
![]() Morando com o Medo
Original:Crawlspace
Ano:2016•País:EUA Direção:Phil Claydon Roteiro:Gary Dauberman Produção:Rick Alvarez, Peter Safran Elenco:Michael Vartan, Erin Moriarty, Nadine Velazquez, Ronnie Gene Blevins, JoBeth Williams, Dorian Kingi, Blake Jenner, Misty Upham, Tom Wright |
por Matheus Santos Rangel
Sendo eu um fã de terror, você pode apostar todo o dinheiro da sua conta bancária, a casa e o carro e, inclusive, sua alma no fato de que já assisti muitos filmes ruins.
Morando Com o Medo é, com toda certeza, um dos piores de todos os tempos.
Na “trama” (entre aspas, pois ainda não estou certo se realmente existe alguma), uma família se muda para uma casa perfeita, onde espera viver os melhores anos de suas vidas. Acontece que as coisas começam a ficar bizarras quando um estranho parece estar tendo acesso à casa e cometendo o maior dos horrores: não fazer nada por 1 hora e meia de filme, até que nos dez minutos finais começa o corre-corre de sempre.
Pois é, eu claramente não gostei desse filme.
Longas sobre invasões domiciliares não são novidade e, quando bem trabalhados, conseguem gerar produções marcantes. De cabeça, agora, lembro de A Entidade, que assustava todo mundo no começo da década passada. Porém, é um subgênero complicado, com mais erros do que acertos. Recordo-me de Vende-se Esta Casa, que foi tão ruim que me motivou a cancelar minha assinatura no streaming relacionado ao filme, na época.
Nesse tipo de produção, a ideia é geralmente a mesma: tudo está nos conformes, família feliz e satisfeita com a nova moradia. Com exceção de algum jovem (porque são sempre eles) que acha tudo um saco e só quer voltar para a cidade antiga. Coisas estranhas começam a acontecer, e uma grande catarse tenta fazer valer o ingresso. Eu, pessoalmente, tenho um hiperfoco tremendo nesse tipo de filme, e foi por isso que decidi assistir a Morando com o Medo.
Se arrependimento matasse, o Boca do Inferno teria menos um texto publicado hoje.
Sinceramente, o mais interessante sobre Morando Com o Medo é, sem dúvidas, o fato de que este é um filme tão ruim que o espectador pode escolher por qual motivo irá odiá- lo.
Não se trata de uma ou duas características negativas que fazem a experiência ser negativa; pelo contrário: não existem elementos positivos. O longa inteiro é péssimo — e não de um jeito bom, como as famosas trasheiras, mas da forma mais frustrante imaginável.
Eu, por exemplo, odiei a escolha de elenco.
É IMPOSSÍVEL, para qualquer ser humano funcional, acreditar na família que os realizadores do projeto tentam construir em tela. Seja por conta da falta de carisma geral dos atores (inclusive, Erin Moriarty está nesse filme, e o nível de apatia com o qual ela interpreta sua personagem… Phil Claydon, você tem sangue nas mãos!), ou seja simplesmente pelo fato de que decidiram escalar uma mulher claramente mais velha para um papel adolescente; o que não necessariamente é novidade ou um erro em filmes no geral, mas aqui só se torna bizarro, considerando como essa personagem é tratada pelos pais, sendo que, visivelmente, ela é beeeeemmm mais velha do que o roteiro quer fazer parecer.
Outra coisa que odiei foi a forma como esse filme retrata as mulheres, especialmente a protagonista.
Ao longo das cenas, é repulsivo observar como os responsáveis por essa bomba desejam sexualizar ao máximo a heroína da história. São sequências bizarras, em que a câmera passeia pelo corpo de uma garota que, segundo o próprio filme, ainda é uma adolescente. E não me entendam errado: eu não acho que o terror, de todos os gêneros cinematográficos, deva se limitar a temáticas confortáveis; e, obviamente — talvez até por isso tenham buscado uma atriz claramente velha demais para o papel — não é uma criança de verdade ali sendo filmada. Mesmo assim, dentro do próprio contexto da produção, foi um elemento que me revoltou.
Você pode escolher outros motivos, além desses. Talvez os furos de roteiro?
A família tem um gato, certo? Do nada, o bichano some e fica por isso mesmo. A garota vê, claramente, alguém no sótão que, inclusive, PERSEGUE ela…, mas simplesmente deixa isso para lá depois de seus pais dizerem que não foi nada demais. Além da fixação da câmera no corpo — novamente, segundo o roteiro, adolescente; infantil — da protagonista, o longa é recheado de sequências “assustadoras” envolvendo o pai da família descendo as escadas no meio da escuridão, caminhando por uma cozinha silenciosa, abrindo a geladeira e… bebendo uma garrafa de leite. Isso acontece várias e várias vezes e, em um momento específico, o personagem avista a garrafa aberta, leite derramado pelo chão e outras coisas estranhas ao redor do cômodo. O que ele decide fazer?
Isso mesmo: dormir!
Eu poderia me estender ainda mais — comentar sobre como tudo relacionado ao “monstro” da história, tanto seu visual quanto suas motivações, é tão criativo quanto quem usa inteligência artificial para escrever textos; ou, quem sabe, dedicar todo um parágrafo às cenas estreladas por Ronnie Gene Blevins, que, se pá, é o pior ator do universo. Mas, sinceramente, este é realmente um daqueles filmes em que absolutamente NADA funciona. Nem na cena de abertura os caras conseguem fazer algo natural: a família está se mudando para a tal casa, e um dos funcionários responsáveis por levar os móveis para a residência simplesmente joga alguma coisa no CHÃO depois de gritar, como se o microfone não fosse bom o suficiente para captar sua voz: “esse é o último!”
Quem diabos faz isso???
Enfim, Morando Com o Medo é insano de chato, sem tempero e um tanto quanto problemático. Resumindo: ruim pra diabo!




