![]() O Fantasma da Ópera
Original:Le Fantôme de L’Opera Ano:1909 / 2025•País:França Autor:Gaston Leroux•Editora: DarkSide Books |

A Ópera de Paris, ou Palais Garnier, sempre atraiu o público não apenas por sua beleza, mas também por sua aura misteriosa. Em 1896 parte de um grande lustre caiu durante uma apresentação, levando uma das espectadoras à óbito. Não se sabe exatamente o que causou a repentina queda, sendo uma fatalidade que assustou e surpreendeu a todos, especialmente quando levamos em conta que havia rumores de um fantasma que habitava os bastidores. Gaston Leroux, antes de virar escritor, era repórter investigativo, e chegou a afirmar que acreditava piamente na lenda do fantasma da Ópera de Paris, que serviu de inspiração para o grande clássico O Fantasma da Ópera. É claro que ele pode apenas ter fingido levar os rumores à sério para envolver os leitores, mas isso fez com que a obra ganhasse tons ainda mais sombrios, sobretudo com o estilo narrativo de Leroux, que nos apresenta a história como se fosse um grande dossiê, com relatos, documentos e depoimentos.
Na época, a obra não virou um clássico instantâneo, e foi graças ao musical de Andrew Lloyd Weber de 1986 – um dos espetáculos mais longevos da Broadway – que a misteriosa figura do fantasma ficou mundialmente conhecida, rendendo inúmeras adaptações e consagrando Erik como uma das grandes figuras do horror – e uma das fantasias de Halloween mais usadas até os dias de hoje. No cinema, a adaptação vivida por Lon Chaney é considerada uma das produções mais bem realizadas da época (e também foi responsável pela criação dos outros monstros da Universal devido ao seu sucesso), além de ser muito fiel à obra original.
O famoso Palais Garnier terá novos proprietários, que são advertidos pelos antigos gestores de algumas regras que devem ser seguidas à risca. Na apresentação da noite de Fausto, Christine Daaé surpreende a todos ao cantar como um anjo, com uma voz tão bela que é quase sobrenatural, o que faz seu amigo de infância Raoul recordar de seu amor pela jovem. Ao tentar parabenizar a amiga, Christine é esquiva e distante, bem diferente do que costumava ser, e afirma ter aulas de canto com o “anjo da música” e, portanto, não pode perder tempo com trivialidades, o que faz Raoul questionar que algo estranho está acontecendo. Enquanto isso, acontecimentos assustadores rondam a Ópera, especialmente devido ao descaso dos novos gestores em relação às exigências de uma misteriosa figura denominada “Fantasma da Ópera”. O lustre cai sobre a plateia, a soprano principal Carlotta perde a voz ao se apresentar, um funcionário aparece morto nos bastidores, faxineiras e bailarinas cochicham sobre uma sombra passando pelos corredores e, no meio de tanto caos e medo, Christine parece cada vez mais angustiada e sem esperanças, deixando Raoul desesperado para salvá-la seja lá de qual infortúnio for. Um dia, Christine desaparece, e cada vez mais a lenda do fantasma da ópera parece se tornar realidade. Amor, obsessão e horror se entrelaçam na vida da bela jovem, que descobre a terrível verdade por trás dessa obscura figura que habita e amedronta o imaginário de todos os funcionários do Palais Garnier.
Além do trágico acidente com o lustre que aconteceu na vida real e os rumores sobre um fantasma habitar o local, na trama há um lago subterrâneo que é o refúgio de Erik. De fato, existe mesmo um reservatório de água sob a estrutura da Ópera, que serve para estabilizar o terreno. Nota-se que Leroux teve atenção aos mínimos detalhes para que a obra realmente ficasse no limiar de realidade, sobrenatural e ficção. Sua habilidade anterior com jornalismo também ajuda a criar essa atmosfera de dúvida.
Sobre Erik, o Fantasma da Ópera, pode-se fazer uma análise de seu comportamento a partir do modo que foi tratado. Deformado, sempre foi excluído e ridicularizado pela sociedade apesar de seu talento para a música, preferindo viver isolado. Após tanta rejeição, ele decide se tornar o que sempre foi chamado: um monstro. Não há consideração ou empatia por terceiros, já que ele mesmo nunca foi tratado com carinho, guardando décadas de dor, rancor e frustração dentro de si. Ao ver Christine e perceber que a música é o elo que os une, é tomado por um sentimento de posse obsessiva que confunde com amor e precisa tê-la a todo custo, ele necessita ser amado. Ele exige devoção da jovem desde que começa a treiná-la no canto, sendo inflexível com seus desejos e vontades. Ele faria de tudo por ela, desde que ela seja submissa e rejeite todos os amigos e família. Christine fica dependente dele, à sua mercê, deixando clara o controle emocional que o Fantasma impõe. Essa necessidade de controle também é vista na Ópera, onde Erik atua nas sombras. Caso algo não seja feito conforme suas vontades, tragédias acontecem. Ele opera com o medo a seu favor, parecendo estar em todos os lugares ao mesmo tempo graças a seus inúmeros truques e refúgios. Todos se curvam às vontades do Fantasma da Ópera, e é aí que ele se sente vingado por todas as injustiças que passou. Ninguém deu uma chance a ele por causa de sua aparência, então ele será impiedoso com todos a menos que tudo seja exatamente como ele quer, sendo um personagem profundamente perturbado e emocionalmente instável. Apesar do musical de Weber dar um ar mais romântico a Erik, na obra de Leroux os pontos apontados acima são mais escancarados, rendendo até hoje discussões sobre exclusão social, aparência e marginalização, o que mostra o impacto e relevância da obra mesmo anos depois.

O Fantasma da Ópera é muito mais do que um clássico romance gótico de horror. Assim como o monstro de Frankenstein, incompreendido e rejeitado por sua aparência, Erik não conhece a compaixão. Na obra, o autor sugere que monstros não nascem assim, são criados. Qualquer pessoa que experimentasse tamanha exclusão teria o potencial de se tornar um fantasma: escondido pelos cantos, em busca de compreensão, mas sem receio de machucar quem ficar em seu caminho.
Em um lugar tão belo quanto a Ópera de Paris, o Fantasma é o pária que é escondido das vistas das pessoas, que preferem acreditar que há algo de sobrenatural acontecendo a aceitar a aparência de Erik que, depois de tanto tempo na escuridão, se torna parte dela. Afinal, é muito mais fácil aceitar que alguém com uma aparência fora dos padrões só pode ser algo terrível e fantasmagórico do que aceitar que é apenas uma pessoa comum com sonhos e anseios como todos. Sem dúvidas, um clássico importantíssimo em muitos sentidos.


Texto de IA? Esse site já foi melhor
É? Pela boa escrita? Como você identificou isso? Precisamos aprender com sua especialidade.
Abs