Críticas

Lake Alice (2017)

Lake Alice tem uma segunda metade inexplicavelmente amadora e ruim, como se Ben Milliken tivesse tropeçado num gênero com o qual não possui intimidade

Lake Alice
Original:Lake Alice
Ano:2017•País:EUA
Direção:Ben Milliken
Roteiro:Stevie Jane Miller
Produção:Lamar Billups
Elenco:Brando Eaton, Michael Shamus Wiles, Peter O'Brien, Laura Niemi, Eileen Dietz, Craig Rees, Caroline Tudor, Brad Schmidt

Havia uma certa expectativa, decorrente do trailer e da arte promocional, de que Lake Alice poderia ser um slasher interessante. A capa e imagens despertava uma sensação claustrofóbica, com os personagens lutando para sobreviver aos ataques de um grupo de invasores violentos, em meio a um promissor ambiente gélido. Não só não manteve a empolgação, como o longa de Ben Milliken se demonstrou extremamente falho, ruim, mal dirigido e editado, com um enredo deficiente, a cargo de Stevie Jane Miller. Lake Alice é a comprovação de que algumas resenhas podem lhe prevenir de tragédias cinematográficas como esta, se você ignorar seus instintos.

Ryan (Brad Schmidt) finalmente vai conhecer os pais de sua namorada Sarah (Caroline Tudor). Ele então viaja com a família dela até uma cabana isolada para a comemoração do Natal, tentando conquistar seu ciumento pai Greg (Peter O’Brien) e a simpática mãe Natalie (Laura Niemi). Mas, os problemas locais vão além da receptividade cautelosa, uma vez que a polícia, na pele do xerife Hank (Michael Shamus Wiles) e do policial Reed (Craig Rees), aparenta ser problemática e encrenqueira. Além disso, Ryan tem que resistir à presença de um velho namorado de verão de Sarah, o músico Tyler (Brando Eaton) e sua protetora mãe Jane (Eileen Dietz). Todos esses personagens terão algum envolvimento com o incidente que conduzirá um grupo perigoso à cabana, em busca de atos de violência aparentemente sem razão. Eles terão que enfrentá-los nesse feriado frio, encontrando meios de se proteger e atacar, pois parece que fugir não será uma opção viável.

Não se engane com o parágrafo anterior: a realização não faz jus à proposta, rendendo um filme com uma narrativa estranha, desfigurada e repleta de furos. A primeira hora de Lake Alice não traz nada de terror, apenas a apresentação dos personagens e a dificuldade de convívio. Pode ser que você até dê um pause na exibição para voltar a conferir a sinopse ou verificar se não houve uma confusão de títulos. E, acredite, essa é a melhor parte do filme. Caminhando lentamente com os passeios, conversas e o pedido de casamento, até então parece apenas um bom drama, com alguns elementos de romance.

Quando pegadas surgem e a câmera registra uma presença mascarada, filmando a família, o longa muda de gênero. E os problemas começam. Personagens pulam de ambientes, como a floresta, a garagem da casa e o interior da morada, sem um fluxo adequado, deixando o espectador atônito para tentar entender o que está acontecendo. A edição é tão bagunçada e abrupta que algumas passagens perdem o sentido, como se os realizadores estivessem usando o seu trabalho como uma amostragem de montagem irregular. Depois que a identidade dos invasores é revelada – não tem muito mistério, pois o roteiro transformou todo mundo em vilão – perde-se longo tempo em discursos, uma personagem amarrada e um heroísmo improvável até resultar no final anti-climático.

Filmado em 2015, em Tomahawk, Wisconsin, Lake Alice tem uma segunda metade inexplicavelmente amadora e ruim, como se Ben Milliken tivesse tropeçado num gênero com o qual não possui intimidade. Não verá nada do que foi proposto no trailer e imagens, nem mesmo o tal lago Alice do título!

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