Haze (2005)

Haze (2005) (3)

Haze
Original:Haze
Ano:2005•País:Japão
Direção:Shin'ya Tsukamoto
Roteiro:Shin'ya Tsukamoto
Produção:Shin'ichi Kawahara, Shin'ya Tsukamoto
Elenco:Shin'ya Tsukamoto, Takahiro Murase, Takahiro Kandaka, Masato Tsujioka, Mao Saito, Kaori Fujii

Tsukamoto já produz filmes no Japão há, pelo menos, 40 anos. Toda essa produção não vem gratuita: possui uma grande legião de fãs na terra do sol nascente, sendo considerado atualmente, um diretor “cult”.

Caracterizações a parte, Tsukamoto sempre busca pela experimentação em seus filmes, que, na maioria das vezes, têm um pezinho na ficção cientifica e na exploração do corpo humano e suas formas de expressão (como podemos observar no clássico do diretor, Tetsuo: The Iron Man, 1989). Entretanto, desde o inicio dos anos 2000, vem explorando um novo lado: a mente humana e sua expressão na tela.

Haze (2005) (1)

Pode parecer meio bizarro, e é mesmo. Em Haze, Tsukamoto procura demonstrar através de cenas de aflição, claustrofobia e masoquismo o interior da mente humana. Uma espécie de viagem metafórica para entender por que as pessoas se afundam em tristezas, depressão e não conseguem encontrar uma saída fácil, mesmo sabendo exatamente o ponto de entrada de toda a questão.

A trama segue um rapaz (interpretado pelo próprio diretor) que acorda dentro de uma espécie de labirinto, com paredes estreitas e um espaço diminuto, o que o obriga a se rastejar pelo chão a procura de uma saída e se machucar nos diversos obstáculos que existem pelo caminho. Quando encontra alguma parcela de luz, tudo o que consegue enxergar são pessoas sofrendo torturas horríveis, como se não houvesse saída alguma. Mas tudo muda quando encontra uma garota no labirinto, que diz conhecer uma saída, que consiste basicamente em nadar numa piscina de corpos, por onde entraram no túnel. Você deve estar se perguntando se essa sinopse foi um spoiler gigante. Bom, o enredo é basicamente esse mesmo, confesso. Mas não é isso que te faz assistir os intermináveis 49 minutos de Haze, e sim, entender porque tudo aquilo acontece.

Haze (2005) (2)

A fotografia do filme é horrível. Feito primeiramente em media metragem, com 25 minutos de duração, e depois em versão estendida do diretor, Haze prova que o tempo não faz diferença. Você fica meio na duvida do que esta vendo, pela péssima qualidade da imagem, mas ao mesmo tempo, ela parece fazer sentido, ao se posicionar na visão do protagonista ao avistar um lugar tenebroso e desconhecido.

O filme fez tanto sucesso no Japão, que foi teatralizado. Só não me perguntem como foi esta adaptação, simplesmente, não consigo imaginar!

Haze (2005) (4)

Haze é exatamente seu título: uma bruma/névoa, uma vagueza de espírito. Um passeio pelos terrores da mente humana, que muitas vezes, só se torna mais simples através de metáforas e indagações. Não é um filme fácil de ser digerido, por isso, se você não é um grande fã de cinema experimental, passe longe de Tsukamoto. Mas, se você está afim de se aventurar em uma viagem claustrofóbica, boa sorte!

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Luana Caroline Damião

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

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