Horror Queer – Parte 6: Década de 2000 – De fora, porém orgulhoso

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O século 21 trouxe boas mudanças ao terror, com personagens queer começando a existir como protagonistas reais em suas histórias, em vez de serem relegados a papéis de párias, demônios, desviantes sexuais, assassinos em massa, vítimas trágicas e assim por diante. Personagens queer tinham amigos e estruturas sociais. Os americanos começaram a receber programas como Will & Grace (1988 – 2020) e The Ellen DeGeneres Show (2003 – 2018) em suas casas, tornando as pessoas LGBTQ atraentes o suficiente para a TV convencional. Da mesma forma, os gays em filmes de terror poderiam simplesmente acampar com seus amigos e se preocupar somente com assassinos psicóticos que eram apenas bons e antiquados amigos dos filmes de terror, em vez de caçadores de pecados moralizadores ou como o fato de pessoas trans tornarem-se seres aterrorizantes.

Make a Wish (2002) – Conhecido também como “Lesbian Psycho!”, Make a Wish concentra a sua história em seis mulheres que se reúnem em um parque para um fim de semana de acampamento em homenagem ao aniversário de Susan (Moynan King) que está passando por um momento difícil: Chloe, a primeira namorada de Susan; Dawn, a mais recente; Linda, ex-amante de Susan, agora de volta a Steve, que seguiu Linda para espiá-la à distância; e Monica, que costumava ficar com Susan, mas agora está com Andrea, que está junto no acampamento. Todos têm uma parcela de culpa e segredos na Saga Susan e isso é discutido no decorrer da trama. É como assistir The L Word, mas como um filme de terror onde todos estão sendo sujeitos ao abate na mata só porque estão no lugar errado, não por serem gays!

High Tension (2003) – As “melhores amigasMarie (Cécile de France) e Alexia (Maiwenn) decidem passar um fim de semana tranquilo na casa isolada dos pais de Alexia. Mas na noite de sua chegada, a fuga idílica das meninas se transforma em uma noite interminável de horror. High Tension é um filme altamente violento. É psicossexual. Mas no final do dia, somos levados a assumir o personagem sendo levado à loucura por sua obsessão sexual pelo mesmo gênero. Para mais horror queer com garotas esquisitas desse mesmo segmento cinematográfico, veja Martyrs (2008) outro filme ainda mais violento de Pascal Laugier.

Hellbent (2004)Hellbent não é um ótimo filme, mas o roteirista e diretor Paul Etheredge-Ouzts é uma figura importante no canhão do horror queer por fazer um comentário sobre um bando de homens gays na mira de um serial killer, que não tem discernimento anti-gay como motivo de seus crimes. Joey, Chaz, Tobey, Eddie e Jake são apenas um grupo de garotos comemorando o Halloween em West Hollywood quando um louco sai e começa a deixar um rastro de corpos. Assista com Make a Wish como sequência e relembre a onda gay-slasher dos anos 70.

Seed of Chucky (2004) Glen or Glenda é o nome de um filme de 1953 de Ed Wood sobre um homem (interpretado por Wood) que sofre um conflito de gênero. Glen ou Glenda também são os nomes da prole de Chucky com sua namorada, Tiffany, que têm um filho não-binário em Bride of Chucky. Na mais chocante versão de todos eles, o enredo secundário surpreendente da criança-boneco separando sua identidade de gênero foi uma ótima marca para Don Mancini, criador e roteirista de todos os filmes de Chucky.

The Covenant (2006)The Covenant é como o filme The Craft, mas com rapazes. Taylor Kitsch, Steven Strait, Chace Crawford e Toby Hemingway estrelam como sexys e populares adolescentes da Nova Inglaterra que também são bruxos. Todo o conflito significativo existe entre meninos brigando pelo papel da magia em suas vidas e se juntando na aula de natação, enquanto Kitsch usa a menor roupa de banho possível. Além disso, Sebastian Stan entra em cena no papel de Chase Collins e há uma conhecida briga entre o bem e o mal. Para mais horror homossexual “wicca”, veja o trabalho de David DeCoteau, um pioneiro da onda queer-slasher dos anos 2000, que incluem as franquias Brotherhood e Voodoo Academy.

The Gay Bed and Breakfast of Terror (2007) – Este slasher de orçamento ultra-baixo apresenta um grupo de homens e mulheres gays que acabam no Sahara Salvation, um “pedacinho de céu no deserto” onde agyardam um fim de semana de grandes celebrações gays – mas as recepcionistas tementes a Deus, Helen (Mari Marks) e Luella (Georgia Jean) têm outros planos. Este não é apenas mais um filme “mate seus gays“, com os antagonistas sendo desenhados caricatos como conservadores, republicanos e ultrarreligiosos. Uma mulher até pergunta a um dos convidados o que ele acha da santidade do casamento. Gay Bed and Breakfast of Terror, finalmente, coloca os queers do lado direito da batalha entre o bem e o mal.

Let the Right One In (2008) – Este moderno clássico de terror sueco é também uma história de amor surpreendentemente terna entre um jovem rapaz intimidado chamado Oskar (Kåre Hedebrant), que faz amizade com uma “jovem” vampira chamada Eli (Susanne Ruben). Eli torna-se a única companheira de Oskar e assume o papel de sua protetora. Depois de se aproximar, Oskar pergunta a Eli se ela será sua namorada, apenas para descobrir que Eli não é uma garota. Implacável, Oskar ainda pergunta se ele e Eli podem ficar juntos. Os dois encontram solidariedade em um senso comum de alteridade e veem sua estranheza mútua como algo a amar em vez de algo a temer.

Deixa Ela Entrar (2008)

Otto, Or Up With Dead People (2008) – Um pioneiro do movimento de cinema queercore nascido na década de 1980, Bruce LaBruce é um prolífico escritor e diretor cujos muitos títulos incluem No Skin Off My Ass – sobre um cabeleireiro fantasiando sobre um skinhead – e L.A. Zombie, um filme de terror adulto sobre um zumbi alienígena que muda de forma e desperta os mortos com poderes sexuais regenerativos. Otto, Or Up With Dead People é outro esforço underground queer de LaBruce, e outro filme com zumbis, desta vez seguindo Otto, um morto-vivo que termina em Berlim como o tema de um filme de uma documentarista lésbica fantasma.

Jennifer’s Body (2009) – A roteirista Diablo Cody apostou na boa vontade de Hollywood (que gerou Juno em 2007) neste filme de terror sobre amabilidade e sobre como navegar no ensino médio quando sua melhor amiga subitamente se transforma num súcubo devorador de homens. O filme traça a amizade de dois extremos: a nerd Needy Lesnicki (Amanda Seyfried) e a arrogante cheerleader Jennifer Check (Megan Fox). Elas são inseparáveis, mas sem muito em comum, ainda menos quando Jennifer misteriosamente ganha um apetite por sangue humano após um incêndio desastroso em um bar local. Como os colegas de classe de Needy são constantemente mortos em ataques terríveis, a jovem deve descobrir a verdade por trás da transformação de sua amiga e encontrar uma maneira de parar a fúria sanguinária antes que ela atinja seu próprio namorado, Chip.

Garota Infernal (2009)

FONTES:

Wikipedia – Queer Horror
Vulture – 50 Essential Queer Horror Films
Wussymag – Haunted: The intersections of queer culture and horror movies
Dazed – Queer horror: a Primer
Monsters in the Closet: Homosexuality in the Horror Film (Harry M. Benshoff – 1997)
New Queer Cinema: The Director’s Cut (Ruby Rich – 2013)
Uninvited: Classical Hollywood Cinema and Lesbian Representability” (Patricia White – 1999)

A SEGUIR…

2010 – Eles estão aqui. Eles são Queer. Acostume-se com isso

Leia também:

Parte V: Anos 1990 – Novo Cinema Queer e Papais-Vampiro Gays

Parte IV: Anos 80 – Conservadorismo, AIDS e a incorporação Queer

Parte III: Anos 70 – Vampiras lésbicas e criaturas bissexuais

Parte II: Os Anos 50 – Monstros cafonas e mais subtextos queer

Parte I: Horror Queer – Quando o medo é a baixa representatividade

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Iam Godoy

Escritor, colunista, fotógrafo, libertino, subversivo e um porra-louca sem noção do perigo. Comanda desde 2013 o site Gore Boulevard, antro de clássicos e bagaceiras sangrentas.

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