4.9
(16)

Mártires
Original:Martyrs
Ano:2008•País:França
Direção:Pascal Laugier
Roteiro:Pascal Laugier
Produção:Richard Grandpierre, Simon Trottier
Elenco:Anie Pascale, Catherine Bégin, Emilie Miskdjian, Erika Scott, Gaëlle Cohen, Isabelle Chasse, Jessie Pham, Juliette Gosselin, Mike Chute, Morjana Alaoui, Mylène Jampanoï, Patricia Tulasne, Robert Toupin, Xavier Dolan

Alta Tensão (Haute Tension / High Tension, 2003), Eles (Ils / Them, 2006), A Invasora (À L´intérieur / Inside, 2007), Fronteira (A) (Frontiere (s) / Frontier (s), 2007), e agora Martyrs (2008). O cinema de horror francês é atualmente um dos mais violentos e perturbadores, com filmes tensos, carregados de gore em roteiros que prendem a atenção e principalmente que ficam na memória do espectador. E também, com algumas exceções, constatamos que o tão badalado e popular cinema americano de horror não tem conseguido nos dias de hoje deixar de ser comum, trivial, repleto de clichês e excessivamente comercial, em detrimento de histórias originais e imagens ousadas de violência gráfica.

É difícil apresentar a sinopse de Martyrs sem esbarrar em armadilhas reveladoras de spoilers, portanto a história será resumida em poucas palavras básicas apenas para registro: Lucie (Mylène Jampanoi, de Além da Vida) é uma jovem em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança e de quem conseguiu fugir de forma desesperada, abandonando o cativeiro. Em sua jornada por justiça pessoal, conta com a ajuda da amiga Anna (Morjana Alaoui), que a apoiou durante anos nos momentos de depressão e com seu problema de auto mutilação. Porém, tanto Lucie (atormentada num mundo de insanidade), quanto principalmente Anna, não imaginariam a horrenda experiência com propósitos obscuros em que seriam vítimas.

Dirigido e escrito por Pascal Laugier, de A Profecia dos Anjos e de O Homem das Sombras, o filme é ultra violento (a cena de vingança com o tiroteio é memorável), sangrento ao extremo (o líquido vermelho banha a tela em demasia), e explora um tema original (depois de ver o filme o espectador refletirá sobre o real significado de mártir), através de elementos interessantes que nos remetem a outros filmes como o americano O Albergue (Hostel), de Eli Roth, na ideia de uma sociedade secreta com objetivos sinistros, e as películas orientais com fantasmas atormentados, nas cenas de alucinação de uma das personagens. E ainda temos um desfecho adequado, tão perturbador quanto toda a bizarra história que é apresentada.

É interessante também notar como os cineastas franceses procuram colocar mulheres como protagonistas (reparem nos filmes citados no início desse texto), fazendo-as sofrer na carne dores e torturas inimagináveis, transformando-as em mártires literalmente. Altamente recomendável, Martyrs é cinema de horror puro, que merece e deve ser respeitado e reverenciado.

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Média da classificação 4.9 / 5. Número de votos: 16

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36 Comentários

  1. Finalmente consegui ver o filme e adorei, não imaginava que o filme seria tão pesado, com certeza não é para todos os gostos. Fiquei interessado agora em outros filmes de terror francês dessa leva como A Invasora e Alta Tensão porém esses filmes infelizmente são difíceis de encontrar e não estão em nenhum streaming que eu saiba.

  2. Martyrs é simplesmente o melhor filme de terror deste século. É extremo, visceral, chocante e até revolucionário na sua narrativa (Poucos teriam a coragem por exemplo de fazer o que Pascal Laugier fez na metade do filme em relação à protagonista e ainda sim soar genial). Mas é também ultra-violento sem nunca perder o sentido, e quem já assistiu sabe que não há um único momento de abrigo no longa, pois a tensão e áurea sombria só aumenta e adquiri novo significado a medida que avança cada ato. Um ponto que é pouco destacado é a fotografia assustadoramente incrível, com destaque para a cena em que Lucie anda pelo corredor com a arma na mão procurando a filha de sua carrasca na infância – perceba o tom azul depressivo do corredor, e a expressão angustiada e pálida da protagonista, e de como essa combinação cria um verdadeiro labirinto depressivo em apenas alguns segundos de cena (Isso por si só já demonstra o potencial do filme, de como tudo foi detalhadamente feito – e acredite, cada cena tem igual impacto) Atinge sem pudor, te derruba a cada reviravolta e tem o melhor final de todos, justamente por ser o mais anti-final que já vi no cinema. Uma crítica implacável que ataca tudo e todos, e te deixa reflexivo mesmo meses depois de o ter assistido (E as vezes até anos – vi pela primeira vez em 2019 e volta e outra ainda reflito sobre ele, mesmo já sendo meu filme favorito de absolutamente tudo). Hora existencial, hora metafísico, é o auge do cinema de terror francês extremo, referência de que a arte pode sim ser extrema e ainda sim transcender ela, criando uma nova abordagem de como fazer de um filme de terror uma verdadeira obra-prima intocável.

  3. Simplesmente ESPETACULAR!!! Um novo clássico do cinema.

    ATENÇÃO; Martyrs está disponível na Amazon Prime

  4. Quem não está acostumado com o “cinema-extremo” e as produções francesas, não vai gostar de Martyrs… Pelos comentários aqui, se vê que muitas pessoas nem deveriam estar no Boca do Inferno (pelos reclames do povo, percebe-se que o filme “cumpriu” o propósito mesmo com as pessoas que não compreendem o New French Extremity). O cinema apresentado por Pascal Laugier não é entretenimento (tá bom, é mas em grande parte não!). É um encontro violento com a miséria humana. Pra mim está no meu Top Dez do gênero. Um filme bem “difícil de digerir”, porque mesmo depois de alguns dias, você vai se pegar pensando nele…

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