4.6
(11)

Missa da Meia-Noite
Original:Midnight Mass
Ano:2021•País:EUA
Direção:Mike Flanagan
Roteiro:Mike Flanagan, Joyce Sherrí, Teresa Sutherland, James Flanagan, Elan Gale, Jeff Howard, Dani Parker
Produção:Kathy Gilroy
Elenco:Kate Siegel, Zach Gilford, Kristin Lehman, Samantha Sloyan, Igby Rigney, Rahul Kohli, Annarah Cymone, Annabeth Gish, Alex Essoe, Rahul Abburi, Matt Biedel, Michael Trucco, Crystal Balint, Louis Oliver, Henry Thomas, Hamish Linklater

Com seu lugar cativo na Netflix, Mike Flanagan sentiu-se à vontade para desenvolver seu próprio American Horror Story. Está constantemente alimentando o sistema de streaming com filmes e minisséries de horror, duas delas adaptações literárias, com algumas repetições de elenco. Depois do sucesso de A Maldição da Residência Hill e a boa receptividade de A Maldição da Mansão Bly, ele decidiu partir para um trabalho mais pessoal, um sonho de trazer às telas sua educação católica, seu atual ateísmo e, principalmente, sua sobriedade. O conceito se desenvolveu em um romance de sua autoria, que ele fez questão de mantê-lo ativo ao deixar rastros em dois de seus produtos, os filmes Hush – A Morte Ouve e Jogo Perigoso.

Assim, foi ao ar em 24 de setembro a minissérie Missa da Meia-Noite (Midnight Mass), dividida em sete capítulos cujos títulos fazem referência a livros do Antigo (Gênesis, Salmos, Provérbios, Lamentações) e Novo Testamento (Os Evangelhos, Atos dos Apóstolos, Apocalipse) para apresentar uma ascensão vampírica na ilha Crockett. A direção dos episódios é toda de Flanagan, a partir de roteiros co-escritos pelo próprio cineasta, além de James Flanagan, Elan Gale, Jeff Howard, Jeff Howard e Dani Parker, apoiado por Joyce Sherrí e Teresa Sutherland.

Depois que a bebedeira o levou a um acidente com vítima fatal, Riley Flynn (Zach Gilford, de Uma Noite de Crime: Anarquia, 2014), diariamente atormentado pela visão da morta na hora de dormir, pagou o que devia à justiça e finalmente retornou para sua terra natal na casa dos pais, Ed (Henry Thomas) e Annie (Kristin Lehman, da série Altered Carbon, 2018), e no reencontro com o irmão Warren (Igby Rigney) e com a paixão de infância Erin (Kate Siegel).

Sem a mesma fé que acompanha sua família e toda a comunidade, em um contraponto à religiosidade do xerife Hassan (Rahul Kohli) e seu filho Ali (Rahul Abburi), Riley está em busca de redenção, principalmente no que refere ao vício por álcool, e às razões que o fizeram deixar o local. Sua chegada coincide com a do Padre Paul (Hamish Linklater), substituto do Monsenhor Pruitt, aparentemente debilitado, e também de uma ameaça que leva à morte os gatos, e aos poucos pretende se alimentar dos moradores. As missas, em discursos empolgantes do eclesiástico, começam a envolver os cidadãos, que, a cada comunhão, passam a se sentir melhores fisicamente. Com mais destaque para a recuperação da cadeirante Leeza (Annarah Cymone), e o rejuvenescimento de Mildred (Alex Essoe) para espanto de sua mãe, a médica Sarah (Annabeth Gish, de O Sono da Morte, 2016).

Flanagan constrói o terror lentamente, trabalhando os diálogos, suas reflexões filosóficas e religiosas, até relacionar conceitos bíblicos ao vampirismo. Funciona realmente, mas depende da paciência do espectador e de sua apreciação por divagações, desenvolvimento de personagens e as relações interpessoais no eterno debate sobre milagres e fé. O terror propriamente dito desponta tímido, na loucura dos discursos inflados de Paul, nos exageros da beata Bev (na ótima atuação de Samantha Sloyan) e a crença na existência de um anjo (Quinton Boisclair, que fez a criatura de Na Mente do Demônio, 2021) que circunda o local para trazer melhorias. Como de costume nos trabalhos certeiros do diretor, há aqueles momentos de preciosismo técnico, quando ele faz uso de uma longa tomada única na descoberta dos gatos mortos na praia ou no zoom que destaca os discurso de Riley e Erin sobre vida após morte e sonhos.

Percebe-se a inspiração de Flanagan em Salem´s Lot, de Stephen King, mas sabendo também o momento de evidenciar sua personalidade. A morosidade – e dramaticidade – que acompanha boa parte dos episódios iniciais, com a perspectiva de sequências que parecem que levarão a lugar algum, é substituída pelo tom poético do penúltimo, “Atos dos Apóstolos“, e pelo apocalíptico do último ato. Apesar da grandeza de seu enredo e das possibilidades apresentadas, Missa da Meia-Noite se perde em seu último ato na ingenuidade dos personagens, justificada pela cegueira da fé: a tal definição de um espaço que será a nova arca dos moradores, por exemplo, soa imbecil e improvável.

Com mais acertos do que A Maldição da Mansão Bly, mas menos aterrorizante, Missa da Meia-Noite mostra um Flanagan que cresce a cada novo produto. Evoluindo como cineasta e criador de histórias macabras, já se pode esperar seu retorno às casas malditas com a adaptação do conto de Edgar Allan Poe, A Queda da Casa de Usher, em mais um produto seriado da Netflix. Já se sabe que teremos rostos conhecidos e assombrações escondidas nos ambientes sinistros que envolvem a moradia macabra de Roderick Usher, interpretado pelo veterano Frank Langella.

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6 Comentários

  1. Boa série…mas tem que ter paciência para aguentar o casal de chatos da professora e o jovem alcoólatra,a lacração marxista dos heróis serem uma mulher grávida solteira,uma lésbica,uma menina negra e o único homem do grupo ser um mulçumano. Que aliás,no ateísmo seletivo típico de uma Hollywood esquerda caviar,os vilões são os cristãos e o mocinho é um islâmico com seu ridículo discurso de preconceito…por falar nisso,no atentado do 11 de Setembro houve comemoração árabe nos EUA 👀 ,(o que eu gostaria que alguém perguntasse era se ele pode abandonar o islã ou se um aiatolá emitisse uma fatwa para matar todos mundo no vilarejo, ele como Islâmicos poderia se recusar a cumprir? A respostas é não para as duas perguntas). E não esquecendo o inexplicável fato de ninguém saber na vila o que é um vampiro,(para provavelmente justificar a burrice do monsenhor).

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      Uma mulher grávida solteira não pode ser heroína? Nem uma menina negra? Me explica por que, Douglas, tô bem curiosa.

  2. Para mim sem dúvida a melhor série de 2021. Aparentemente começa sem entregar o “terror” mas quando ele começa tudo faz sentido e ao final você tem certeza que valeu a pena. Simplesmente espetacular!!!

  3. Essa série é incrível, em aspectos técnicos e filosóficos. Na minha opinião, a melhor dentre as séries criadas por Mike Flanagan. O ritmo lento não me incomoda nem um pouco, só poderia melhorar no quesito personagens insuportáveis, rs

  4. Marcelo, achei muito interessante a série. O aspecto técnico é perfeito. Bela fotografia, bom recorte, elenco escolhido a dedo. A beata me lembrou muito a Mrs. Carmody do filme The Mist. Um ponto de vista interessante e um final excelente, como deveria ser. Toda série deveria ter apenas uma temporada. Enfim, um tema recorrente tratado de maneira peculiar. Na minha simplória opinião, ficaria entre 4 e 4,5 estrelas.

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