem gosto.

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