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“Na madrugada do dia 06-06-1766, o cemitério da cidade de Ercassam Orbacam estava silencioso e a noite escura e fria demonstrava medo e pavor. A sepultura de número 666 encontrava-se junto ao portão de saída, cercada por diversas árvores velhas. Era um túmulo de aspecto sombrio e macabro, no qual descansava o cadáver de Henry Morgan (1666-1700), porém ninguém sabia desse fato, pois não havia plaqueta de identificação. Assassino psicopata, Morgan chacinou brutalmente dezenas de vítimas, mutilando-as com um machado de grande porte.
Quebrando o silêncio fúnebre da noite, um ruído áspero e pesado que vinha do sarcófago de Morgan despertava no ar podre que envolvia o cemitério um cheiro de morte. A tampa de pedra da sepultura é então vagarosamente deslocada, fazendo surgir das trevas um vulto em adiantado estado de putrefação. Seu rosto, desfigurado pelo tempo, apresentava sinais de extremo ódio e dor e seu corpo soltava um odor fétido à sua volta. Não haviam dúvidas, Henry Morgan voltara depois de um século de seu nascimento e 66 anos de sua morte, cheio de rancor assassino, para começar mais um massacre macabro…

Henry Morgan nasceu no dia 6 de junho de 1666, uma sexta-feira chuvosa, filho de uma prostituta que nunca chegou a conhecer. Recém nascido, ele foi jogado aos cuidados de um orfanato para bastardos. Lá permaneceu por dezesseis longos anos, onde foi educado de maneira hostil. Fugiu no dia 6 de junho de 1682 e pouco tempo depois acabou conhecendo um velho estranho e de aspecto macabro chamado Etrom, o qual o acolheu e protegeu. Morgan não sabia, mas o velho era um bruxo que frequentemente estava envolvido com magia e rituais de sacrifícios. Etrom transmitiu muitos conhecimentos a Morgan durante os quase quinze anos em que viveram juntos.

Quando os moradores de Ercassam Orbacam descobriram que Etrom era um feiticeiro e que executava animais em seus rituais, eles o capturaram e o queimaram vivo. Morgan presenciou tudo e nada pode fazer perante a imensa multidão que satisfeita, observava o mago se contorcendo em dor e agonia perdido nas chamas. Morgan jurou vingança e, após algum tempo da morte do feiticeiro, ele armou-se de um machado afiado e começou a chacinar as pessoas da cidade, decepando, retalhando, e mutilando com seu instinto vingativo. O psicopata sentia-se cada vez mais forte quando matava e o sangue de suas vítimas parecia aliviar seu ódio infernal. Seu desejo de vingança fazia com que ele não só matasse as pessoas, mas também tornasse seus cadáveres irreconhecíveis. Após dezenas de vítimas ele finalmente foi morto no dia 6 de junho de 1700, numa caçada feita pelos moradores da cidade, que conseguiram prendê-lo e com pedras e pedaços de madeira, o lincharam vivo. Foi enterrado e posteriormente esquecido. Mas, ele voltou… para iniciar mais um massacre macabro…

Ao sair de seu túmulo, Morgan apoderou-se de um machado que estava perdido no chão e saiu à caça de mais vítimas, sedento de sangue e obcecado por morte. Decepava e esquartejava pessoas com ódio. Logo, a cidade desconfiou dos assassinatos brutais e pensaram no psicopata Morgan. Porém, todos se perguntavam como o assassino poderia voltar depois de morto, e essa pergunta nunca foi respondida, pois não há explicação para o infinito universo do sobrenatural.

O maníaco descobriu que estava sendo perseguido e repentinamente desapareceu. O povoado da cidade procurou, mas Morgan havia sumido e com isso as mortes também cessaram. Passou-se algum tempo e tudo voltara ao normal. A cidade acabou esquecendo-se de Morgan, que, ao contrário não se esqueceu deles. Ele havia voltado ao seu túmulo depois de dilacerar mais vítimas como forma de vingança e alívio de seu ódio vingativo. Morgan está vivo e todo dia 6 de junho em cada 66 anos, ele volta com seu machado pingando sangue, para vingar-se e começar mais um massacre macabro…”

Após ler o artigo, Joe McBran fechou o livro e, sentado numa confortável poltrona, começou a meditar. O livro, um volume fino de capa preta, foi presenteado a Joe por um amigo muito especial já falecido, um antigo morador da cidade de Ercassam Orbacam.

Joe nasceu no dia 6 de junho de 1898. Estudou advocacia e era apaixonado por ocultismo. Como estudioso de fenômenos sobrenaturais e, após ler o artigo do livro que fala sobre o terrível Henry Morgan, ele resolveu passar alguns dias na estranha cidade e tentar descobrir algo sobre o misterioso psicopata. Em suas meditações, ele passou a analisar o conteúdo do artigo e pensou consigo mesmo: “Que grande bobagem! Um psicopata que volta do túmulo a cada 66 anos para vingar-se da morte do feiticeiro que o adotou! Isso seria uma boa idéia para um filme de horror!”.

Eram onze horas da noite do dia 06-06-1964. Um ruído pesado, vindo do corredor do hotel em que Joe estava hospedado, fez com que ele despertasse de seus pensamentos. Levantou-se da poltrona e foi abrir a porta do quarto para descobrir de onde vinha o ruído. Ao abrir a porta, Joe é surpreendido por uma figura monstruosa, desfigurada, podre, que lhe cravou um machado afiadíssimo no crânio. Joe cai estrondosamente no chão, mergulhado numa poça de sangue. Após isso, ouvem-se ruídos de alguém caminhando pesadamente. Henry Morgan voltara… para iniciar mais um massacre macabro…

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