Críticas

O Ataque dos Tomates Assassinos (1978)

Esta produção é daquelas que você assiste e, não muito tempo depois, tenta puxar da memória cada cena e não raramente começa a rir sozinho!

O Ataque dos Tomates Assassinos (1978)

Sangue e Ketchup

O Ataque dos Tomates Assassinos
Original:Attack of the Killer Tomatoes!
Ano:1978•País:EUA
Direção:John De Bello
Roteiro:John De Bello, Costa Dillon, J. Stephen Peace, Rick Rockwell
Produção:John De Bello, J. Stephen Peace, Mark L. Rosen
Elenco:David Miller, George Wilson, Sharon Taylor, J. Stephen Peace, Ernie Meyers, Eric Christmas, Ron Shapiro, Jerrold Anderson, Don Birch, Tom Coleman, Art K. Koustik, Jack Nolen

“Em 1963, Hitchcock fez um filme mostrando um selvagem ataque de criaturas aladas a seres humanos… As pessoas riram. Em 1975, 7 milhões de pássaros invadiram uma cidade americana, resistindo a todos os esforços para expulsá-los… Ninguém está rindo agora. Este é um filme sobre tomates assassinos.”

Se você, assim como eu, é amante de clássicos cult da tosquice como A Noiva de Frankenstein, Plano 9 do Espaço Sideral ou Bátima – Feira da Fruta, garanto que se você ainda não conhece O Ataque dos Tomates Assassinos sua bagagem está incompleta, pois esta produção é daquelas que você assiste e não muito tempo depois tenta puxar da memória cada cena e não raramente começa a rir sozinho.

O Ataque dos Tomates Assassinos é um marco na história dos filmes trash, não somente pela ideia absurda de tomates que atacam seres humanos, mas principalmente por ser despretensiosamente hilário onde as principais piadas se encontram nas entrelinhas e nas tiradas inteligentes, isto um bom tempo antes de Corra que a Polícia Vem Aí e outras produções satíricas similares.

A experiência unica de se assistir pela primeira vez a O Ataque dos Tomates Assassinos começa já no primeiro ataque a uma dona de casa desamparada em uma cozinha, com a genial música tema nos créditos de abertura que contém propaganda publicitária (falsa obviamente).

O Ataque dos Tomates Assassinos (1978) (4)

A polícia começa a investigar perplexa a primeira vítima e eles fazem uma constatação impressionante: Não é sangue, é suco de tomate. Os tomates crescem indefinidamente e atingem circunferências enormes: atirar com espingardas e outras armas de fogo já não adiantam mais. A situação está saindo do controle em uma área experimental do departamento de agricultura, e a população está com medo.

Para lidar com a situação duas frentes são escaladas: a primeira cuidará da publicidade sobre o caso e é chefiada pelo secretário de imprensa Jim Richardson (George Wilson). E a segunda colocará a mão na massa propriamente dita e o encarregado é Mason Dixon (David Miller), que se reunirá com a principal junta de cientistas e militares dos Estados Unidos (em uma salinha minúscula) para resolver como impedir o avanço dos tomates. Destaque para o sotaque “Japonês” do Dr. Nokitofa (Paul Oya).

Após a apresentação fantástica do ciborgue Bruce (David Hall, Uma Tacada da Pesada), que por problemas orçamentários só teve uma perna desenvolvida, Mason é apresentado à sua “equipe“: o especialista em disfarces Sam Smith (Gary Smith que fez uma ponta em Nascido para Matar), a nadadora anabolizada Gretta Attenbaum (Benita Barton), o perito em mergulho Greg Colburn (Steve Cates) e o pau pra toda obra Wilbur Finletter (o produtor e roteirista J. Stephen Peace).

O Ataque dos Tomates Assassinos (1978) (3)

Os ataques prosseguem, inclusive dentro da água em uma cena que tira sarro de Tubarão, e, com a exposição, a imprensa marrom, representada pela jornalista Lois Fairchild (Sharon Taylor), fará qualquer coisa para conseguir um furo de reportagem.

Agora, a força tarefa de Dixon terá que lidar com dois problemas: combater os tomates tentando encontrar a fonte dos problemas, e manter o nariz de Fairchild longe das investigações.

Se você já assistiu e achou o filme ruim e os efeitos horríveis, tenho uma revelação bombástica para fazer: o ano era 1978, não havia computadores e não havia tecnologia. Uma época em que homens eram homens e papel higiênico era mato (Tá bom, você já pegou a ideia). Com essa falta aparente de recursos, o produtor, editor, diretor e roteirista John De Bello (roteiro escrito com a ajuda de Costa Dillon, J. Stephen Peace e Rick Rockwell), criou um filme com personalidade, abusando dos efeitos e do orçamento baixo em favor da comicidade (Stop Motion Rules!). Poderia citar pelo menos uma dúzia de cenas memoráveis de humor inteligente e absurdos propositais, mas é ver para crer.

E o que falar da trilha sonora? Onde está o Oscar de melhor canção para o grande hit “Puberty Love“!? Isto sem contar a esplêndida música de abertura já citada anteriormente e os outros musicais. Ponto para o trio John De Bello (de novo!), Gordon Goodwin e Paul Sundfor.

A franquia “frutificou” e dez anos depois os tomates assassinos voltavam com O Retorno dos Tomates Assassinos (1988) estrelado por um tal de George Clooney; depois deste mais dois filmes foram feitos: Os Tomates Assassinos Atacam Novamente em 1990 e O Retorno dos Tomates Assassinos na França de 1991. Todas as continuações foram dirigidas por John De Bello, mas, apesar de bom entretenimento, não alcançaram o status do filme original. Além disto no ano de 1990 a rede de televisão Fox encomendou uma temporada para uma versão em desenho animado de O Ataque dos Tomates Assassinos, mas a despeito do nome ela foi baseada no segundo filme da série. Em janeiro de 1992 a produtora THQ lançou um game para os sistemas NES e Game Boy também intitulado Attack of the Killer Tomatoes.

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A “versão do diretor” de O Ataque dos Tomates Assassinos foi lançada no Brasil num passado distante em VHS pela distribuidora LK-TEL. Esta versão conta com uma introdução muito engraçada dos realizadores do filme e algumas intervenções no meio da projeção. Desde 2003, naquele país, onde as coisas acontecem, existe uma edição especial comemorativa de 25 anos do filme em um DVD duplo com mais de 3 horas de material adicional, no Brasil os filmes da franquia saíram em DVD’s caríssimos e pelados pela Amazon Digital como parte de seu selo Trash Collection. Independente da versão que escolher não se esqueça de jamais pedir para um tomate lhe passar o ketchup.

Curiosidades

– Os tampões de ouvido utilizados pelo tomate gigante no final do filme foram feitos utilizando gigantes assentos verdes de privada;

– De acordo com o diretor John De Bello, o helicóptero que cai em uma das cenas do filme, caiu de verdade. Nas palavras do diretor: O resultado? Uma cena espetacular que custou mais do que o resto do orçamento de 90 mil dólares combinados. Isto é entretenimento!;

– Foi considerado pelo jornal USA Today como um dos cinco melhores títulos de filmes de todos os tempos, mas a LK-TEL, de modo picareta, mencionou a citação no encarte nacional como um dos cinco melhores filmes de todos os tempos,

– Durante os créditos de abertura, depois de alguns anúncios falsos de publicidade aparece escrito Este espaço está disponível e um número de telefone. O telefone mostrado foi realmente o da produtora Four Square e por muitos anos recebeu telefonemas de pessoas de todos os cantos do mundo que caíram na brincadeira e queriam saber quanto custaria para que seus anúncios fossem veiculados nos créditos. Fala De Bello: Depois que o código de área mudou, paramos de receber os telefonemas, mas alguém em algum lugar deve ter nosso número antigo e até hoje isto deve estar deixando-o maluco.

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7 Comentários

  1. Costumava passar no sbt eu adorava esse troço devo ter visto todos os filmes da serie.

  2. Assisti a esse filme quando tinha uns 5 anos de idade, e cagava de medo, mas muito medo mesmo, a ponto de não ficar na sala de tarde, horário em que eu o assisti, sozinho, kkkkkkk hj vejo que é mais engraçado do medonho, o som dos tomates quando vão atacar kk lembra muito minha infância.

  3. Sinceramente, não entendi por que chamar A Noiva De Frankenstein de “cult da tosquice”.

    • Gabriel Paixão

      Erro meu, na verdade é “A Noiva do Monstro”, de Ed Wood, não “A Noiva de Frankenstein”…

  4. vanessa vasconcelos

    adoro filme estranho,mas ainda não vi esse.

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