
![]() Caça às Bruxas
Original:Season of the Witch
Ano:2011•País:EUA Direção:Dominic Sena Roteiro:Bragi F. Schut Produção:Alex Gartner, Charles Roven Elenco:Nicolas Cage, Ron Perlman, Stephen Campbell Moore, Stephen Graham, Ulrich Thomsen, Claire Foy, Robert Sheehan, Christopher Lee, Rebekah Kennedy, Andrew Hefler, Fernanda Dorogi, Kevin Rees, Matt Devere |
A primeira conclusão que cheguei ao sair da sessão de Caça às Bruxas é que Nicolas Cage, respeitável ator que já ganhou um Oscar e que recebe polpudos cachês por cada filme que trabalha, deveria sinceramente trocar de agente, pois da forma que está seu próximo filme poderá ser com Uwe Boll. A nova associação com o diretor Dominic Sena (60 Segundos) em Caça às Bruxas lançado em circuito nacional no último dia 28 de janeiro, é desastrosa a ponto de ser comparável as aberrações do diretor alemão (Em Nome do Rei, principalmente).
O roteiro escrito pelo novato em longas Bragi F. Schut estava pronto desde 2000 e foi oferecido a vários estúdios quando foi comprado pela MGM, mas que devido as notórios problemas de caixa da produtora (que precisou chegar a decretar falência para se reestruturar financeiramente) alguns ativos precisaram ser vendidos, entre eles os direitos de filmagem que passaram para a Columbia Pictures e depois para a Lionsgate, então foi só em 2008 que os realizadores captaram recursos para filmagem (os 40 milhões dos orçamento) e conseguiram assinar com Nicolas Cage para o papel principal logo após o término das filmagens de Vício Frenético.
Mas você sabe que algo está errado no horizonte quando a distribuidora começa a atrasar o lançamento da produção: Com as filmagens principais (realizadas na Áustria, Hungria e Croácia) finalizadas em abril de 2009, tudo estaria pronto para a estreia estadunidense em março de 2010, a Lionsgate decidiu, porém, atrasar para a época do Halloween e, novamente, para o definitivo 7 de janeiro de 2011, quase 7 meses da data original. Apesar do baixo orçamento quando comparado a blockbusters, Caça às Bruxas está naufragando na bilheteria em seu país de origem: foi só o terceiro filme mais assistido no fim de semana de estreia e até o momento não passou dos 25 milhões de arrecadação, pouco mais da metade do orçamento. Como veremos mais abaixo, tal performance não é muito sem nexo.
Na história, Nick Cage interpreta Behmen, um destemido cavaleiro das cruzadas que no auge da inquisição na idade média junto com seu melhor amigo Felson (Ron Perlman, Hellboy) e seus pinicos como capacete, participaram de batalhas épicas derramando sangue dos infiéis em nome de Deus. Até que em uma destas batalhas, os guerreiros das cruzadas invadem um vilarejo matando a todos, mulheres e crianças. Depois de 12 anos fazendo a mesmíssima coisa, é quando Behmen questiona o propósito de tamanha barbárie e deserda junto com Felson.
Foragidos e procurados por traição, os dois vagam pelas terras devastadas até que chegam a uma cidade em busca de cavalos e provisões que, logo se vê, foi devastada pela peste negra, até então desconhecida dos cavaleiros. Só que ambos mesmo tentando passar incógnitos acabam reconhecidos pelas guardas da cidade e são presos. Nas masmorras á uma chance de redenção oferecida pelo Cardeal D’Ambroise (Christopher Lee, desperdiçado e irreconhecível) infectado e já nos últimos estágios da praga: ele pede aos cavaleiros escoltar uma aparente bruxa (Claire Foy) que seria responsável por espalhar a praga pela Europa a um monastério remoto onde há o último exemplar de um livro sagrado com o qual os monges poderão determinar a inocência ou culpa dela.
A dupla aceita com a condição que ela tenha um julgamento justo (hã?). Então eles partem com o padre Debelzaq (Stephen Campbell Moore, Efeito Dominó), o cavaleiro Eckhardt (Ulrich Thomsen, Hitman: Assassino 47) cuja família foi dizimada pela praga, o mercador picareta Hagamar (Stephen Graham, Snatch: Porcos e Diamantes), que é o único que conhece o caminho e Kay (Robert Sheehan), o coroinha do Cardeal que quer provar seu valor como cavaleiro. E então a jornada começa, passando por florestas, vales, pontes podres (tão distintos entre si que parecem divididos em fases como se os protagonistas estivessem jogando Castlevania) até o lugar onde, se confirmado, colocará um fim a doença que pode dizimar a humanidade.
Caça às Bruxas é um filme tosco e previsível, simples assim. A história não empolga em momento algum, carece de profundidade mesmo com um tema central tão rico como as cruzadas e a perseguição as bruxas, e quando você pensa que toda a estupidez do roteiro já foi destilada, mais perguntas, mais buracos, mais diálogos sem propósito são soltos e chegam ao ponto de enervar. Não obstante, o diretor nos coloca “dúvidas” que não deveriam existir, pois o próprio trailer e a abertura do filme já entregam de mão beijada. Será que existem bruxas ou a obra da inquisição era puramente para reafirmar o poder da igreja? Será que a garota que os cavaleiros tem que escoltar é uma bruxa? E a “grande surpresa” no clímax do filme só serve para colocar mais questões e buracos na pilha que vai se formando que, como se tratam de spoilers, não as colocarei aqui.
Sem personalidade alguma Dominic Sena usa e abusa dos clichês de câmera e uma mistura insana de gêneros diferentes de maneira a formar um pastiche que não dá personalidade nenhuma a película. As cenas de batalha e os cortes rápidos parecem chupadas de 300, outras trazem a mente invariavelmente a Arraste-me Para o Inferno, Evil Dead, Van Helsing, O Exorcista e até O Exterminador do Futuro (acredite). A câmera tremida, a floresta enevoada, a ponte podre, os recorrentes e repetitivos pesadelos de Behmen, as soluções mais difíceis para as tarefas mais simples, tudo cheira a naftalina e papel xerocado, um desperdício dos aspectos sobrenaturais às batalhas épicas, virando uma comédia involuntária de uma hora para outra.
Ao não trabalhar em nenhuma frente e sem nenhuma gota de sangue espirrando para colocar uma classificação indicativa mais branda, Sena joga seu filme aos lobos e o que sobra são os efeitos em CGI profanos, péssimos considerando o que podemos ver nos cinemas hoje em dia (a carroça derretendo e os “monges-aranha” são de queimar os olhos de ruindade), alguns sustos sem o menor propósito de existir e a nojenta maquiagem dos infectados pela praga.
Pelo menos o elenco é esforçado, apesar do desenvolvimento raso dos personagens, e traz um pouco de dignidade para um filme tão mal filmado e com uma história tão simplista e mal trabalhada. Claro que leva um tempo pra acreditar em Nicolas Cage como um cavaleiro (e sempre é difícil acreditar como nos filmes da Idade Média todos os personagens tem a dentição perfeita, hahaha), apesar disso, conforme o tempo de projeção avança você até acaba aceitando. E as locações são belíssimas, mas convenhamos, Em Nome do Rei também era assim. Desta forma prefira um episódio das primeiras temporadas de Supernatural, que além de mais curto, é significativamente mais divertido e coerente.
A impressão final é que os realizadores estavam tentando realizar um filme de horror da Hammer pensando em O Senhor dos Anéis (ou como alguns críticos estadunidenses apontaram: uma refilmagem de O Sétimo Selo por Roger Corman) e, como podem perceber, falhando miseravelmente. Assim Caça às Bruxas abre a lista dos piores de 2011 com um grande headstart! Esta película merece uma audição sim, mas da imolação em praça pública dos seus rolos de filme. Enquanto isso, aguardamos Nicolas Cage no remake de Troll 2.







Este filme tem uma piada genial . Dois dos sujeitos falam o que farão com a recompensa pela caça da Bruxa :
– Eu pretendo comprar uma taverna …
– Eu já tive uma taverna …
– Sério ? E como foi ?
– Depois do meu casamento, foi o pior negócio de minha vida !