Críticas

Anjos da Noite: O Despertar (2012)

É um bom exemplar da série, mas levemente inferior aos demais filmes ao acrescentar elementos desnecessários à mitologia das criaturas!

Anjos da Noite 4 (2012)

Anjos da Noite: O Despertar
Original:Underworld: Awakening
Ano:2012•País:EUA
Direção:Måns Mårlind, Björn Stein
Roteiro:Len Wiseman, John Hlavin, J. Michael Straczynski, Allison Burnett
Produção:Gary Lucchesi, Tom Rosenberg, Len Wiseman, Richard S. Wright
Elenco:Kate Beckinsale, Michael Ealy, India Eisley, Stephen Rea, Theo James, India Eisley, Sandrine Holt, Charles Dance, Kris Holden-Ried, Jacob Blair, Adam Greydon Reid, Catlin Adams

O vampiro Bela Lugosi se transforma em morcego para escapar das garras do lobisomem Lon Chaney Jr., em Abbott and Costello Meet Frankenstein, de 1948. Não foi o primeiro encontro entre os monstros clássicos da UniversalFrankenstein encontra o Lobisomem (1943) e depois em A Casa de Frankenstein (1944) -, mas esse ato final, numa produção que associava aos astros da comédia Abbott e Costello, é o primeiro momento que surge na minha mente quando recordo dos famosos confrontos. Desde então essas criaturas apareciam em seus filmes solos e, mais tarde, ousariam dividir a preferência do público em produções crossovers, como parceiras ou inimigas. No segundo milênio, antes da saga Crepúsculo incomodar os fãs dos monstros, era dado o pontapé inicial para uma batalha definitiva: Anjos da Noite.

Recebida com receio pela audiência, já que a ideia de colocá-los como inimigos mortais que usam armas de fogo e se escondem da população num submundo gótico era até um pouco arriscada, a franquia acabou conquistando seu espaço no gênero fantástico ao apresentar confrontos sangrentos, mortes violentas e efeitos especiais convincentes, misturando horror e ação nas doses certas. Após o sucesso dos dois primeiros filmes, foi realizado uma prequel, que pretendia encerrar todo o ciclo da saga dos lycans e vampiros contando como tudo aconteceu. Mesmo não tendo efetivamente a protagonista Kate Beckinsale, Anjos da Noite: A Rebelião conseguiu levar um grande público aos cinemas, deixando em evidência o interesse da plateia pela série e a possibilidade de realização de novos filmes.

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Em 2012, chegou aos cinemas, com estreia no dia 2 de março no Brasil, o quarto longa da mitologia Underworld, intitulado Anjos da Noite: O Despertar, trazendo novamente o personagem de Selene e a promessa de ampliar os conceitos já apresentados, além de fazer uso do 3D para permitir uma nova visão sobre a franquia. A ação se passa seis meses após os acontecimentos de Anjos da Noite: A Evolução, quando a raça humana finalmente descobriu a existência das criaturas sobrenaturais, iniciando uma ação militar global conhecida como The Purge.

Com o inimigo em comum, imaginava-se que os lycans e os vampiros fossem se unir para sobreviver, mas não foi o que aconteceu: quase em extinção, os monstros foram obrigados a buscar refúgio em outros lugares, como tentavam fazer Selene (Kate Beckinsale) e Michael (Scott Speedman) quando foram surpreendidos por soldados armados. Michael fora ferido gravemente, enquanto Selene acabou sendo capturada pelos militares. Doze anos depois, após a conclusão das campanhas de genocídio contra as criaturas da noite, foram apresentados números que informavam que os primeiros haviam sido extintos e só restavam 95% dos sugadores.

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Selene, conhecida agora como Cobaia 1, é libertada de seu estado criogênico pela Cobaia 2 e consegue escapar dos laboratórios da corporação médica Antigen, cujo propósito aparente é produzir um antídoto para as pessoas transformadas. Sozinha, num mundo novo, ela tenta descobrir quem a libertou e que estranhas visões são aquelas que surgem em sua mente, provavelmente relacionadas com a Cobaia 2, que ela acredita ser Michael. Quem acompanha as notícias e trailers no Boca do Inferno já sabe que se trata de Eve (India Eisley), sua filha produzida em laboratório, o primeiro ser originalmente híbrido. É claro que a garota servirá de interesse para os lycans remanescentes, ao passo que incomodará os vampiros, cabendo a Selene a obrigação de protegê-la de todos os inimigos.

Entre os novos personagens da nova fase da franquia, há o vampiro David (Theo James), que conduzirá mãe e filha para seu clã, comandado por seu pai Thomas (Charles Dance), que culpa Selene pela extinção da raça; e o diretor do laboratório Antigen, Dr. Jacob Lane (Stephen Rea), que tem um objetivo diferente: criar a raça perfeita, um lycan que pudesse resistir à prata, tornando-se maior e invencível, como seu filho Quint (Kris Holden-Ried). Outra peça fundamental da produção é o Detetive Sebastian (Michael Ealy), incumbido da missão de investigar o laboratório e a estranha que teria fugido do local. Ele guarda em sua memória o triste fato de sua esposa, vampirizada, ter sido eliminada pelos humanos.

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Enquanto esteve presa no laboratório, Eve foi educada por Lida (Sandrine Holt), uma doutora que acabou se apegando à menina como se fosse sua filha. Eve é a última descendente do patriarca das criaturas, Alexander Corvinus, e possui todos os poderes dos monstros, além da capacidade de se comunicar telepaticamente com seus pais. Aliás, esse recurso de comunição foi uma das ideias mais infelizes da série Anjos da Noite, ficando difícil saber quem a idealizou se levar em consideração que o roteiro foi escrito a oito mãos – Allison Burnett, J. Michael Straczynski, John Hlavin e Len Wiseman.

No entanto, essa não foi a única ideia ruim do novo filme: embora os lycans queiram Eve a todo custo para propósitos científicos, alguém sabe explicar por que, de repente, no último ato, eles resolvem simplesmente matá-la? Fica claro que a criação da personagem, já considerada como substituta de Kate Beckinsale (sempre a mesma história, mas, desta vez, espero não se concretize pois India Eisley é bastante limitada), teve como único objetivo a perseguição a Selene, para evitar repetir conceitos dos dois primeiros filmes, mais voltados para Michael e ascensão dos mestres.

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Todo o passado da série é deixado de lado no novo filme, algo que também me incomodou. Sempre fui fã da franquia, exatamente por ela atravessar oito séculos de batalhas e confrontos. Ao optar por um novo caminho, embora seja uma decisão saudável, acabou afastando sua profundidade. Assim como a sequência final, quando percebe-se que possivelmente novos filmes serão realizados, seguindo os passos de Resident Evil, com um gancho que praticamente exige uma continuação.

Anjos da Noite: O Despertar é um bom exemplar da série, mas levemente inferior aos demais filmes. Possui uma trilha interessante, com músicas do Linkin Park (Blackout), Evanescence (Made of Stone) e até The Cure (Apart), efeitos especiais agradáveis – embora o lobisomem gigante tenha deixado a desejar -, uma direção que não incomoda e a beleza da imortal Kate Beckinsale, motivos mais do que suficientes para conferi-lo nos cinemas, em 3D. Além disso, é o filme mais sangrento da franquia, um prato cheio para os vampiros cinéfilos!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. Já foi juri de festivais e eventos do gênero! Contato: [email protected]

3 Comentários

  1. rick

    efeitos especiais de péssima qualidade e o vilão mais tosco da franquia.

  2. Sou fã da Trilogia e achei esse filme completamente desnecessário. Talvez tenha sido uma tentativa frustrada de emplacar um piloto de série, sei lá. Achei muito fraco. Ficou parecendo filmezinho de ação bobo, com efeitos especiais, estilo Resident Evil, daqueles que a molecada de hoje A-D-O-R-A!

    • Mk

      Rapaz eu concordo plenamente contigo, esse último eu acho um lixo, com efeitos péssimos e história no ”melhor” estilo Resident Evil.

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