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Black Box
Original:Black Box
Ano:2026•País:EUA
Direção:Steven Quale
Roteiro: Stephen Susco
Produção:David Haring, Christian Mercuri, Jonathan Oakes, Stephen Susco, Warren Zide
Elenco:Tom Brittney, Holly White, Betsy-Blue English, Dane Whyte O'Hara, Kaja Chan, Asa Ali, Boadicea Ricketts, Ceallach Spellman, Georgina Leonidas, Molly Belle Wright, Weronika Rosati, Anton Trendafilov, Vaughn Johseph

Sem acesso ao roteiro de viagem de Black Box, a experiência de vê-lo pela primeira vez pode ser até mais interessante. Depois que os voos passaram a abrigar horrores maiores que a turbulência e temporais — e o ponto de partida deve ser o gremlin de “Pesadelo nas Alturas” (Nightmare at 20.000 Feet, 1964), episódio da série Além da Imaginação, dirigido por Richard Donner a partir de um roteiro do experiente Richard Matheson —, poderia ser perigoso encontrar entre os passageiros Samuel L. Jackson e Brad Pitt. Além da criança chorona ou do senhor da poltrona ao lado com hábitos duvidosos, havia o risco de se deparar com zumbis, cobras, pessoas possuídas, epidemias, ser devorado pelos langoliers ou até cair no mar e servir de banquete para tubarões. Sem ver o trailer e imagens promocionais, Black Box atiçava o infernauta com inúmeras possibilidades, sem descartar o horror cósmico.

Bastava saber que o piloto dessa empreitada é ninguém menos que Steven Quale, responsável pelo divertido Premonição 5 e também pelo found footage No Olho do Tornado. Já o enredo estaria a cargo de Stephen Susco, que, em seus dias mais inspirados fez O Grito e O Grito 2, além de Rastros de Vingança — melhor ignorar os feitos de O Massacre da Serra Elétrica 3D: A Lenda Continua, Parque do Inferno e Não Entre. Sem destaque no elenco, o horror claustrofóbico poderia se estabelecer das mais variadas formas, desde as primeiras manifestações de tosse, sangue e insanidade de um idoso doente (Anton Trendafilov), uma versão aérea do Beato Salu (Nelson Dantas), de Roque Santeiro.

Os passageiros desse voo macabro já tinham se manifestado em evidências policiais do prólogo, deixando a entender que dificilmente aquela nave aterrissaria com tranquilidade. O tristonho Jeremy (Tom Brittney) está fazendo a pior viagem de sua vida, principalmente por ter ao lado o tal velho louco. Ele até se distrai com o possível interesse da comissária Emma (Holly White) e com algumas conversas aleatórias com a pequena Chloe (Molly Belle Wright, que esteve em outro voo terrível em Águas Mortais), também abalada com a iminente separação de seus pais. A câmera de Quale também destaca a blogueira Chen (Kaja Chan) e seus amigos, além do intragável Darren (Danny Mac), que prefere o isolamento da classe executiva para não se misturar com os menos favorecidos.

Além do comportamento irracional do idoso, alguns passageiros passam a verter sangue por partes do corpo — felizmente só conseguimos ver os olhos, nariz e ouvidos, graças a Quale —, sentir dores de cabeça e avistarem luzes coloridas dançantes do lado de fora. Para ampliar o pandemônio claustrofóbico, os animais ficam agitados, muitos ali acreditam que há uma epidemia à bordo e os pilotos perdem o contato com a torre de controle. O caos estabelecido, nessa primeira parte do longa, quando não se conhece a ameaça, traz os melhores momentos do filme.

No entanto, Black Box está longe de ser um horror sugestivo, envolto em paranoia e loucura. Logo, referências do subgênero saltam aos olhos, e o longa abraça o estilo “filme de monstro“, com direito a pequenas aranhas despertando até os mortos. Remete sem discrição a Invasores de Corpos, principalmente o longa de 1993, quase reproduzindo o discurso de Meg Tilly: “Para onde você vai, para onde vai correr, onde vai se esconder? Em nenhum lugar… Porque não sobrou ninguém como você.” Quando os clichês se espalham pela aeronave, resta ao infernauta, que já conhece a ordem de importância do elenco, se deixar levar pelo enredo sem surpresas. Até diverte pela dinâmica da proposta — Quale também assina a fotografia e a montagem — ainda que não possa se destacar entre os melhores de 2026 ou dos subgêneros envolvidos.

Há, claro, absurdos como a necessidade de deixar pontas soltas para uma continuação, sem explicação para os buracos de bala, desaparecimento dos pilotos, feridas nas testas e como os passageiros nem sequer são orientados a usar o cinto de segurança durante momentos agitados. Em dado momento, até mesmo uma porta aberta não arrasta os passageiros para fora dela, mesmo estando acima de vinte mil pés!

Se você relevar os furos de lógica e aceitar que se trata de um horror pouco inventivo, pode ser que curta Black Box pela boa produção e efeitos especiais aceitáveis.

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