1977: Enfield (2017)

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1977: Enfield
Original:This House Is Haunted: The Investigation of the Enfield Poltergeist
Ano:2017•País:UK
Autor:Guy Lyon Playfair•Editora: Darkside Books

FUI EU QUE FIZ“, disse a voz do interior de Janet, garota de 11 anos que, entre agosto de 1977 ao início do novo ano, se tornou o epicentro de um dos principais fenômenos sobrenaturais já registrados. Ela e seus três irmãos – Rose (13), Peter (10) e Jimmy (7) – viveram um inferno público, sob a visão aterrorizada da mãe, Peggy Harper, e dos especialistas que visitaram o endereço. Guy Lyon Playfair, membro da Society for Psychical Research (SPR), ao lado de seu parceiro Maurice Grosse, participou de boa parte dos mistérios, durante os 14 meses de convívio naquela casa maldita, no subúrbio de Londres.

Toda a sua experiência, relatada no diário produzido e nas centenas de horas de gravação de Playfair, foi organizada e exposta no livro This House Is Haunted: The Investigation of the Enfield Poltergeist, lançado no Brasil em edição caprichada pela Editora Darkside Books, com o título 1977: Enfield. Desde os primeiros incidentes, com a movimentação estranha de móveis e sons, além do desaparecimento de itens da família, até a possessão de Janet, o pesadelo é contestado por estudiosos que enxergavam oportunismo na venda de livros pela atenção atraída, principalmente quando o caso chegou ao conhecimento de um jornalista do Daily Mirror.

Fica óbvio o tempo todo que Playfair quer comprovar a veracidade dos fenômenos. Além de apresentar uma narrativa bem didática e linear, mesmo com a repetição constante de fenômenos, a todo momento ele evidencia seu interesse em descobrir uma possível traquinagem de Janet, seja através de microfones escondidos ou na maneira de registrar com fotografias o que acabara de testemunhar. Durante o programa da ITN news, que foi ao ar em 12 de junho de 1980, Janet chegou a admitir que um ou dois dos fenômenos ocorridos haviam sido forjados pela família para ver se “o sr.Grosse e o sr.Playfair seriam capazes de descobrir. Eles sempre conseguiam“.

Dividida em 20 capítulos, a obra tem um bom material de informação e imagens que permite uma interessante imersão à época. Entre os nomes mencionados pelo autor, há alguns que estão com asteriscos como indicação de que foram trocados. Assim, é curioso ver a pequena participação de Ed e Lorraine Warren no episódio, com outras denominações – diferente do que é visto no filme Invocação do Mal 2, onde a dupla se torna essencial para a pesquisa e resolução dos mistérios.

Assim, 1977: Enfield se torna uma interessante referência ao ocorrido no período, deixando o leitor à sua própria convicção. Ao término, nos apêndices, Playfair tenta mais uma vez explicar o que seria um poltergeist, um dos questionamentos que mais recebera em toda a vida. Ele, que esteve com grandes especialistas e chegou a morar no Brasil para investigar ocorridos ao lado de Chico Xavier, reflete: “Ninguém pode explicar o que é um poltergeist, nem eu. Posso apenas dizer o que ele faz.“. E fez muito bem.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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