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O Boneco de Barro
Original:Ni wa wa / Mudborn
Ano:2025•País:Tailândia
Direção:Meng-Ju Shieh
Roteiro:Meng-Ju Shieh, Yen-Chiao Huang, Yu-Chu Chiang
Produção:
Elenco:Yo Yang, Cecilia Choi, Derek Chang, Tracy Chou, Hsueh-Fu Kuo, Wei-min Chen, Kuan-yi Lee, Mountain Kao, Lindsey Huang

por Sílvia Faria

Confesso que me decepcionei com O Boneco de Barro. Disponível na Netflix, o longa taiwanês se inspira vagamente na tradição e no folclore em torno de uma canção de ninar e constrói sua narrativa a partir de um casal à espera do primeiro filho, cuja rotina é profundamente abalada quando o marido, Hsu-Chuan (Tony Yang – Dynasty Warriors, 2021), designer de videogames, leva acidentalmente para casa um boneco de barro quebrado. Sua esposa, Mu-Hua (Cecilia Choi – Além do Sonho, 2019), restauradora, encontra o objeto e decide repará-lo; decisão que desencadeia os eventos sobrenaturais que permeiam a trama.

(CONTÉM SPOILERS)

Apesar do meu apreço por produções asiáticas, senti que o filme exagera em certos momentos no que diz respeito a iluminação nas cenas noturnas e dentro da casa “supostamente assombrada”. Além disso, o roteiro apresenta algumas inconsistências e escolhas pouco naturais por parte dos personagens, o que acaba prejudicando a imersão. Um exemplo disso é quando um dos técnicos desaparece e o outro retorna visivelmente ferido e perturbado, sem que haja um desenvolvimento mais consistente dessa situação.

A partir da chegada do boneco à casa, o clima muda de forma significativa. Em uma cena, o marido vê a esposa trabalhando no estúdio; logo depois, ela aparece vindo da cozinha, dizendo que preparou um lanche para ele. A situação é inquietante, mas o filme não explora plenamente essa estranheza — o protagonista sequer investiga o que viu, o que enfraquece o impacto da cena.

As sequências de exorcismo, embora um pouco exageradas e até destoantes do tom mais contido do restante da narrativa, têm seus pontos positivos, especialmente pela atuação de Derek Chang (Light the Night , 2021) como o excêntrico exorcista Ah-sheng, que traz uma presença marcante sempre que aparece.

Outro aspecto que me incomodou foi o uso do jogo de realidade virtual como ferramenta de exploração da casa. A ideia soa um pouco forçada e não se integra de forma orgânica à história, principalmente porque, na altura que é utilizado, já sabemos que não era a casa que era assombrada, e sim, o boneco.

Por outro lado, a revelação envolvendo a origem do artefato feito com terra de cemitério e o feto abortado da irmã de Liu Hsin, que acabou enlouquecendo, é sem dúvida, um dos momentos mais impactantes do filme. A forma como essa informação é apresentada carrega um peso emocional considerável e traz um tom trágico que enriquece a narrativa, deixando uma impressão duradoura.

No geral, O Boneco de Barro pode não ter sido o melhor filme asiático que já assisti, mas também está longe de figurar entre os piores. Considerando que se trata da estreia de Shieh Meng-ju na direção, há méritos claros, especialmente na construção gradual da atmosfera e em alguns momentos de forte impacto, ainda que o conjunto não seja totalmente equilibrado.

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