Críticas

Noite do Halloween (2006)

Outra produção de baixa qualidade no estilo “parece, mas não é” da The Asylum, agora com elementos de franquias como Halloween!

Noite do Halloween (2006)

Noite do Halloween
Original:Halloween Night
Ano:2006•País:EUA
Direção:Mark Atkins
Roteiro:Michael Gingold, David Michael Latt
Produção:David Michael Latt, Sherri Strain
Elenco:Derek Osedach, Rebekah Kochan, Scot Nery, Sean Durrie, Amanda Ward, Jared Cohn, Amelia Jackson-Gray

por Nilton Kleina

Assim como em inúmeros filmes de terror, Noite do Halloween começa com a manjada frase “Baseado em uma história real“. Mas basta ler a sinopse para saber que ele adapta algo que já aconteceu, sim, mas não em um suposto caso verídico. Trata-se de uma cópia de (muito) baixo custo de filmes de serial killer, em especial do clássico absoluto Halloween – A Noite do Terror, primeiro capítulo da saga de Michael Myers, dirigido por John Carpenter em 1978.

A malandragem seria uma surpresa se a produtora não fosse a The Asylum, uma empresa picareta especializada em versões “parecidas” de blockbusters. Esses lançamentos saem direto em vídeo ao mesmo tempo em que os originais estreiam nos cinemas, enganando muitos desavisados. Com atores decadentes e efeitos nada especiais, são deles pérolas como 666 – O Filho do Mal (cópia de A Profecia), AVH: Alien vs. Hunter (cópia de AVP: Alien vs. Predador) e Paranormal Entity (precisa dizer?).

O começo é agressivo: é noite de Dia das Bruxas, mas Christopher Vale não foi bater na porta dos vizinhos brincar de “doce ou travessura”. Ele está escondido debaixo da cama, enquanto dois bandidos mascarados matam o pai e estupram a mãe (Jan Anderson) do garoto. Uma bala perdida de um dos assaltantes acerta um cano no quarto, liberando um vapor que queima o corpo do menino quase por inteiro. Por incrível que pareça, esse início é bem dirigido, com uma ótima fotografia e certa tensão, embora tudo aconteça acelerado demais.

Será uma luz no fim do túnel, uma esperança de um filme decente? A cena seguinte já nos devolve à dura realidade: dez anos depois, Vale (Scot Nery) está em um sanatório, acusado de ser o assassino. Ele teve o rosto deformado, em uma maquiagem bem feita, mas que o deixa mais parecido com um zumbi do que uma vítima de queimadura. Sem razão, dois funcionários entram no quarto para traumatizar o homem, usando as mesmas máscaras dos bandidos do início. Isso é o suficiente para que Vale mate ambos com as mãos, cubra-se com a máscara e um lençol e, aproveitando a distração do que parece ser o único guarda do sanatório, consiga fugir da instituição. Ironicamente, é quase assim que o Michael Myers de Halloween: O Início, de Rob Zombie, escapa de Smith’s Grove – sendo que o remake só foi lançado no ano seguinte.

Rolam os créditos iniciais e, novamente, é impossível não pensar no filme de Carpenter ao ouvir o tema do filme. A partir daí, é só ladeira abaixo. Somos apresentados aos novos ocupantes da casa onde tudo começou: tradicionais estudantes em busca de sexo, prontos para celebrar o Dia das Bruxas. Há casais genéricos, o nerd, lésbicas que só aparecem para fazer a alegria do espectador em cenas de pegação, o roqueiro bad boy Daryll (Jared Michaels) e David Baxter (Derek Osedach), um playboy malandro que monta um falso sequestro para assustar os amigos. Baxter e Daryll destacam-se por dois motivos: os personagens são completos babacas e os atores são alguns dos piores que já passaram pela produtora.

Noite do Halloween (2006) (2)

Os diálogos são rasos, conversas bobas que não acrescentam à história, como se todos tivessem saído da figuração de algum American Pie. Já os acertos com a câmera do início nunca mais se repetem: são comuns cortes bruscos, zoom exagerado e câmeras apontadas por muito tempo para quem não estão falando, mas ouvindo outra pessoa. O diretor de tudo isso é Mark Atkins, que depois faria carreira na The Asylum dirigindo outros genéricos.

Seguindo a história, o assassino consegue algumas armas da fantasia de carrasco de Todd (Nicholas Daly Clark), morto em um posto de gasolina. O bizarro é que o rapaz levava em uma caixa uma série de espadas e até um machado de verdade, tudo devidamente afiado. Tudo bem que o tema da festa era medieval, mas precisava exagerar assim?

Vale pega o carro da vítima (sim, ele dirige!), vai à antiga casa e lá amplia a contagem de corpos. Tudo segue a cartilha de um filme de serial killer, até o final previsível com um gancho maluco para uma sequência que, felizmente, nunca viu a luz do dia. Um flashback ainda prova que Vale não cometeu os crimes quando criança, algo claro desde o início, deixando o filme em si e a motivação do assassino ainda mais sem sentido.

Para não dizer que nada funciona, as mortes são até bem executadas e, por conta do orçamento, não há computação gráfica, predominando o bom e velho sangue falso. Mas é tudo muito repetitivo (o futuro cadáver não reconhece o mascarado, deixa ele se aproximar e toma um golpe certeiro) e o assassino não tem carisma ou passa medo, ao contrário de Myers.

Mesmo apoiando-se em um roteiro “de fórmula” e tendo lampejos que duram segundos, Noite do Halloween não se sustenta e é só mais uma produção descartável da The Asylum, com um estilo amador que faz o filme parecer um trabalho ruim de faculdade. E a quem está se perguntando desde o início do texto: sim, ele é muito inferior ao remake do Rob Zombie.

E você, infernauta, pretende dar uma chance para essa bomba ou já caiu na cilada de assistir a alguma cópia da The Asylum? Deixe a sua opinião nos comentários!

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9 Comentários

  1. Eu ja tô procurando esse filme ha algum tempo e não achei,alguem me manda o link pra eu assitir?a historia é interessante

  2. fabão.

    Pqp. Eu já assisti esse filme. Foi muita comédia. Kkkkkkkkkkkk.

  3. Gilson Bloch

    gostei muito do artigo que vocês fizeram dos filmes de halloween. Parabéns..

  4. Gilson Bloch

    já assisti a batalha dos mortos com Mark Dacascos , e até que gostei….filme produzido pela the asylum..

    • Nilton Kleina

      Não vi esse, mas o Mark Dacascos pode ser garantia de uma ação pelo menos decente! E a Asylum, apesar das inúmeras bolas fora, às vezes consegue algum sucesso. “Sharknado” é distribuição deles!

  5. vanessa vasconcelos

    nem lembro se já assisti esse troço,e depois de ver essa crítica desanimei mais ainda.

  6. Guilherme

    Eu já tentei assistir alguns filmes da Asylum mas é muito difícil. Parece até que eles querem que as pessoas não assistam. E pq criar um assassino que fará o telespectador ter pena? Seria melhor fazer uma reviravolta maluca e mostrar que ele matou os pais e só imaginou os bandidos.

    • Nilton Kleina

      Alternativa arriscada, mas é uma ideia bem mais interessante mesmo!

  7. Olívia Baldissera

    Muito boa a crítica. É como o remake de Halloween, com o Malcolm McDowell. Afinal, é para ficarmos com medo ou pena do assassino, que tem um passado infeliz que o tornou assim?
    Pena que o filme não seja digno do autor que escreveu a crítica.

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