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End of the Line
Original:End of the Line
Ano:2007•País:Canadá
Direção:Maurice Devereaux
Roteiro:Maurice Devereaux
Produção:Maurice Devereaux
Elenco:Ilona Elkin, Nicolas Wright, Neil Napier, Tim Rozon, John Vamvas, Christine Lan, Michael Challenger, Robert Crooks

Meus irmãos de fé (e contribuintes), é com grande satisfação que começamos mais uma noite de orações na nossa Igreja La Chiesa sob a orientação do nosso mestre espiritual Sri Bateuma Raphagandhi. Somos filhos do Medo, e a ele oferecemos as mensagens positivas que transmitiremos nesta data especial. Aleluia, irmãos! (e o público repete com empolgação) Hoje, é o dia em que preparemos nossas almas para o fim. Sim, minha querida, meu querido….o mundo está prestes a acabar. Oremos todos numa única voz e convocaremos outros irmãos a orarem por nós.

Por que o fim está próximo?” – você me pergunta. Quando pensamos na quantidade de obras que chegam diariamente aos nossos olhos puros, nosso peito se enche de tristeza. São muitas imagens iguais, representações das mesmas ideias, sem inovações, apenas continuações. Meus irmãos, São Clichê deve estar feliz com tantas homenagens e provas de carinho, mas não devemos adorar um único santo – lembrem-se das nossas regras de sobrevivência! A desculpa dos malfeitores é sempre a mesma: se o filho de Deus ressuscitou, por que não podemos ressuscitar várias vezes a mesma obra? Até mesmo Cristo tem sofrido com suas imitações e tentativas de poluírem suas dádivas.

É o fim, meus queridos. Mas, temos que ter fé. Ainda há esperança! Aleluia! (mais uma vez o público grita agitado). São pessoas como Maurice Devereaux que nos fazem acreditar que ainda existem meios de produzir uma obra digna do gênero. Ele foi o responsável pela crítica ousada aos reality shows com seu ótimo $la$her$, mesmo tendo poucos recursos para viabilizar seu trabalho. Depois de sete anos de silêncio – Jacó que o diga -, o cineasta francês surgiu com mais um bom trabalho, ainda que um pouco influenciado com o que já foi mostrado antes. Meus irmãos, o sermão de hoje é dedicado ao mais recente filme de Devereaux chamado End of the Line. Já ouviram falar?

Vocês, que prestigiam nossas vigílias da madrugada e que abandonam seus lares para nossos encontros de fé, sabem que filmes que têm como pano de fundo as estações de trem e metrô existem aos montes. Recentemente, Ryuhei Kitamura trouxe o digital, mas interessante, O Último Trem, baseado em obra de Clive Barker. Antes, já tínhamos acompanhado o também ótimo e sinistro Plataforma do Medo, de Christopher Smith…Ainda vimos o Metrô da Morte, com Donald Pleasence, além do clássico Expresso do Horror, com Christopher Lee e Peter Cushing; o desgovernado Expresso para o Inferno, o Trem do Terror, com Jamie Lee Curtis, o extraterrestre Trem da Morte, o divertido Pânico a Bordo; e o fraquinho Expresso Macabro, com David Naughton – sim, amigos, aquele mesmo que fez o clássico Um Lobisomem Americanos em Londres e que tem aquela famosa e assustadora cena de ataque no metrô. Notaram como o mundo dá voltas?

Por falar em cenas clássicas no metrô, os fiéis podem lembrar também do suicídio coletivo do clássico japonês Suicide Club, de 2002 e também da aparição assustadora no ótimo Shutter tailandês; além da melhor cena do filme Premonição 3, na sequência final, que muitos acreditam que poderia ser o pontapé para o quarto filme; entre outros bons momentos.

End of the Line segue a linha das produções apocalípticas, envolvendo fanatismo religioso – algo que não acontece com a nossa comunidade, não é, meus irmãos? Aqui não pregamos o fim do mundo – apesar dele estar próximo -, vocês contribuem com quanto podem e quando podem – estão apenas reservando um lugar ao lado de nosso mestre espiritual, certo? Por falar em contribuição, a nossa sacolinha já está passando por vocês, sejam gentis, aceitamos cheques pré-datados (mas, não muito datados, pois o fim está próximo).

O filme já começa dando um banho de sangue no espectador. Os créditos iniciais surgem enquanto acompanhamos um passeio de metrô por túneis escuros e sombrios, com a câmera sendo balançada como se fosse uma passageira. Dentro do vagão está Karen (a belíssima Ilona Elkin), que observa um grupo de estranhos de costas ao fundo, enquanto nota um envelope grande endereçado a ela, num banco próximo. Ao abri-lo, a garota se surpreende ao notar que há um desenho que retrata com exatidão aquelas pessoas que ela vê ao fundo. Quando ela compara a imagem com os personagens no metrô, eles a atacam violentamente com um visual bastante amedrontador: com olhos e boca costurados com pele. Ela então aparece mergulhada num mar de sangue até acordar entre lágrimas no chuveiro. Após o banho, a jovem se prepara para mais uma noite de trabalho ao lado de seu vira-lata Happy, enquanto o rádio relata uma série de atentados suicidas que andam aterrorizando a população em vários lugares do mundo, envolvendo conflitos religiosos – algo que nunca acontecerá com a nossa comunidade que prega a paz, irmãos!

Na cena seguinte, temos uma referência aos filmes orientais de terror: sozinha, uma jovem japonesa aguarda com muito nervosismo a chegada do metrô. Ela percebe ao fundo uma pessoa de costas; a cada desvio de olhar a figura está mais perto. Quando o trem se aproxima, a pessoa se vira lentamente e está com a boca também costurada e cheia de vermes. Aterrorizada, a garota se joga na frente trem.

Toda essa sequência acontece antes dos cinco primeiros minutos do filme. Por isso, irmãos, eu disse que existe uma salvação para o gênero. Dois momentos assustadores para deixar o espectador preso à poltrona, querendo saber o que são essas criaturas terríveis e o que elas pretendem. Aleluia, meus amigos! (e a população proclama em voz alta).

São oito horas da noite. Em seu trabalho noturno no hospital psiquiátrico, Karen tenta conter a loucura de um paciente que insiste em dizer que os demônios estão em todos os lugares. Sem querer tomar seu remédio, o paciente (que lembra bastante o Padre Quevedo) engole o terço que segura para desespero da jovem. Duas horas depois, Karen conversa com outro enfermeiro e ambos estranham a quantidade de atendimentos naquela noite. O colega diz que pode ter alguma relação com o fato de ser uma noite de lua cheia, com eclipse lunar. Sim, meus irmãos, a noite era igual a esta de hoje. Daqui a pouco, teremos o fenômeno, vamos aguardar com ansiedade as orientações de nosso mestre.

No hospital, em destaque uma mensagem de esperança de uma seita que oferece “muffins” (!!!). Uma outra colega de Karen conta a ela sobre o suicídio da garota que acompanhamos a pouco, chamada Viviane Lee (Christine Lan) que era paciente do hospital. Uma hora depois, quando o relógio aponta para as onze, Karen come um “muffin“, quando nota um envelope grande idêntico a aquele que ela viu em seu sonho. Enviado por Viviane, traz a mensagem “Logo, eles irão se revelar”, e apresenta alguns desenhos bem feitos, mostrando pessoas ao redor de uma fogueira com o rosto do demônio, uma sala de aula e um lugar do hospital, onde aparecem criaturas escondidas. A porta atrás dela se abre, derrubando o crucifixo na parede, para a entrada de um funcionário da limpeza – num susto bem feitinho.

Hora de ir embora. Karen já está na estação aguardando o último metrô, que evidencia mensagens religiosas por todos os lados. “Ouça a Voz”. Já passa da meia-noite, estão apenas ela e um rapaz que ela discretamente paquera. Surge um outro que fica enchendo a paciência de Karen, dizendo para ela dar atenção a ele pois pode não existir o amanhã. Salva por sua paquera, que se apresenta como Mike (Nicolas Wright), Karen diz que não quer papo, mas acaba se aproximando do rapaz após ter uma visão assustadora da jovem Viviane em pedaços no trilho, pedindo ajuda. O trem chega. Os três entram em vagões separados.

Assim que entra no túnel, o trem dá uma freada brusca e pára, alertando que alguém apertou o botão de emergência, apesar da garota não conseguir entender direito a mensagem do maquinista, sempre acompanhada de um som sinistro. Uma voz assustadora começa a chamar Karen. Ela está sozinha, irmãos. Coloquem-se no lugar dela. Tudo isso que eu narrei até o momento aconteceu antes dos primeiros quinze minutos de filme. Ficaram com medo? Ainda não ouviram nada.

Outra aparição da Viviane morta e ensanguentada na janela do metrô aterroriza Karen, que, desesperada acaba reencontrando Mike. Minutos depois, surge uma senhora de aparência simpática, querendo saber também porque o trem parou no túnel escuro. Ela diz ter visto algumas pessoas esquisitas andando do lado de fora do trem dizendo ser o “fim da linha”. Logo, a “boa senhora” é interrompida pelo seu pager. Depois de ler a mensagem, pega em sua bolsa um punhal em forma de cruz e acerta violentamente Mike nas costas, espirrando sangue exageradamente na janela do trem. Ela diz que eles precisam ser salvos. Quando surgem novas pessoas com punhais, Karen e Mike saem correndo do vagão.

Nesse momento, temos uma ação inteligente desse belíssimo roteiro, irmãos de fé! O tempo volta e mostra o que aconteceu quando aquele estranho, Patrick, que havia aterrorizado Karen na estação, entrou no trem. Vemos o mesmo aterrorizando uma japonesa e até sendo o motivo da parada do trem no túnel até o toque do pager que ele também possui. Conhecemos outros personagens sendo atacados pelo grupo de religiosos com seu punhal espalhados no trem. Entre eles, temos um casal de jovens, Jonathan (Tim Rozon) e Sarah (Nina Fillis), que resolve transar no vagão, até saírem depois da parada para bagunçar no túnel – foram seus gritos que Karen escutou quando estava com Mike. Há também um rapaz que conseguiu fugir do trem com um machado depois de ser perseguido por cinco membros da religião.

Assim, Mike e Karen se unem a Jonathan e Sarah, à japonesa e ao rapaz do machado, além de dois operários do metrô – Davis (Danny Blanco Hall) e Frankie (John Vamvas). Eles se trancam numa sala e se armam como podem – martelo, pé de cabra, machado, o que estiver ao alcance. Lá, descobrem que aquilo está acontecendo em todos os lugares. Os rádios e a televisão só transmitem a mesma mensagem. Eles precisam sair daquele lugar, mas para isso terão que enfrentar a fúria dos fanáticos e seus punhais. Não é maravilhoso, irmãos?

Sim, irmãos, End of the Line é um filmaço. Apesar de fazer uso de uma ideia que já foi aproveitada antes – alguém assistiu Fórmula Fatal, de Daniel Myrick? – é bem feito, com ótimos sustos e cenas sangrentas com direito a machadada no rosto, martelada, apunhaladas pelo corpo…sem poupar sangue. Diferente da nossa religião, irmãos, a “Voz da Esperança Eterna” prega a salvação da almas através do assassinato antecipando a chegada de demônios que irão surgir para castigar os que estão vivos. É ousado ver os religiosos esfaqueando as pessoas com frases como “Deus te ama” ou “Deus é Amor”.

Além daquela “simpática” senhora Betty (Joan McBride), o filme traz um outro personagem peculiar: Jerry (Robert Vézina), um membro da religião que não quer matar ninguém. Não quer seguir as ordens do Reverendo, questionando suas atitudes violentas. No decorrer do filme, vemos seus colegas tentando iniciá-lo no processo – algo que lembra bastante a iniciação em O Albergue 2. Patrick é outro personagem de destaque no longa. Sua presença repugnante e sua fala afiada incomodam os heróis e os espectadores a cada aparição.

Apesar do final deixar uma dúvida no ar sobre duas possibilidades, a mensagem que fica é mais assustadora do que os demônios. Até que ponto a fé e a religião podem destruir o homem? Tendo em vista os conflitos que acompanhamos diariamente nos noticiários, além dos famosos casos de fanatismos religiosos que levam pessoas a cometerem suicídio ou crimes bárbaros, a conclusão a que chegamos é a do fim iminente.

Graças ao nosso mestre espiritual, temos consciência dos nossos atos e sabemos que estamos contribuindo para a salvação da humanidade, meus irmãos! Esse tal Reverendo do filme não se compara ao nosso guia de luz – não acreditamos que devemos matar as pessoas para levá-las ao Reino de Deus, já que a catedral é o nosso corpo, Ele está em nós! Aleluia, irmãos! (mais um grito eufórico)

Bom, chegou o momento que aguardávamos. Nosso Mestre pede que saiamos às ruas em busca de novos fiéis, preparando-os para o fim dos tempos. Lembrem-se: nada de mortes, apenas torturas – principalmente para aqueles que seguem outras religiões e que não conhecem o caminho da verdade! Aleluia…

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7 Comentários

  1. Adoro as críticas do Boca do Inferno, mas essa discordo. Esse filme é ruim, mas ruim demais. Filmes apocalípticos já deu…. E esse pensei que seria algo novo, mas putz!! É péssimo. Mesmice de sempre. Antes de terminar de assistir, já vai estar querendo que o mundo acabe mesmo.

  2. Tipo de filme que gosto. Adorei a análise, vou procurar e ver se é realmente bom.

  3. Este filme faz tempo que esta na minha lista para assistir, tomei coragem depois desta resenha

  4. Excelente post ,vou conferir esse filme parece ser bem interessante.

  5. Otima crítica! Perfeita. Agora terei que ver esse filme urgentemente. xD

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