Críticas

Os Espíritos (1996)

Essa comédia de horror carregada de efeitos especiais foi uma espécie de prova de fogo para o talento de Jackson!

Os Espíritos (1996)

Os Espíritos
Original:The Frighteners
Ano:1996•País:EUA, Nova Zelândia
Direção:Peter Jackson
Roteiro:Fran Walsh, Peter Jackson
Produção:Peter Jackson, Jamie Selkirk
Elenco:Michael J. Fox, Trini Alvarado, Peter Dobson, John Astin, Jeffrey Combs, Dee Wallace, Jake Busey, Chi McBride, Troy EvansR. Lee Ermey, Elizabeth Hawthorne

A carreira do neozeolandês Peter Jackson chega a ser tão bizarra quanto as criaturas de seus próprios filmes. Iniciando sua carreira no fundo de quintal com uma câmera Super 8 e usando seus amigos como atores, Jackson fez seu primeiro longa, Trash: Náusea Total (1987) com recursos próprios. A história de um esquadrão das forças especiais da Nova Zelândia em pé de guerra com alienígenas famintos por carne humana rendeu fama ao diretor, que continuou sua carreira com Conheça os Feebles (1989) hilariante comédia de humor negro estrelando marionetes desbocadas, prostituídas e viciadas em drogas. Com um orçamento maior, Jackson lançou Fome Animal (1992), que o sagrou como mestre do gore e continua, até hoje, sendo o seu melhor filme.

Costuma-se criar um hiato entre Fome Animal e a trilogia O Senhor dos Anéis, iniciada em 2001 com A Sociedade do Anel e seguiu com As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003). A partir daí Jackson se tornou um dos principais diretores de Hollywood, lançando o megalomaníaco King Kong (2005) e o pausterizado Um Olhar do Paraíso (2009), antes de voltar à Terra Média com a trilogia O Hobbit, que teve seu último capítulo lançado nos cinemas em 2014. Nesse hiato, onde houve a transição do garoto rebelde para o cineasta de primeiro escalão, que estão alguns dos filmes mais interessantes do cineasta. É nessa fase que Jackson lançou o sensível Almas Gêmeas (1994), o falso documentário Forgotten Silver (1995) e o nosso objeto de hoje, Os Espíritos (1996). Essa comédia de horror carregada de efeitos especiais foi uma espécie de prova de fogo para o talento de Jackson. Foi também seu último filme abertamente de horror, o que não deixa de ser uma pena, já que é difícil que ele volte ao gênero tão cedo.

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Os Espíritos conta a história de Frank Bannister (Michael J. Fox, provando que há vida além de Marty McFly), paranormal que vive de aplicar golpes na pequena cidade de Fairwater. Com a ajuda dos fantasmas Cyrus (Chi McBride), Stuart (Jim Fyfe) e Juiz (John Astin, que intepretou Gomez Addams na série clássica A Família Addams), Bannister simula poltergeists para depois cobrar pelo exorcismo. Durante um dos golpes ele conhece Lucy Linskey (Trini Alvarado, que é a cara de Andy McDowell) e seu marido Ray (Peter Dobson). Lucy é uma médica que está tratando de Patricia Bradley (a veterana Dee Wallace), sobrevivente de um massacre perpetrado pelo maníaco Johnny Barttlet (Jake Busey que tem uma semelhança assombrosa com o ator que interpretou Biff Tanen na série De Volta para o Futuro, também protagonizada por J. Fox).

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A pacata Fairwater está passando por uma onda de mortes misteriosas, onde pessoas perfeitamente saudáveis morrem subitamente de ataques cardíacos. Enquanto testemunha uma das mortes, Bannister encontra a figura da Morte, de capuz e foice, carregando as almas de suas vítimas. Eis que surge o investigador do FBI Milton Dammers (Jeffrey Combs, sendo foda), um agente com sérios problemas mentais que crê que Bannister é o assassino que está à solta. Além de provar sua inocência, Bannister precisa impedir o Ceifador Sinistro de fazer mais vítimas, o que leva a uma surpreendente reviravolta que vira a caçada de cabeça para baixo.

Se há um filme na carreira de Jackson que espelha perfeitamente Os Espíritos, este é King Kong. Não por semelhanças, mas exatamente por estarem em pólos opostos. Os Espíritos é de uma época em que Jackson, assim como os efeitos de computação gráfica, estavam sob teste, e, por isso mesmo, ambos dependiam de bastante criatividade e jogo de cintura para provar o seu valor. Kong foi feito depois de O Senhor dos Anéis quando tanto Jackson quanto a computação gráfica já haviam se estabelecido como os novos donos do pedaço. E exatamente por essa falta de barreiras, Kong se tornou um filme interminável e enfadonho, ao passo que Os Espíritos ainda é bastante divertido e merece melhor consideração.

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E já que falamos de efeitos especiais, os de Os Espíritos são realmente impressionantes. Alguns, como os da Morte digital, se tornaram datados, mas o verdadeiro achado são os próprios espíritos, representados por almas azuladas e transparentes capazes de atravessar superfícies sólldas mas, ao mesmo tempo, de interagir com os objetos de cena. Pode-se dizer que são revolucionários, e sozinhos valem o ingresso.

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Mas o roteiro do filme também é dinâmico e criativo, criando bons personagens intepretados por atores inspirados. Além de J. Fox, num dos seus últimos papéis principais antes da aposentadoria por conta do Mal de Parkinson, Os Espíritos se beneficia das breves mas memoráveis performances de Dee Walllace, Jake Busey, John Astin e de uma hilariante ponta de R. Lee Ermey, interpretando praticamente o fantasma do seu personagem em Nascido para Matar. Mas quem se destaca mesmo é Jeffrey Combs, que assume o exagero do agente Dammer e traz umas boas risadas nervosas para este filme criativo e envolvente, que, assim como Almas Gêmeas, merece sair do limbo deste hiato e conquistar novos fãs.

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2 Comentários

  1. Vitor Marcelo

    vale pelo Jeffrey Combs , queria ver mais ele em produções de “luxo”!!

  2. Mk

    Eu assistia muito esse filme quando era criança, na época que o SBT exibia filmes de terror a tarde.Bons tempos.

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