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Em maio de 2006 foi exibido o último episódio da primeira temporada da série Ghost Whisperer, protagonizada pela atriz Jennifer Love Hewitt. Na série, exibida entre 2005 e 2010, o espectador é apresentado a Melinda Gordon, a protagonista, que desde a infância enxerga espíritos que, mesmo após sua morte, ainda mantêm pendências a resolver entre os vivos e, por isso, permanecem em torno dos entes queridos. Melinda ajuda alguns desses espíritos a resolverem suas pendências e, com isso, finalmente fazer sua travessia.

Embora centrada em um tema sobrenatural, o mais comum de todos os episódios é trazer problemas pessoais bastante reais, tanto dos vivos como dos espíritos a que somos apresentados. E, a cada episódio, vemos as diversas formas (e dificuldades) que as pessoas têm ao lidar com o luto. Para definir seu trabalho junto aos mortos, Melinda resume dizendo que é uma espécie de “conselheira de luto”.

Qualquer pessoa que tenha tido uma perda importante consegue entender o que é deixar alguma pendência em relação à pessoa que perdeu. Pode ser algo que deixou de falar, uma tarefa que não executou, um pensamento negativo que teve, uma traição sem perdão, uma mágoa que permanece, entre outros tantos exemplos que resumem, no final das contas, a dificuldade que temos em seguir em frente depois da perda de uma pessoa.

Melinda, ao lidar com os vivos que ficaram e com os espíritos que permanecem presos a suas pendências, procura mostrar a ambos a necessidade de seguir em frente, permitindo que tentem compensar o que não puderam fazer ou dizendo as palavras que não conseguiram falar. Entre os casos, é corrente aqueles relacionados a mortes violentas, desde assassinatos a mortos em combate em guerras. Com isso, vão se desenrolando diversas e variadas histórias que problematizam a perda, a solidão, o desânimo, a insegurança, entre outras coisas.

O desenrolar da história mostra aos poucos um mundo subterrâneo muito mais profundo do que aquele conhecido de início por Melinda. Se entre os espíritos encontrados por Melinda a maior parte era de pessoas que sofriam e estavam desnorteadas após sua morte, também havia aqueles que procuravam se beneficiar dessa situação. No final das contas, tomamos contato com uma luta entre grupos espíritos que almejam manipular os demais para obter benesses depois da morte.

Contudo, a despeito desses embates e mistérios, o centro da história é o luto e como os vivos e os mortos o encaram. Os vivos podem dizer que não há nada a falar, como uma forma de autopreservação do sofrimento. Os espíritos têm dificuldade em admitir que estão presos a uma vida que não vivem mais. Os vivos evitam retomar o assunto. Esse é um conflito comum na maioria dos episódios. Melinda os ajuda em suas escolhas, mostrando a necessidade de seguir em frente, depois de reparar ou mitigar as pendências que ficaram.

Na série, Melinda compartilha suas aventuras com diversos personagens, entre os quais seu marido Jim. Em muitos casos, conta com o auxílio de um professor universitário, Rick Payne. Melinda também compartilha muitas de suas preocupações com Andreia e Delia, sócias em sua loja de antiguidades, em diferentes momentos da série. Existem outros personagens, como a mãe e um irmão desconhecido de Melinda e até mesmo o fantasma de seu pai.

Nos últimos anos, observaram-se diversos lançamentos de séries envolvendo espíritos e fantasmas e sua interação com os vivos. Uma delas é The Rising (2022), em que o espírito de uma jovem morta ajuda a esclarecer seu próprio assassinato. Essa é uma premissa semelhante à da série School Spirits (2023). Outra série recente centrada em fantasmas é a comédia Ghosts (2021), em que os fantasmas de diversas épocas estão presos em uma casa antiga que se transformou em uma pousada. Os fantasmas aparecem inclusive em produções coreanos da recente safra de séries, entra as quais Advogado dos Fantasmas, deste ano, e outras mais antigas, como Master’s Sun (2013), O Detetive Fantasma (2018) e Posso ajudar? (2022).

Em Ghost Whisperer coloca-se a necessidade de seus personagens fazerem escolhas respeitando a vida e os sentimentos dos outros e a sua própria subjetividade. Quando encaram a própria morte ou ente querido, ao viver o luto e buscar superá-lo, podem olhar para a frente e escolher viver uma vida renovada.

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