Family Blood (2018)

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Family Blood
Original:Family Blood
Ano:2018•País:EUA
Direção:Sonny Mallhi
Roteiro:Sonny Mallhi, Nick Savvides
Produção:Greg Gilreath, Adam Hendricks, John H. Lang
Elenco:Vinessa Shaw, James Ransone, Colin Ford, Ajiona Alexus, Eloise Lushina, Davis Aguila, Ciaran Brown, Matthew Davis

Family Blood entra pra galeria dos filmes de horror estragados pelo prólogo. A sinopse e as imagens poderiam instigar o espectador a querer descobrir quais mistérios envolvem “as dificuldades inesperadas” que a protagonista terá pela frente, mas a sequência inicial, com o ataque a uma família, já deixa evidente que se trata de mais um filme de vampiros. A aposta de Sonny Mallhi passa a ser, então, estabelecer uma relação entre o vampirismo e o vício, além de uma boa referência, talvez sem intenção, ao thriller clássico O Padrasto.

Devido ao seu vício em drogas, Ellie (Vinessa Shaw, de Viagem Maldita, 2006) se muda com seus dois filhos, Kyle (Colin Ford, da série Under the Dome) e Amy (Eloise Lushina), para uma nova cidade para um recomeço. A perda do marido e indiretamente dos filhos a incentivou a continuar participando de grupos de apoio para narrar sua difícil jornada de combate ao vício. Lá ela conhece o estranho Christopher (James Ransone, de A Entidade, 2012), que, ao notar um desvio de Ellie, resolve transformá-la em vampiro nos moldes clássicos: rasga o pulso e lhe dá sangue, depois a morde e, por fim, quebra seu pescoço para que ela renasça como uma “criatura da noite“.

Para tentar diferenciar as velhas influências, Sonny permite que seus vampiros não temam a luz do sol e nem a cruz, mas percam o reflexo nos espelhos. Ellie continua o processo de transformação-clichê: não consegue mais se alimentar, todas as feridas são imediatamente cicatrizadas, além do interesse por sangue. É claro que seu filho irá se cortar – no caso, duas vezes – somente para que ela descubra o que está acontecendo e tenha que aprender a controlar seus instintos. A partir daí, Christopher tentará “entrar para a família“, sentindo a pressão de Kyle para impedir a aproximação desse padrasto indesejado.

Embora possa criar algum desconforto imaginar a chegada de um estranho à família, o tal vampiro não se mostra assustador em nenhum momento. Há uma insistência na brincadeira do “vampiro só entra se for convidado“, que a solução para isso nem chega a surpreender. Só resta ao público perceber que a intenção dos realizadores é criar metáforas para o vício, como se o vampirismo pudesse explicar a angústia sofrida por uma pessoa que passa a ser dominada por aquilo que está em seu sangue. Entre bobagens como o “voo” de Kyle pela casa, ao ser arremessado pelo vilão, você nota que Family Blood quer apenas deixar como mensagem o sofrimento de uma família diante de um dependente químico.

Sonny Mallhi, que já havia trabalhado dramas pessoais no seu anterior, Anguish (2015), parece ter uma certa fixação pela beleza de Vinessa Shaw, por vezes fixando a câmera em seu rosto. Se o roteiro, escrito por ele e Nick Savvides, está cheio de lugares-comuns e vícios da linguagem cinematográfica, pelo menos devia ter explorado melhor a tensão e o medo em vez de acreditar que o simbolismo já é suficiente para tornar seu trabalho bem conceituado. Não é bem assim.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

2 thoughts on “Family Blood (2018)

  • 18/07/2020 em 18:22
    Permalink

    Quando vi o começo já parei e troquei de filme.

    Resposta

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