![]() Dolly - A Boneca Maldita
Original:Dolly
Ano:2025•País:EUA Direção:Rod Blackhurst Roteiro:Rod Blackhurst, Brandon Weavil Produção:Rod Blackhurst, Joseph C. Grano, Noah Lang, Bryce McGuire, Ross O'Connor, Esteban Sanchez, Isaiah Smallman, Betty Tong Elenco:Fabianne Therese, Russ Tiller, Michalina Scorzelli, Kate Cobb, Ethan Suplee, Seann William Scott, Max the Impaler, Eve Blackhurst |
Não foi à toa o uso do nome Dolly para o título desse horror sangrento de Rod Blackhurst. Trata-se de uma alusão à ovelha clonada na década de 90 e que se tornou o pontapé de pesquisas científicas importantes. O longa é uma assumida cópia do clássico de Tobe Hooper, O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1974), até mesmo na fotografia suja e granulada, apoiada à filmagem em 16mm, nos aspectos agressivos e no gore em efeitos quase inteiramente práticos. Para não ser nada discreto, o cineasta ainda copia duas cenas do filme, como o salto pela janela da jovem numa tentativa de fuga e o riso descontrolado em função da insanidade pelo horror vivido. E ainda aponta um lugar como Hooper Mine e nomeia alguém como Tobe para completar a lista de homenagens e recriações.
A despeito dessa intencional “carta de amor” ao clássico, Dolly – A Boneca Maldita não é diferente de inúmeras produções do estilo survival horror, quando não há preocupação em deformar personagens, expor sequências escatológicas e apresentar uma família de hábitos bizarros. O diferencial está em propor um body horror que deve alimentar os pesadelos dos pediófobos com centenas de bonecas aterrorizantes em exposição em diversas cenas: bonecas pregadas em árvore, semi-destruídas, deitadas em volta de uma cova, em um quarto e principalmente na face de Dolly (Max the Impaler), uma figura monstruosa, extremamente forte, uma provável parente desconhecida de Leatherface.
É para esse inferno doentio que o casal Macy (Fabianne Therese) e Chase (Seann William Scott, o eterno Stifler da franquia American Pie) seguirá inadvertidamente. Pai solteiro, ele pretende pedir a namorada em casamento em um mirante que considera belíssimo, embora não saiba que sua companheira não se mostra preparada para assumir o papel de mãe tão cedo. Um som estranho o conduz a um cenário grotesco de bonecas e uma gigantesca figura, com uma face de boneca de porcelana e movimentos constantes de uma pessoa do espectro do autismo. Dolly tem como arma preferida uma pá, a mesma que usa para enterrar suas outras filhas, já sem cabeça, e também romper a mandíbula do simpático rapaz, não sem antes fraturar seu joelho.
Logo Macy é capturada durante uma fuga atrapalhada, chocando-se com uma pedra. Ela acorda em um berço, com roupa de bebê, enquanto ouve uma voz no quarto ao lado, sugerindo uma possibilidade de fuga. Nesse ambiente claustrofóbico, ela terá que aceitar brincar de casinha, usar chupeta, mamadeira e até consumir direto da fonte, enquanto tenta diversas formas de escapar dali, sem imaginar que seu desqueixado namorado ainda está vivo, rastejando pela mata para tentar resgatá-la.
Dividido em capítulos desnecessários, Dolly – A Boneca Maldita não esconde seus clichês e lugares-comuns. Salta de um para outro, apenas para justificar que Blackhurst é fã do estilo e não tem vergonha de repetir ideias como a do policial que aparece por poucos minutos, ignorando os alertas da garota; da fugitiva que nocauteia seu algoz e não pensa em liquidá-lo de uma vez para lhe dar a oportunidade de uma reação. Fabianne Therese está distante de ser uma Marilyn Burns, não sabendo demonstrar o horror ao testemunhar o namorado deformado e nem o desespero necessário para justificar seu descontrole emocional.
Blackhurst faz um bom trabalho técnico, sabendo clonar com precisão ambientes do passado, sem que as caracterizações gritem à tela. Se trabalhasse da mesma forma com a edição e trilha sonora, não usasse moscas digitais e nem um soco que atravessa um corpo artificialmente, Dolly seria um espelho da época, um transporte ao período do cinema grotesco dos anos 70. É um filme consciente de sua proposta de respeito aos clássicos, mas que nunca poderá dizer que está apresentando um novo ícone do horror.






