Video Violence (1987)

Video Violence (1987)

Video Violence
Original:Video Violence
Ano:1987•País:EUA
Direção:Gary P. Cohen
Roteiro:Gary P. Cohen, Paul Kaye
Produção:Ray Clark
Elenco:Gary Schwartz, Chick Kaplan, Robin Leeds, Paige Price, Kevin Haver, Art Neill, Bart Sumner, Joseph Kordos, Chris Williams

Na explosão da era do VHS nos Estados Unidos produções independentes filmadas e lançadas diretamente em vídeo (denominados SOV’s) começaram a aparecer como uma praga pelas locadoras de todo o país. E o gênero terror era a aposta mais segura, pois com um mínimo de orçamento (e pouco talento) era possível fazer um longa com facilidade, o que pontuou a era de prata do exploitation pelos idos do final dos anos 80.

Blood Cult de 1985 é considerada a primeira produção SOV a ser colocada nas prateleiras e, a partir de seu sucesso no underground, o interesse só cresceu… E os fãs de terror além de terem opções diferentes ainda tinha o fator “colecionístico“, pois eram de distribuidoras tão limitadas em recursos e diretores tão desconhecidos que alguns se tornaram lendas. Conforme a década acabou, o acesso das pessoas a filmadoras VHS cresceu e este método característico de filmagem e distribuição foi caindo em desuso até desaparecer por completo.

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Neste período Gary P. Cohen, um atendente de locadora em Bayonne, Nova Jersey, teve uma ideia para um filme e ela surgiu de uma maneira um pouco inusitada: enquanto estava no trabalho uma mulher com uma criança pequena entrou na loja. Após olhar as prateleiras da seção de terror, pegou a fita de I Dismember Mama (1972) e perguntou a Cohen se a fita continha nudez, “porque se só tivesse violência, as crianças poderiam assistir“. Parcialmente chocado com a pergunta, Cohen rapidamente elaborou um roteiro (em conjunto com Paul Kaye), pegou um orçamento de nada e começou a filmar… Daí saiu Video Violence, uma bobagem sangrenta de que não tem a menor vergonha de ser amadoramente atuado, despretensiosamente filmado, cheio de buracos na trama e com efeitos de custo “zero“.

Steven (Art Neill) é um recém chegado a uma pequena cidade e inaugura uma locadora de vídeo… Você sabe, aqueles lugares onde a gente das antigas costumava ir e pagar para levar uma caixa de plástico para casa, ver um filme numa televisão de tubo e voltar pra devolver em um prazo determinado… O sucesso da locadora faz bem para os negócios – aparentemente cada morador tem seu aparelho VHS em casa – porém, para o estranhamento do dono, eles só alugam filmes de terror bem sangrentos.

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As coisas ficam complicadas quando ao abrir a loja para mais um dia de trabalho, encontra uma fita sem identificação entre as devoluções. A curiosidade bate mais forte e ele coloca no aparelho da loja para ver do que se trata, pensando que talvez fosse a filmagem de uma festa ou do jogo que passou no dia anterior, entregue na locadora erroneamente. A surpresa é que a fita exibia um snuff legítimo! Ou, pelo menos, tão legítimo quanto o orçamento pôde ser. O assassinato filmado foi cometido por duas pessoas que se identificam como Eli (Uke) e Howard (Bart Sumner) contra um senhor amarrado num colchão, o chefe dos correios da cidade.

Horrificado, Steven corre para comunicar o chefe de polícia (William Toddie), enquanto seu funcionário Rick (Kevin Haver) toma conta do estabelecimento. O velho policial, achando que se trata de uma brincadeira, a princípio reluta, mas resolve acompanhar o homem para ver o que ele quer mostrar, só que ao retornarem Rick desapareceu e a fita foi substituída por outra inofensiva.

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Não é spoiler dizer (até porque dá para manjar do primeiro frame mostrado) que a cidade guarda um segredo… E de fato o segredo é que a cidade inteira está imersa numa rede de criação e distribuição de snuff movies entre si, com todos os assassinatos registrados e apresentados em todos os detalhes por Eli e Howard. Evidentemente não tarda muito para Steven e sua esposa Rachel (Jackie Neill), correrem perigo iminente por investigarem o que está acontecendo.

A história tem potencial e é simples, mas os buracos são imensos e o maior deles aparece quando a reviravolta final se apresenta, pois é um plano que anula boa parte da (pouca) coerência do que vimos até aquele momento… É aquilo: se era para terminar deste jeito, porque enrolaram tanto pra isso, quando poderiam dar uma solução em 3 minutos de projeção?

Só que quando você encontra uma fita dos anos 80 com o título Video Violence e uma capa chocante, não está tão interessado nisso, não é verdade? E no quesito violência a produção não fica devendo nada. Nos “snuff” filmados por Eli e Howard vemos vários pares de peitos, muita morte on-screen, tudo sem pudor e com litros de sangue na tela: você verá decapitações, desmembramentos, perfurações e cortes… Por um lado o orçamento que os efeitos aparentam é de fazer rir – muitas lâminas retráteis, membros de plástico e facas evidentemente falsas – por outro o amadorismo da filmagem em VHS também mostra seu lado rústico e por vezes eficiente.

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O tom da produção oscila entre a comédia e o horror pleno – normalmente ficando na comédia, para o nosso gosto – e dá para sacar o final a milhas de distância, mas não dá para negar o charme de época: aspecto de tela full frame cheio de imperfeições, figurino, iluminação, estilo de filmagem, atuações…

Não é à toa que ninguém teve uma carreira depois de fazer este filme. Tudo o que é mostrado é do tipo de coisa que só se vê encapsulado nos anos 80, assim Video Violence é um guilty pleasure e a avaliação do espectador fica de acordo com o quanto ele valoriza ou deprecia estas características. De ruim mesmo fica a longa duração do filme que permite que várias cenas se estendam para além do necessário, quando poderia ser mais compacta e eficiente.

Sobre isto uma curiosidade: o diretor pediu para um amigo para usar o equipamento de edição em uma estação local de TV a cabo. Quando, após alguns dias, ficou sabendo do que se tratava, o amigo ficou furioso e só deixou-o usar o equipamento durante a madrugada. Mesmo assim conseguiu agendar e exibir três vezes na mesma estação de TV… Na verdade duas, pois a terceira foi cancelada quando o dono da estação assistiu ao filme completo, hehe…

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Ao fim, o filme ganhou distribuição nacional nos Estados Unidos pela Camp Motion Pictures e o sucesso nas locações e vendas habilitou a realização de uma continuação já no ano seguinte, o inferior Video Violence 2 – The Exploitation, também lançado direto em vídeo… Esta análise fica para a próxima fita.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

Um comentário em “Video Violence (1987)

  • 19/06/2014 em 21:52
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    É uma ótima raridade violenta e sangrenta da melhor época do Horror que foi a década de 80 e que muita gente não conhece , por isso eu recomendo .
    Vídeo Violence é uma pérola de gore e diversão , sou muito feliz em ter esse filmaço em DVD com trailers de outras produções totalmente desconhecidas da mesma distribuidora juntamente com os extras , na minha coleção !

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