Críticas

O Matadouro (2016)

O terror noir de Darren Lynn Bousman apontado como um dos melhores filmes de 2016!

O Matadouro
Original:Abattoir
Ano:2016•País:EUA
Direção:Darren Lynn Bousman
Roteiro:Christopher Monfette
Produção:
Elenco:Jessica Lowndes, Joe Anderson, Lin Shaye, Dayton Callie, John McConnell, Bryan Batt, Michael Paré, J. LaRose

Quando um filme de horror é lançado no Brasil diretamente em vídeo, é bastante comum imaginar que se trata de uma produção barata, daquelas que estacionarão nas lojas por muito tempo sem expectativa de menção pelos fãs do gênero. O fato da distribuidora ser a Universal já é motivo de um olhar diferenciado, mas nada poderia ser mais atrativo do que um artigo no site Bloody Disgusting apontando o longa de Darren Lynn Bousman como o melhor filme de 2016! O título óbvio – O Matadouro, na tradução do original Abattoir – também não ajuda muito, podendo relacionar o conteúdo a mais um slasher como tantos outros; assim como a capa vermelha com a imagem de um homem de costas, coisas penduradas numa árvore e a taglineEle estava esperando por você“!

Para quem não se lembra, Darren Lynn Bousman ganhou notoriedade ao escrever o roteiro e assumir a direção de Jogos Mortais 2, em 2005. Depois ele comandaria as partes 3 e 4, o musical Repo! The Genetic Opera (2008), a refilmagem Dominados pelo Ódio (2010) e depois desapareceria com o tosco 11-11-11 (2011) e O Diabo de Jersey (2012), voltando a se envolver com musicais. O Matadouro é o seu retorno ao terror propriamente dito, desenvolvido a partir do roteiro do iniciante Christopher Monfette. Será que depois de criar um rótulo para o gênero, ele estaria pronto para assumir novamente o posto de um nome a ser seguido? Quase. O Matadouro tem boas ideias ali, e sua realização é até curiosa, sem que mereça destaque além do que se propõe.

No enredo, a repórter Julia Talben (Jessica Lowndes, de Altitude, 2010) está em busca de um lugar entre os jornalistas que investigam crimes. Apesar de sua “pele bonita“, como aponta seu chefe no Metro Daily, ela não encontra o caminho certo para conquistar a confiança na função. Contudo, ela não imaginava que sua própria irmã e seu sobrinho enfermo seriam brutalmente assassinados por um insano que assumiu o crime com a velha sentença: “Só fiz o que me mandaram fazer.” O mais estranho da tragédia é que dois dias depois a casa onde ocorreu o crime foi comprada por um senhor e depois revendida, e o ambiente do massacre simplesmente não existe mais no local. Por que alguém arrancaria um cômodo de uma casa e não a utilizaria para mais nada?

Ao se unir ao policial e interesse amoroso Grady (Joe Anderson, A Perseguição, 2011), ela percebe que vários crimes seguiram a mesma linha: pessoas eram mortas de forma violenta em uma morada e um misterioso homem a comprava para retirar o ambiente maldito. Após algumas entrevistas, com os antigos moradores das casas que foram palco de assassinatos, Julia fica sabendo que antes do senhor comprá-lo o local era considerado assombrado. Assim, tudo indica que esse senhor de boa condição financeira tem o bizarro costume de colecionar tragédias e seus fantasmas para a construção de algo único.

Como todas as vítimas tinham alguma relação com a sua cidade natal, eles vão para New English em busca de respostas. Encontram habitantes estranhos, pouco acolhedores, além da esquisita Allie (Lin Shaye, da franquia Sobrenatural), que se veste como alguém que tem a metade de sua idade. Ela mostra para Julia vídeos do comprador, um tal de Jebediah Crone (Dayton Callie), que comandava o vilarejo como um pastor, pedindo sacrifícios em troca de pequenos milagres. Talvez seja o momento de “uma saída pela direita” o quanto antes, ou a veia jornalística de Julia vai impedi-la de ter bom senso?

Além da insistência em saber o porquê de tudo, mesmo quando até o próprio espectador já está imaginando do que se trata, o desejo por respostas vai conduzi-los a situações perigosas envolvendo o confronto com os moradores e com o vilão. Quando tudo parecer conveniente para a narrativa, o último ato unirá as peças perfeitamente, fazendo bastante sentido dentro da proposta. Embora o conteúdo seja em parte investigativo, o modo como são retratadas as assombrações é bem legal, com efeitos em CGI convincentes.

A ideia de colecionar fantasmas não é nova e remete ao clássico 13 Fantasmas (1960) e sua refilmagem, sem contar o que já foi explorado pelo terror oriental. Ainda assim, é impossível não se interessar pelo templo que Jebediah construiu, podendo render outros conceitos a partir daí. Ele é um vilão convencional, não assusta e nem apresenta de maneira coerente suas intenções, embora o ator, Dayton Callie (H2: Halloween 2, 2009), seja bem expressivo. Ainda assim teria sido melhor se o papel pertencesse a própria Lin Shaye. E o longa conta com uma participação pequena do veterano Michael Paré!

Com aspecto noir associado ao subgênero das casas assombradas, O Matadouro se sai bem com seu visual gótico, e a estranheza de uma cidade hostil. Essa mistura de thriller investigativo com elementos sobrenaturais nem sempre funcionam e acabam caindo em armadilhas de sua própria fórmula, mas não é o que acontece aqui. Uma edição mais cuidadosa no final – que repete algumas movimentações assombrosas – e o filme poderia se esquivar se seu título fraco e capinha óbvia para ocupar com facilidade a lista dos melhores de 2016. Chegou bem perto!

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1 Comentário

  1. mandinho

    uma grande perda de tempo!!!!!!!!!! o pior filme que vi esse ano!!!!!! não percam seu tempo!!!!!!

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