Sobrenatural: Capítulo 2 (2013)

Sobrenatural 2 (2013) (2)

Sobrenatural: Capítulo 2
Original:Insidious: Chapter 2
Ano:2013•País:EUA
Direção:James Wan
Roteiro:Leigh Whannell, James Wan
Produção:Jason Blum, Oren Peli
Elenco:Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Ty Simpkins, Lin Shaye, Steve Coulter, Leigh Whannell, Angus Sampson, Andrew Astor, Hank Harris, Jocelin Donahue, Lindsay Seim

É cada vez mais comum a produção de franquias nos cinemas, onde surgem os “Parte 2”, “O Retorno” ou “Subtítulos-estranhos-para-a-segunda-parte-de-filmes-de-horror”, mas, nesse contexto, o diretor James Wan opta por algo mais simples – “Capítulo 2”. Uma excelente escolha, já que em Sobrenatural: Capítulo 2 (2013), assim como em um livro tradicional, as ações ocorrem logo na sequência do final do primeiro filme.

A impressão de capítulo fica ainda mais evidente através de diversos elementos que contribuem para a sensação de continuidade: a escolha do elenco, que se manteve o mesmo, os cenários e a composição de imagens extremamente parecidas com a do original, que transmite ao público a impressão de que os filmes formam um livro que constitui aos poucos a montagem de sua narrativa. Ao mesmo tempo, nada impede o espectador de executar o caminho oposto e “ler” o segundo capítulo antes do primeiro, as narrativas se intercalam e são bem costuradas, deixando ao público um entendimento das produções, também, de formas independentes.

A trama se caracteriza como uma clássica história de assombração, com ar oitentista e abertura com título em letras garrafais e som estridente, onde Wan segue a mesma linha de Sobrenatural (2011) e Invocação do Mal (2013). Além disso, o diretor abre mão dos grandes efeitos especiais computadorizados, compondo as cenas através dos jogos de luz e sombra, maquiagem e, principalmente, a tensão na eminência do susto, em situações em que nos preparamos para os sustos, mas que, no final, não acontecem.

Na continuação, a família Lambert tem sua casa fechada para investigações devido aos incidentes ocorridos com a médium Elise (Lin Shaye), desse modo, vão passar uma temporada com Lorraine (Barbara Hershey), mãe de Josh (Patrick Wilson). Na nova casa esperam que tudo esteja tranquilo e que não haja mais nenhuma espécie de ligação com elementos sobrenaturais, como sofreram na primeira parte da trama, mas aos poucos eles começam a notar algumas reações estranhas em Josh, o que faz com que Lorraine procure a equipe que trabalhava com Elise: Specs (Leigh Whannell), Tucker (Angus Sampson) – responsáveis pelas cenas cômicas da trama – e Carl (Steve Coulter), para que juntos possam contatar a médium e descobrir o que está acontecendo. Partindo dessa premissa, ações do primeiro longa são explicadas e desenvolvidas de forma bem didática, não deixando a menor margem de dúvidas acerca dos acontecimentos ocorridos.

Diversas comparações já foram feitas entre Sobrenatural (2011) e Poltergeist (1982), devido às temáticas extremamente similares. A continuação também segue uma linha que dialoga com o clássico, onde a assombração ou ser sobrenatural não está na casa, mas, sim, perseguindo determinados personagens,  numa estreita relação com o temido “outro lado” ou “outra dimensão”, que, no caso da franquia Sobrenatural, este “lado” é visitado e se caracteriza por algo que podemos comparar a uma “balada” à fantasia, com muita fumaça de gelo seco.

Longa nos levará a The Further.

A abordagem narrativa e técnica de James Wan na saga de Sobrenatural, bem como em Invocação do Mal, é o que faz com que suas produções sejam tão assistidas. Ele retoma a preceitos clássicos do gênero de horror, utilizando o temor de algo que não se pode controlar como ferramenta essêncial em seus filmes, o que na contemporaneidade acaba deixado de lado pelas produtoras diante dos efeitos especiais e possibilidades de chocar o público através de elementos mais explícitos do gênero, como os utilizados pelo diretor em Jogos Mortais (2004). Desse modo, no Capítulo 2, vemos em uso elementos do cotidiano domiciliar da família Lambert transformados em elementos aterrorizantes, como os brinquedos das crianças e até mesmo panelas que se transformam em armas (em uma das melhores cenas de luta do longa), afinal, sejamos sinceros, em nenhuma casa, quando se abre um armário de cozinha, você iria encontrar disponível uma moto-serra para se defender ou atacar alguém, né?

O segundo capítulo se sobressai ao primeiro na narrativa e nas cenas de humor, quase não abordadas na primeira parte, mas que na continuação aparecem nas lutas e cenas de Specs e Tucker. Ao contrário de seu antecessor, onde o clímax final encerra o filme de forma intrigante, aqui, a trama caminha bem até os momentos finais, onde é levado ao famoso “final meio sem graça”, justamente por não surpreender um público que esperava algo um pouco mais chocante, tendo em vista a primeira produção.

Sobrenatural: Capítulo 2 é um filme que vale a pena ser assistido, por imbricar elementos clássicos do gênero ao mesmo tempo em que os atualiza. Essa produção demonstra que o talento do diretor James Wan ganha cada vez mais credibilidade em produções do gênero, por surpreender, quase sempre positivamente, o público.

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Luana Caroline Damião

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

8 comentários em “Sobrenatural: Capítulo 2 (2013)

  • 11/01/2014 em 22:16
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    Acompanho a cinematografia de James Wan e, até agora, ele não me decepcionou.
    Talvez eu me desiluda com o novo Fast & Furious, mas o saldo permanecerá positivo.
    Parabéns à convidada Luana Damião, que mostrou-se mais perspicaz e de visão mais astuta que o também convidado Marcus Lamim.

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  • 15/12/2013 em 14:51
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    Eu gostei do filme, melhor q o 1!, e pelo q eu vi na expressao da velhinha no final, o terceiro filme, sera cabuloso!

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  • 09/12/2013 em 14:41
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    Oi Luana! Gostei muito da tua crítica. Gosto dessa leitura precisa e sem usar muitos termos técnicos e chatos, rs! Adorei a comparação com um livro! Nossa! vou ver o filme de novo para perceber as coisas que disse!! Parabéns!

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  • 05/12/2013 em 18:41
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    Ei Luana, gostei muito do teu comentário.
    Concordo muito contigo quando diz que o filme pode ser sim visto isoladamente, apesar de ser uma continuação. Isso porque, em diversos momentos, o diretor procurou ser didático em relação aos acontecimentos do primeiro filme. Os flashbacks, poucos, também são fundamentais. E, para além disso, o filme ainda se apresenta como uma excelente continuação, sem perder em qualidade.

    Acho que você foi direto ao ponto: o que torna a franquia interessante é justamente a ausência de efeitos mirabolantes e a escolha em se manter na linha clássica de terror.

    Gostei muito do filme e de suas observações.

    Boa Sorte.

    Abraço

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    • 05/12/2013 em 21:51
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      Hei Daniela,

      Obrigada pelo comentário!

      Realmente os filmes podem ser vistos de forma separada tranquilamente. É claro que a “leitura” desta narrativa se torna mais completa quando se acompanha sua linearidade, mas acredito ser uma ótima sacada de Wan colocar a saga de Sobrenatural desta forma, que foge de pontos tradicionais, ao mesmo tempo que os aborda nos elementos clássicos do terror.

      Valeu novamente pelo comentário e por acompanhar a seleção!

      Abraços.

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  • 05/12/2013 em 14:13
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    outro artigo,nossa……… verei o filme.

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    • 06/12/2013 em 16:09
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      Obrigada pelo comentário!

      Assista sim Vanessa, vale super a pena! Depois comente com o que achou =)

      Abraços.

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      • 12/12/2013 em 00:18
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        ótimo filme mesmo,James wan é foda 🙂

        Resposta

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