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Death Bed The Bed that Eats (1977)
A cama do demônio!
Death Bed: The Bed that Eats
Original:Death Bed: The Bed that Eats
Ano:1977•País:EUA
Direção:George Barry
Roteiro:George Barry
Produção:George Barry, Jim Williams, Maureen Petrucci
Elenco:Demene Hall, Julie Ritter, Lisa Bond, Patrick Spence-Thomas, William Russ

por Matheus Ferraz

“Um demônio estava escondido numa árvore, num sopro se transferiu para uma brisa. Neste estado ele correu sobre uma donzela. Ele balançou ao seu lado, preenchendo sua forma. Gentilmente soprou por seu cabelo, sua mente e seus sonhos. Para seduzi-la, ele decidiu criar uma cama, única, para a ocasião. Ele a chamou, sabendo que ela deveria vir. Ele tomou uma forma humana, exceto pelos olhos, pois os olhos de demônios estão sempre cheios de sangue. Mas algo estranho ocorreu: apesar de ser homem em forma, ele ainda era um demônio, não natural para ela, e ela morreu. Este não era seu plano, e ele entristeceu. Seus olhos ficaram frios, e racharam em pesar. Lágrimas de sangue caíram na cama…“

Nos anais do cinema de horror, existem filmes estranhos, existem filmes esquisitos, existem filmes surreais e existem filmes que parecem saídos da cabeça de um maníaco que acabou de comer uma salada de ibogaína. E existe Death Bed: The Bed that Eats, um filme tão bizarro e complicado que acaba sendo fascinante, e às vezes genial.

Muitos acabam julgando mal o filme antes de vê-lo por causa do seu título deslocado. “A cama que come“? Este nome se adequaria perfeitamente a algo do nível de A Camisinha Assassina, por exemplo. Mas acontece que o diretor George Barry não tinha a intenção de fazer algo trash, e sim um filme de “arte“, cheio de monólogos internos, cenas silenciosas e uma mitologia complexa por trás da tal cama assassina. Em suma, seria mais ou menos como se Lars Von Trier resolvesse chamar o seu Anticristo de “A Cabana da Punheta Sangrenta“.

A Cama da Morte é uma antiga peça de mobília possuída por um demônio, e que ocupa um casarão abandonado. Nós somos apresentados a ela através de um personagem chamado apenas de O Artista (interpretado por Dave Marsh e com a voz de Patrick Spence-Thomas), que está há décadas preso dentro da sua própria pintura (!), de onde pode ver a Cama da Morte enquanto ela faz as suas vítimas. E a propósito, apesar de o título indicar apenas que a cama come, ela também é capaz de outras atividades, como se arrumar sozinha, beber, dormir, roncar e (acredite ou não) se masturbar!

O filme começa com um casal que invade a mansão para dar uma rapidinha, e é devorado pela Cama. Depois, através do velho efeito do jornal rodando para a tela e de flashbacks do Artista descobrimos que a Cama vem fazendo vítimas há décadas, como um padre, uma dupla de gângsters e até mesmo um grupo de pessoas durante uma orgia.

Logo a seguir, um trio de moças chamadas Diane (Demene Hall), Suzan (Julie Ritter) e Sharon (Rosa Luxemburg) vai fazer um pique-nique nos arredores da casa. Sharon, sentindo-se deslocada, vai tirar uma soneca e é devorada pela cama. Aliás, tente visualizar o seguinte: cada vez que a cama devora alguém, ela começa cobrindo a vítima com uma espuma amarela e em seguida puxando a pobre coitada para dentro do colchão, que está cheio de ácido gástrico. Ou seja, ela não come, apenas digere suas vítimas inteiras. Por que não chamar o filme de “The Bed that Digests“?

Logo Suzan também tenta dar um cochilo, e acaba sendo a próxima vítima. Numa cena interminável, ela rasteja por todo o quarto até que a Cama a apanha com um lençol e a puxa de volta para terminar a refeição. Sobram apenas Diane e seu irmão (William Russ), que aparece no casarão atrás dela. Ele é atacado pela Cama e tem a carne das mãos arrancadas até o osso. Espere até ver a (falta de) reação do mané, que depois de atacado, não grita nem chora, apenas encara aborrecido as mãos descarnadas com a maior naturalidade do mundo.

E então cabe aos maninhos a tarefa combater o antigo demônio que vive na cama. Seguindo as instruções do Artista, eles descobrem a origem do monstro, assim como o feitiço para derrotá-la de uma vez por todas, conduzindo a história a um confronto final confuso e, como não poderia deixar de ser, bizarro.

Falando francamente, Death Bed: The Bed that Eats não deixa de ser um filme interessante, embora pretensioso até a medula. É muito mais artístico do que o título deixa sugerir, e também bastante original e com um clima tétrico. Tem várias cenas ridículas e um elenco fraquíssimo, mas tem também ótimas ideias, como o personagem do Artista, e a própria origem da Cama. Só faltou, como dito, um título mais sutil, e quem sabe encontrasse seu público. Digo isso porque o filme começou a ser feito em 1972, foi finalizado em 1977 e ficou nada menos que 26 anos no limbo, até ser lançado comercialmente em 2003. Mas acabou sendo descoberto mesmo em 2007, através do comediante americano Patton Oswald, que mencionou o título em seu show de stand-up, o que infelizmente relegou a obra a um (desmerecido) status de trash. Uma pena, já que muita coisa pior (e menos criativa) acabou sendo lançada enquanto a Cama dormia esperando novas vítimas…

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