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A Morte de Drácula (1921)
Metalinguagem e loucura no primeiro filme do Conde

A Morte de Drácula
Original:Drakula halála
Ano:1921•País:Hungria, Áustria, França
Direção:Károly Lajthay
Roteiro:Michael Curtiz, Károly Lajthay,
Produção:Eduard Hoesch
Elenco:Paul Askonas, Carl Goetz, Károly Hatvani, Anna Marie Hegener, Aladár Ihász, Paula Kende, Dezsö Kertész, Margit Lux, Lene Myl, Oszkár Perczel

por Matheus Ferraz

Responda rápido: qual o nome do ator húngaro que foi o primeiro a interpretar o vampiro Drácula no cinema? Bela Lugosi? Errado! A resposta certa seria Paul Askonas, e o filme em questão não é o clássico Drácula (1931) dirigido por Tod Browning, mas um obscuríssimo filme húngaro chamado Drakula Halála ou A Morte de Drácula, feito em 1921.

Este filme infelizmente está perdido. Apesar de trazer pouco do livro original de Bram Stoker, ele ainda assim é um tremendo registro histórico por ser o primeiro a trazer o maior personagem da cultura pop aos cinemas. Apesar e Nosferatu (1922), de Murnau tenha vindo primeiro, os produtores daquele filme foram forçados a mudar o nome dos personagens do livro. Mas mesmo assim, o Conde Orlok de Max Schreck traz mais do vampiro de Stoker do que o Drakula de Paul Askonas, pois no filme húngaro o personagem não é o nobre sanguessuga que sai de seu castelo na Transilvânia para saciar sua sede de sangue na Inglaterra. O roteiro de A Morte de Drácula é, na verdade, uma obra original e metalinguística.

A trama trata da órfã Mary, trancafiada num hospital psiquiátrico. Entre os diversos internos, há um particularmente perturbador: um professor de música louco que acredita ser o Conde Drácula. Ele passa então a assombrar os pesadelos de Mary, e quase leva a garota à loucura. No final, a garota consegue escapar do “vampiro”, e termina se casando com um nobre. Mas, apesar disso, continua o resto de seus dias assombrada pela figura macabra de “Drakula”.

Bem, dá pra ver que de Bram Stoker o filme não traz quase nada. Não temos Van Helsing, Jonathan Harker,  Dr. Seward, Mina Murray ou Lucy Westenra. Mas, apesar de tantas mudanças em relação à obra original, todos têm de concordar que os filmes do Conde não são conhecidos exatamente por sua fidelidade à obra original. Este não é exceção: provavelmente, se não fosse pelo título, seria apenas mais um filme perdido entre centenas de outros. Essa é uma realidade triste, já que tantos filmes importantes feitos na época desapareceram graças à destruição das cópias remanescentes.

A Morte de Drácula (1921) (2)

Bram Stoker em 1912 morreu sem ver uma encenação de sua obra. As primeiras peças começaram a surgir nas mãos de Hamilton Deane, em 1924. Vê-se então que A Morte de Drácula foi feito antes mesmo da dramatização para o teatro. É bom lembrar que Stoker era, ele mesmo, um dramaturgo, e sempre sonhou em transformar sua obra em peça. Reza a lenda que ele teria oferecido o papel do Conde para Sir Henry Irving, um grande ator da época, conhecido pela sua arrogância e mau-humor. Diz, aliás, que Deane teria esnobado Stoker, dizendo que sua peça era horrível, e, assim, perdeu a chance de se tornar imortalizado na figura do maior personagem de horror de todos os tempos. Vale dizer também que o roteiro de A Morte de Drácula teve uma mãozinha de Michael Curtiz, que ficaria conhecido depois por dirigir a obra-prima Casablanca.

O ator Paul Askonas era um astro da indústria cinematográfica húngara, e teve a honra de ser o primeiro Drácula cinematográfico. Ele seria seguido, anos depois, pelo compatriota Bela Lugosi, que, este sim, traria a imagem icônica do Conde às telas, num filme que, embora também fosse muito diferente do livro original, traria elementos que consagrariam o gênero vampírico nas telas. Já o diretor Lajthay Károly era bastante conhecido na Hungria na época, como diretor de thrillers. Ele desapareceria por 12 anos depois deste filme, só voltando a dirigir em 1936. A indústria húngara de cinema é pouco conhecida, mas o país é oficialmente a “terra dos filmes mudos perdidos”. Dos 600 filmes feitos em 1912 e 1930, apenas 45 restaram, e mesmo assim, você já viu algum deles? É um fato triste que apenas filmes de maior projeção mundial ganhem cópias em DVD hoje em dia, enquanto estas pequenas obras estão condenadas a mofar nas prateleiras de depósitos.

A Morte de Drácula foi feito numa época em que não se fazia ideia do impacto que o vampiro teria na história do cinema. Portanto, pode ser considerada uma obra até mesmo ingênua (e digo isso com base nas informações que tenho sobre o filme, já que é impossível assistí-lo). Talvez, se tivesse seguido o caminho das obras posteriores, e realmente adaptado o livro de Bram Stoker, poderia ser considerado um marco na história do cinema. Da forma que foi realizado, é ao menos uma interessantíssima curiosidade histórica.

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1 comentário

  1. Até que seria curioso ver esse filme…
    Uma pena que esteja perdido…

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