![]() Anatéma
Original:Anatema
Ano:2024•País:Espanha Direção:Jimina Sabadú Roteiro:Jimina Sabadú, Elio Quiroga Produção:Álex de la Iglesia Elenco:Leonor Watling, Pablo Derqui, Jaime Ordóñez, Keren Hapuc, Mauro Brussolo, Mariano Llorente, Manuel de Blas, Xoán Fórneas |
Tomar decisões é algo complicado, certo?
Eu mesmo, com toda certeza, sou culpado disso. Tenho 23 anos de idade (faço 24 em setembro, mas você pode adiantar o meu presente compartilhando esse texto com seus amigos!), já me inscrevi em diversas faculdades, cursos extracurriculares e tentei uma penca de profissões, apenas para continuar sem ideia do que diabos quero fazer da vida. Alguns dizem que sou jovem demais para me preocupar tanto, e outros afirmam que todas as minhas chances já se esgotaram e que eu deveria me contentar com o que já tenho, ser grato por não estar na pior.
Para mim, decisões são uma incógnita: por mais que representem uma nova realidade, também excluem outra opção completamente diferente. Afinal, qual é a decisão correta? São tantas possibilidades; um emaranhado infinito de caminhos. Você pensa que foi esperto, escolheu o certo e que as coisas vão melhorar, mas não para de pensar no que teria acontecido se tivesse optado pelo contrário! A lista de arrependimentos é longa e, por mais que eu saiba que isso é peso demais para carregar, que o passado é imutável, que eu deveria me concentrar no presente e todas as outras obviedades do tipo, sei que sempre vou ser visitado por uma crise existencial ou outra.
A verdade é que tomar decisões faz parte da vida e, uma hora, até mesmo eu vou precisar escolher algo e, sem medo de errar, ir até o fim. Faz parte do amadurecimento humano, algo necessário para continuar vivo. Não podemos depender de terceiros para escolher o que é melhor para nós, nem negar o que desejamos em prol de interesses alheios. Quando você é incapaz de escolher, as coisas ficam bagunçadas e perdem o valor; nada faz sentido, e tudo aquilo que você fez parece apenas um amontoado de nada.
E é basicamente esse o caso de Anatéma.
Na produção dirigida por Jimina Sabadú, quando estranhos acontecimentos em uma igreja ameaçam a segurança do mundo, uma freira, uma arqueóloga (que também é freira) e dois padres (sim, é praticamente Os Vingadores) se reúnem para descobrir o que está acontecendo e, juntos, batalham contra forças malignas… O filme também tem uma sessão de exorcismo, romance hétero sem sal, pseudo-romance lésbico interessante, umas quatro cenas dos personagens tomando café e um show de luzes que facilmente poderia ser confundido com uma rave.
Ao abrir este texto falando sobre tomar decisões, minha intenção foi maior do que apenas despejar minhas frustrações superficiais em vocês, caros leitores. Tratou-se de uma pincelada no panorama geral, uma introdução ao fato de que, para se ter sucesso em qualquer projeto, é necessário assumir o protagonismo e fazer escolhas. Nesse contexto, Anatéma representa o exato oposto desse anteriormente mencionado “sucesso”; na verdade, podemos considerar esse filme a quintessência do “fracasso”.
Aqui, os realizadores do projeto claramente se privaram da tarefa de escolher o que deveria ser reescrito, regravado ou simplesmente excluído. Em vez disso, preferiram atirar para todos os lados, isentos de intenção. Trata-se de um longa completamente perdido, ironicamente afundado.
Nos primeiros segundos de filme, eu estava embarcado na aventura. A introdução surge como algo interessante, com direito a frase de efeito em tela preta e uma trilha sonora soturna, que nos apresenta um ambiente desconfortável e uma situação assustadora. Mas então, passados aproximadamente 20 segundos, tudo vai por água abaixo: a montagem é confusa, as atuações são injustificavelmente exageradas e, no geral, não há como se importar com o que é exposto, porque eu não consegui nem ao menos compreender o que se passou em tela. É realmente difícil descrever o motivo de nada fazer sentido, pois faltam palavras no dicionário para explicar a falta de coesão entre essas cenas de abertura.
A partir daí, as coisas só ficam piores. Anatéma parece, por vezes, estar apostando uma corrida consigo mesmo. Durante toda a sua duração, nenhum personagem explica o que está acontecendo, quem é a pessoa X ou qual é o panorama geral da situação. Eles estão sempre correndo para algum lugar, conversando sobre localidades e eventos que se misturam em um texto raso e, paradoxalmente, a cada cinco minutos parece ser introduzido um novo personagem na história. Quando esse filme terminou, eu fiquei de boca aberta. Não por espanto, mas simplesmente por não ter entendido nada. A impressão que ficou é a de que vi um vídeo em velocidade acelerada, como quando colocamos algo em 2x (mas, nesse caso, foi em 10x!).
Afinal, qual é o objetivo dessa gente? Em alguns momentos, os personagens falam de fechar a tal tumba de onde saem as criaturas sinistras (que, inclusive, são eles mesmos que abrem); em outro instante, a conversa gira em torno da necessidade de coletar provas (porque vai que a polícia decide prender o fantasma, né?) e, no fim das contas, a busca é por um selo nunca mencionado, encontrado de maneira aleatória, em uma sequência sem qualquer nível de emoção.
Constantemente, as coisas apenas acontecem. Todos, menos o telespectador, parecem saber exatamente o que está rolando, e os personagens comentam sobre os maiores absurdos como se fosse apenas mais uma terça-feira. Eles avistam criaturas medonhas e seres extradimensionais, são atacados por espectros fantasmagóricos e perseguidos pelos mais insanos temores, apenas para reagirem como se nada daquilo importasse.
“Tranquilo, pô! Deixa eu rezar um Pai-Nosso e bora pra cima!”
É estranho, bagunçado e, acima de tudo, sem importância. Nenhuma cena me despertou qualquer curiosidade, não existe um personagem em toda essa trama com o qual eu consiga minimante me importar. O sentimento que fica é de um tempo desperdiçado, um investimento em vão. Não é ruim de maneira engraçada, mas sim altamente frustrante.
Assim, na pressa de apresentar conceitos e personalidades, Anatéma peca ao ser incapaz de nos convencer a dar qualquer importância ao roteiro. Não obstante, a direção é qualquer coisa. Os designs de algumas criaturas são até legais, mas elas aparecem tão pouco na história que nem dá para considerar isso um ponto positivo. Uma pena, pois hoje foi um dia frio e chuvoso, e tudo o que eu mais queria era ter visto um bom filme de terror. Em vez disso, vi um amontoado de más decisões… ou melhor, decisão nenhuma.







