![]() Angel - 1ª Temporada
Original:Angel - First Season
Ano:1999-2000•País:EUA Direção:Joss Whedon, James A. Contner, Bruce Seth Green, Vern Gillum, Scott McGinnis, David Straiton, David Grossman, Tucker Gates, Winrich Kolbe, R.D. Price, Nick Marck, Regis Kimble, Michael Lange, David Straiton, David Greenwalt Roteiro:David Greenwalt, Joss Whedon, Jeannine Renshaw, Tim Minear, David Fury, Howard Gordon, Tracey Stern, Jane Espenson, Douglas Petrie Produção:Tim Minear, Kelly A. Manners, Skip Schoolnik, Tracey Stern, Gareth Davies Elenco:David Boreanaz, Alexis Denisof, Charisma Carpenter, J. August Richards, Stephanie Romanov, James Marsters, Christian Kane, Julie Benz, Elisabeth Röhm, Glenn Quinn, Thomas Burr, Sarah Michelle Gellar, Randall Slavin |
Angel (David Boreanaz), o vampiro de 242 anos, surgiu como o interesse amoroso proibido de Buffy Summers (Sarah Michelle Gellar), desde o primeiro episódio da primeira temporada de Buffy, A Caça-Vampiros. Foi transformado numa criatura da noite por Darla (Julie Benz), e, depois de matar ciganos, acabou sendo condenado a ter uma alma, que só pode ser perdida se tiver algum momento de felicidade absoluta, algo que aconteceu na segunda temporada. Depois de mandado ao inferno por sua amada, assim que o feitiço de Willow (Alyson Hannigan) de restaurá-la deu certo, foi mandado de volta para algo que não conseguia entender. Qual o propósito de seu retorno? Na terceira temporada, ele finalmente percebeu que a convivência com a caçadora poderia ser impossível e talvez tenha uma missão importante a cumprir em outro lugar. Assim, Angel ajudou a matar o prefeito em sua ascensão e partiu para Los Angeles.
Como apenas um spinoff de Buffy, Angel se mostrou diferente. Sem metáforas sobre amadurecimento, a série adquiriu uma personalidade sombria, um tom investigativo ao estilo Constantine e Dylan Dog. Juntou-se com Cordélia Chase (Charisma Carpenter), o alívio cômico, e construiu com ela uma agência de detetive Angel Investigations, que ajuda pessoas com problemas sobrenaturais. Teve início com a exibição do episódio “City of…“, de Joss Whedon, quando ele conhece o demônio Allen Doyle (Glenn Quinn), atormentado por visões de pessoas em perigo. Sua primeira cliente, Tina (Tracy Middendorf), precisa de ajuda, por estar sendo perseguida pelo vampiro Russell (Vyto Ruginis). Ao eliminar o vampiro abusador, atirando-o da janela do edifício, mesmo sem evitar a morte da garota, Angel tem o primeiro contato com o escritório de advocacia Wolfram & Hart, que tem Lindsey McDonald (Christian Kane) como uma encrenca durante quase toda a série. Apesar de interessante o episódio fez uso de uma prótese de face vampírica bem ruim e artificial, tanto que depois a equipe de maquiagem retornaria para o que já faziam em Buffy.
“Lonely Hearts“, de James A. Contner, introduz a detetive Kate Lockley (Elisabeth Röhm), enquanto Angel tenta descobrir e enfrentar um demônio que troca de corpos e deixa cadáveres eviscerados, tendo como ponto em comum um bar de solteiros de Los Angeles. Neste episódio oficialmente Cordélia apresenta o cartão da empresa Angel Investigations, formando o grupo que perpetuará até o nono episódio. Divertido, com uma ameaça sobrenatural e a presença de uma personagem que irá retornar em bons momentos e outros irritantes. Cordélia ainda com um pé em Sunnydale, mostra-se ainda bobinha e imatura, o que dá um tom mais leve à série a partir da química com Doyle.
O terceiro episódio, “In the Dark“, de Bruce Seth Green, dialoga com a quarta temporada da série Buffy, quando Oz (Seth Green) disse que iria a Los Angeles entregar a Angel a Joia de Amara, um anel que dá o poder do vampiro se tornar imortal e andar à luz do dia. Mas ele não é o único que aparece: Spike (James Marsters) também chega em busca exatamente da Joia, e contará com a ajuda do vampiro Marcus (Kevin West), um torturador pedófilo que tem suas próprias intenções com o anel. Ótimo episódio, ainda mais por mostrar Angel curtindo o sol, experimentando a breve imortalidade. Só não fica claro porque Spike resolveu desistir de sua busca ao final, sem saber o que aconteceu com a Joia.
Um “monstro da semana“, “I Fall to Pieces”, de Vern Gillum, mostra uma moça, Melissa (Tushka Bergen), tendo que resistir às investidas de um cirurgião plástico, Dr. Ronald Meltzer (Andy Umberger), que realiza cirurgias espirituais e tem o dom de separar partes do corpo. Alguns efeitos razoáveis no episódio, apenas servindo para explorar mais a relação entre Angel e Kate, mas trata-se de um dos mais fracos da temporada. “Rm w/a Vu“, de Scott McGinnis, apresenta o local que será o apartamento da Cordélia, um ambiente assombrado por Maude Pearson (Beth Grant), a mãe superprotetora e ciumenta do fantasma Dennis (BJ Porter), que passará a companheiro de quarto e “personagem” fixo da série. Divertido, com um toque poltergeist, e uma Cordélia agindo com sabedoria e coragem, sem ser aquela indefesa de antes.
“Sense and Sensitivity” tem mais uma vez o comando de Contner. Nele, Kate é enviada para um treinamento de sensibilidade depois de agir com agressividade no interrogatório do mafioso Spivey (Ken Abraham), buscando uma ligação dele com o criminoso Little Tony Papazian (John Capodice). E Angel é repreendido por não ser uma pessoa educada, agir com mais frieza mesmo com alma. O seminário de Allen Lloyd (Ron Marasco), que envolve o uso de um cajado mágico, tanto Kate e os policiais, quanto Angel, passarão a agir com mais sensibilidade, gerando situações divertidas em meio aos conflitos na delegacia. Episódio bem divertido, com uma carga dramática na relação entre Kate e seu pai Trevor (John Mahon).
O sétimo episódio, “The Bachelor Party“, de David Straiton, traz a esposa de Doyle, Harriet (Kristin Dattilo), pedindo para o rapaz assinar a separação para que ela possa se casar com Richard Straley (Carlos Jacott, que apareceu como demônio em “Anne“, da terceira temporada de Buffy). Aqui ele também é um demônio, no caso um da espécie Ano-Movic, cujo ritual de casamento envolve comer o cérebro do ex da futura esposa. Angel precisará invadir a festa para salvar Doyle, sem ainda que Cordélia descubra sua verdadeira natureza. Bom episódio, já preparando o terreno para os momentos tristes que serão reservados para os seguintes.
No encerramento do episódio, Doyle tem uma visão de Buffy (Sarah Michelle Gellar) precisando de ajuda. Isso vai conduzir Angel a Sunnydale no divertido “Pangs“, de Michael Lange, tendo como consequência a vinda da garota para o oitavo de Angel, “I Will Remember You“, comandado por David Grossman. Quando Angel e Buffy discutem a relação, um demônio guerreiro salta pela janela e os ataca, depois fugindo para o esgoto. O contato com o sangue faz com Angel volte à vida, sentindo seu coração novamente bater. Livre da maldição ele curte a caçadora, ficando bastante tempo no sótão até perceber que sendo uma pessoa comum ele não poderá ajudar ninguém, o que o faz recorrer ao oráculo para voltar à condição anterior. Episódio emocionante e que permite que o infernauta tenha um vislumbre do que poderia ser o final de ambas as séries.
Não tão emocionante quanto o seguinte, “Hero“, de Tucker Gates, que faz referência à época nazista, com os demônios híbridos da raça Lister, a mesma de Doyle, sendo caçados por um exército de supremacistas que valorizam a raça pura. Doyle, que teve a oportunidade de ajudá-los anteriormente, resolve como redenção salvar um adolescente da raça, enquanto Angel se mistura com os demônios para permitir a fuga de navio da espécie. Contudo, para evitar que utilizem a bomba Beacon, Doyle confessa sua natureza demoníaca, beija Cordélia, antes de se sacrificar para salvar sua raça. Ao final, uma gravação de Doyle realizada no começo serve para que compreendam a verdadeira proeza que define um herói. Excelente episódio, um dos grandes destaques da temporada e da série.
Doyle: “Quando as fichas estão baixas e você está no fim da corda, você precisa de alguém com quem possa contar. E é isso que você encontrará aqui – alguém que irá até o fim, que o protegerá, não importa o que aconteça. Portanto, não perca a esperança. Venha para nossos escritórios e você verá que ainda há heróis neste mundo.”
Segundo Joss Whedon, a morte de Doyle foi necessária para que ele pudesse tratar de seu vício no uso de drogas. Mas, infelizmente, Glenn Quinn acabou sendo vítima dessa condição, falecendo em 3 de dezembro de 2022 aos 32 anos.
A partir do décimo episódio, Angel inicia uma nova fase na série. “Parting Gifts“, de Contner, traz o ex-sentinela Wesley Wyndam-Pryce (Alexis Denisof), que apareceu na terceira temporada de Buffy, como um caçador de demônios, indo atrás de Barney (Maury Sterling), que resolve sequestrar Cordélia para vender seus olhos no mercado negro, assim que se descobre que a garota herdou a vidência de Doyle. Wesley ainda se mostra pouco confiante e com trapalhadas que lhe eram comuns na outra série. Episódio divertido, introduzindo aos poucos o personagem que irá substituir Doyle como parte da equipe de Angel.
Em “Somnambulist“, de Winrich Kolbe, é também bem interessante e conta com a participação do agora astro Jeremy Renner como o colega vampiro de Angel, Penn. Ele é o serial killer que Kate está buscando em Los Angeles, ainda descrente da existência de forças sobrenaturais no local. Flashbacks mostram a relação de Angel com Penn, e Kate por fim descobre que as razões para o detetive só aparecer à noite ou em lugares distantes do sol. Já “Expecting“, de David Semel, é bem bobinho e mostra Cordélia grávida depois de ter relações com um fotógrafo. Ela e outras garotas estão carregando a prole do demônio gigante Haxil, e estão sob controle psíquico durante a gestação.
Também ruinzinho é o seguinte, “She“, de David Greenwalt, tendo Angel se sentindo excitado pela proximidade da princesa demônio Jhiera (Bai Ling), e resolve ajudá-la a escapar da escravidão sexual a partir de extrações realizadas na espinha das mulheres. A mensagem é importante, mas a realização é pouco empolgante. Dentro da categoria “monstro da semana“, “I’ve Got You Under My Skin“, de R.D. Price, é mais divertido. Cordélia tem uma visão sobre uma casa nos subúrbios onde acontece a possessão de um menino, Ryan Anderson (Jesse James), pelo demônio Ethros. Angel se aproxima dos pais, Seth (Will Kempe) e Peige (Katy Boyer), e vai precisar adquirir uma caixa mágica para aprisionar a entidade antes que ela salte para outro corpo, após a possessão. Além de envolver um exorcismo nos moldes tradicionais, algo não muito comum na série, o episódio também mostrou as dificuldades de Angel de lidar com a perda de Doyle.
O décimo quinto episódio, “The Prodigal“, de Bruce Seth Green, está entre os destaques da temporada. Ele remete ao passado de Angel, em 1753, na Irlanda, quando ele ainda era conhecido como Liam e tinha problemas de relacionamento com o pai (J. Kenneth Campbell). A relação dos dois faz paralelo com a de Kate e o pai, quando Angel enfrenta um demônio Kwaini no metrô, conhecido por ser uma espécie pacífica. Além de contar com a sempre bem-vinda participação de Darla (Julie Benz), mostrando Angel como humano e como resolveu mudar de nome, o episódio culmina com a morte de Trevor e temporariamente o fim da boa relação entre o protagonista e a policial.
No interessante “The Ring“, de Nick Marck, Angel é preso por apostadores em ringue de combate mortal, tendo que encontrar um meio de escapar dali sem precisar matar algum inimigo nas mesmas condições. Wesley e Cordélia correm contra o tempo para tentar descobrir onde Angel está, seguir seus passos, até o local. Episódio marca a primeira aparição da advogada Lilah Morgan (Stephanie Romanov), da Wolfram & Hart. A empresa passaria a trazer a confusão entre salvar Angel, matá-lo ou resgatar sua versão sem alma, nos episódios seguintes.
A boa qualidade da temporada, diferente da co-irmã Buffy nesse ano, continua no episódio “Eternity“, de Regis Kimble, que leva Angel a experimentar a felicidade através de uma droga, e perder temporariamente a alma, depois que a atriz Rebecca Lowell (Tamara Gorski) decide manter a beleza eterna se transformando em vampira. Apesar de divertido, ainda mais com uma hilária Cordélia, traz alguns questionamentos sobre o que seria então a felicidade que fez Angel perder a alma depois de se envolver sexualmente com Buffy: é possível emular sentimentos ao ponto de afastar por um breve momento a alma de Angel?
Quem já acompanhava a série Buffy, somente pelo título do episódio, “Five by Five“, de Contner, já seria possível prever que traria Faith (Eliza Dushku) para o episódio. Ela havia voltado do coma na série principal e precisou mais uma vez fugir, chegando a Los Angeles como uma possível assassina contratada pela Wolfram & Hart para matar Angel e ter seu nome limpo pelos advogados. O excelente episódio mostra o momento em que Angel adquiriu a alma, em 1898, na Romênia, quando Darla lhe presenteou com uma cigana. A maldição do povo Kalderash faz um paralelo com o esforço de Angel de tentar salvar Faith, a busca de uma redenção pelo crime cometido.
Angel: Aquela cigana que você me trouxe – o povo dela descobriu. Eles fizeram algo comigo.
Darla: Um feitiço?
Angel: Engraçado. Você pensaria que todas as pessoas que eu mutilei e matei, eu não seria capaz de me lembrar de cada uma delas. Me ajuda.
Darla: O feitiço. Eles te deram uma alma. Uma alma imunda! Não! Você é nojento!
A ótima qualidade continua com “Sanctuary“, de Michael Lange, que ainda traz um bônus: Buffy chega mais uma vez a Los Angeles e se incomoda com a atitude de Angel em tentar ajudar Faith. Assim, a garota é perseguida pelos sentinelas e pela polícia, além de Buffy, e Angel a faz buscar ajuda e se entregar à polícia, não sem ter confrontos na chuva e ótimas sequências em que somente o protagonista demonstra acreditar nela. O único pesar do episódio é que ele momentaneamente finda a participação de Eliza Dushku das duas séries, uma personagem que poderia ter seu próprio spinoff.
Mais uma estreia acontece em “War Zone“, de David Straiton, quando em meio a uma guerra de gangues e vampiros, Charles Gunn (J. August Richards) surge como um caçador de vampiros que comanda seu próprio grupo. Angel salva a irmã dele, Alonna (Michele Kelly), para depois ela ser morta e se transformar em vampiro. A aproximação de Angel mostra ao rapaz um mundo que vai além de vampiros como outras criaturas como fantasmas e demônios habitando Los Angeles. O seguinte, “Blind Date“, de Thomas J. Wright, mostra a estranha união de Lindsey com Angel para combater uma espécie de Demolidor, uma assassina cega, que busca três crianças na mesma condição e que no futuro trarão problemas para a Wolfram & Hart. Nesse combate, Angel encontra um pergaminho com As Profecias de Aberjian e é mal traduzido por Wesley até o episódio final da temporada.
Diferente de Buffy, a temporada termina sem um grande vilão, um monstro ou um “chefe de fase“. “To Shanshu in L.A.“, de David Greenwalt, traz o demônio Vocah (Todd Stashwick) como parte de um ritual que irá trazer a melhor surpresa da série, no último segundo do episódio. Cordélia é atormentada por uma série de visões, tendo até que ficar hospitalizada para suportar tanto sofrimento, enquanto Angel descobre o local onde será realizado o culto, corta a mão de Lindsey, ainda se questionando sobre sua condição, mas não impede que a conclusão traga de volta à vida Darla.
Saber que essa personagem seria recorrente na segunda temporada fez a série se mostrar mais eficiente do que a principal, ainda mais pela quarta temporada de Buffy ter sido tão problemática com Iniciativa, Riley e as metáforas da faculdade. Angel, em sua condição mais adulta e sombria, acertou nos conceitos, trouxe bons acréscimos, momentos emocionantes, e ainda resgatou o passado do protagonista. Bem acertada, a série demonstrou força para sua continuidade, e me fez, na época, ter mais vontade de voltar a esse universo do que Sunnydale.

















