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Sedução e Vingança
Original:Ms .45
Ano:1981•País:EUA
Direção:Abel Ferrara
Roteiro:Nicholas St. John
Produção:Arthur Weisberg
Elenco:Zoë Lund, Albert Sinkys, Darlene Stuto, Helen McGara, Nike Zachmanoglou, Abel Ferrara, Jack Thibeau, Jayne Kennedy

A contribuição de Abel Ferrara para o exploitationrape and vengeance” responde pelo título Ms .45, lançado no Brasil como Sedução e Vingança. Segue a linha de Thriller – Um Filme Cruel (Thriller, a Cruel Picture, 1973) ao mostrar uma moça muda – uma simbologia à ideia de não ter como denunciar seus agressores – partindo para uma vingança contra homens abusivos, sendo conhecida nos jornais pelo título original, uma vez que perpetua sua matança com uma arma calibre 45, o que deixa evidente uma influência também do clássico Desejo de Matar (Death Wish, 1974), de Michael Winner, estrelado por Charles Bronson.

Exibido pela primeira no Festival de Cannes, como outras obras controversas da época, o filme foi bastante criticado e teve cenas cortadas em versões posteriores. A BBFC cortou um minuto e quarenta e dois segundos, mesmo com a clássificação X da MPAA. Diminuíram o tempo da cena de estupro da protagonista e alguns diálogos explícitos como o do estuprador que diz “Isso deveria fazer você falar, hein?”. Independente da versão, o longa se tornou cult, apresentou ao cinema a expressiva atriz Zoë Lund (fez Vício Frenético em 1992 e faleceu prematuramente em 1999 de overdose) e hoje é um dos destaques da filmografia de Ferrara.

Com roteiro de Nicholas St. John (Os Invasores de Corpos: A Invasão Continua, 1993), o longa mostra o pior dia da vida da costureira Thana (Lund), quando, andando pelas ruas de Nova York, é puxada para um beco e estuprada por um homem mascarado, na pele do próprio diretor. Ferida e desnorteada, seu pesadelo se ampliaria na chegada em casa, quando encontra um ladrão no local. Sem encontrar valores, o bandido também a estupra. Thana consegue acertar o agressor com uma maçã de vidro e depois o finaliza com o ferro de passar, arrastando o corpo para a banheira. É dele que ela adquire a arma que irá utilizar a partir de então.

Assombrada pelo que aconteceu, não escondendo o nervosismo até quando seu chefe Albert (Albert Sinkys) rasga uma roupa no trabalho, Thana depois desmembra o estuprador, coloca seus membros em sacos de lixo para depositar em lixeiras na cidade, enquanto guarda o resto na geladeira. Algumas atitudes suspeitas da moça são notadas pela vizinha invasiva, Sra. Nasone (Editta Sherman), que possui o cãozinho xereta Phil, atraído pelos odores do cadáver. A segunda vítima de Thana é um homem da cidade que ao perceber a bolsa caída da jovem corre atrás dela pelas ruas para devolvê-la até ser morto em um beco.

Ela é convidada pelo chefe a participar de uma festa de Halloween, percebendo uma ação de toque exagerado, e aceita o convite – algo que trará um dos momentos emblemáticos da produção. Thana continua sua rotina de descarte e assassinato, matando um fotógrafo abusivo, um cafetão que agredia uma prostituta, uma gangue que tentou agredi-la e até um empresário saudita numa limusine. Thana só não consegue findar um vendedor, com que conversa num parque, apresenta suas lamentações e a arma trava antes dela disparar. O que acontece depois surpreende até a própria garota!

É na festa à fantasia, vestida de freira, que ela tem a oportunidade de ampliar seu repertório de assassinatos, ocorrendo paralelamente à descoberta da cabeça decepada do ladrão pela vizinha e a polícia. Diferente de Thriller, que permitiria até mesmo uma continuação, o final de Sedução e Vingança é melancólico, mas traz uma descoberta interessante envolvendo o cachorro Phil.

Com mais qualidades que o longa de Bo Arne Vibenius, principalmente nos aspectos técnicos como direção e fotografia, Sedução e Vingança apresenta uma versão feminina de Paul Kersey e que deve ter servido de inspiração para a criação de Nikita. Como parte do subgênero, é também é amargo, mas mais voltado à construção da personagem, e possui mais elementos de horror, como a mutilação e exposição de cadáveres, que outros exemplares do estilo. Particularmente, prefiro o longa de Abel Ferrara como produção de vingança feminina, ainda mais pela atuação de Zoë Lund, que permite que o infernauta tenha uma maior empatia pela personagem. Vale conhecer essa produção exploitation!

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